Aprecie sem moderação

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Afirmar que o excesso de virtude torna-se vício é um erro muito grosseiro. As virtudes, por serem bens espirituais, e não materiais, não são limitadas, não são tem como se reverter em mau.

NENHUMA VIRTUDE É EXCESSIVA. Por que as virtudes justamente são PREDISPOSIÇÕES ESTÁVEIS AO BEM. Ora, digam-me, algum excesso de predisposição ao bem faz mal? Há um nível de Bem que faz Mal? Então Deus, que é Sumo Bem, é Mau!!! Jesus que tinha todas as virtudes em grau inumerável e divino era Mau!!! Isso é absurdo em si.

Os bens terrenos, ou as qualidades terrenas, sim, estas podem tornar-se más se excessivas, como a liberdade, o conforto, os bens, o patriotismo, a gravidade... mas as virtudes??? Como ter mais fé pode ser ruim? Como ter mais caridade pode ser ruim? Como ter mais fortaleza pode ser ruim? Como ter mais temperança, justamente a virtude que indica moderação na fruição dos bens terrenos, pode ser ruim? Como ter mais prudência pode ser ruim? Como ter mais justiça pode ser ruim? Como ter mais esperança pode ser ruim? Como ter mais bem pode ser mau?

O problema é que as pessoas tomam as virtudes por suas caricaturas excessivas. Então por "excesso de fé" tomam as carolisses, o fanatismo, as aparências externas de simulacros mundanos. Francamente se estas manifestações de religiosidade fossem a virtude da fé de verdade... acreditar no erro não é a virtude da Fé, a verdadeira, infundida do alto, dada pelo Espírito Santo. Excesso de prudência chamarão de medo e hesitação, quando a virtude da prudência é escolher o melhor. Ora, pela definição isto não é hesitação. Quem hesita nem sequer escolhe, não é prudência nenhuma, é medo mesmo. Excesso de prudência é bom, é marca da mais pronfunda sabedoria, é aquela pessoa que realmente sabe ter a visão de como agir.

Ora, ora, ora, o Senhor não condenou "os mornos"? Justamente, condenou aqueles que não se excederam nas virtudes. Estão ali, moderados naquilo que deveria abusar porque não haveria nenum dano, antes uma obrigação moral. Estão mornos...

Antes que alguém me aponte "Virtus in medium", primeiro digo que esta construção não é de Aristóteles em si, e sim retirada de um argumento dele num caso específico em sua Ética a Nicômano, não uma constatação filosófica. Segundo, quem a popularizou foi o poeta Horácio, ou seja, é discurso poético de verossimilhança, não analítico filosófico. Poetas falam coisas POSSÍVEIS, filósofos falam coisas ANALISADAS (Teoria dos Quatro Discursos aqui). Terceiro, mesmo que estivesse na boca deles, eles não conheciam o conceito cristão de virtude.


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