Trouxas e trouxas

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Quando você é feito de trouxa, e todos nós somos em algum momento, há duas reações possíveis. A primeira é a reação do homem comum e é verdadeiramente libertadora, beirando a franqueza da confissão: 'Caramba, me fizeram de otário e eu sou uma besta mesmo. Vou ficar esperto para não cair mais neste golpe'.

Porém quem tem um pouco mais de estofo intelectual e sua consequente vaidade acaba pensando demais e arrumando justificativas, retrospectivamente dando razão à sua otarisse, como um jogador de poker que dobra a aposta num mão ruim apenas para não perder o dinheiro antigo e acaba perdendo mais ainda. Ai, meu amigo, este é o caminho do Inferno, porque você vai distorcer tudo para não ferir a sua frágil auto-imagem manchada pela inegável otarisse. Não, o sujeito não vai admitir que foi feito de trouxa, que foi enganado, muito pelo contrário, vai dizer que ele é mais leal que Santo Inácio, mais sábio que Aristóteles, mais santo que o Padre Pio, mais safo que Don Giovanni enquanto cada vez se afunda mais no engano apenas por não dar o braço a torcer. Isso acontece o tempo todo, inclusive nos assuntos da Igreja. É como um homem que num restaurante, ao perceber que o cozinheiro de sacanagem escarrou no seu prato, come tudo numa boa apenas para não dar ao outro o gostinho de saber que o ofendeu. E é um gostinho salgado e gelatinoso.


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