O poder do pensamento positivo no olho gordo... ou não

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O "Medo do Olho Gordo" é irmão gêmeo do "Poder do Pensamento Positivo" e ambos já estão entranhados na cultura brasileira (ainda que o último tenha vindo mais recente de fora). Aliás, as pessoas se ofendem menos se eu disser que Jesus não é o salvador do que se diser que não existe pensamento positivo.


Reparem nestas duas faces da mesma moeda: o Bem vem de dentro, o nosso bem viria de nosso pensamento, mas o Mal vem de fora, da inveja alheia. De dentro de nós vem o Bem, de fora vem o Mal. O nosso pensamento é gerador de poder benigno, o pensamento alheio é poder maligno. (Nunca ouvi dizer do inverso na boca do povo, a torcida alheia me fazer bem e meu desejo me fazer mal).


Parece-me que tudo isso tem raízes cartesianas, a idolatria do próprio pensamento, mesmo que desconectado da realidade, elevado não só à categoria já falsa de juiz da realidade, mas um mago moldador da realidade por seu próprio poder. 


Finalmente parece-me uma certa negativa do pecado original, colocando o Mal não só como originário em si mesmo, mas sempre fora. Nós temos em nós o Mal, nascemos com ele e qualquer honesto exame de consciência o percebe (eu disse "honesto"!). Nosso Senhor já disse que é de dentro do homem que vem a impureza. Mas o problema é o "olho grande" alheio. 


É um pouco paradoxal isso, já que os outros são "eus" e teriam capacidade de bondade do "pensamento positivo" pelo menos para si. Por que para mim vem apenas "olho grande" e maldade? De mim não pode também vir um "olho grande reflexivo" que me fizesse mal naturalmente? Devo ficar me acautelando dos outros homens, porém me abrindo a todo tipo de concupiscência e auto-engano interno? É como um senhor na guerra que se fecha em seu castelo e ignora o assassino que já está dentro dos muros. 


Apenas reflexões em certas certezas populares que moldam nossas ações.






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