O importante é não negar os fatos

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Num mundo conturbado, a gente quer olhar para a Igreja e dizer: "Ali há ordem, ali há gente boa". Quando a gente descobre que tem gente muito mal intencionada e muito safada, até mesmo perigosamente perto do topo, a gente entra em negação. A negação é uma reação de um modelo mental idealizado da realidade. É uma versão psicológica do "matar o mensageiros das más notícias". Ai começam as exigências mirabolantes de obediência fora da doutrina, coisa que o clero mau capitaliza, evidentemente.

O problema é que estas pessoas que falam isso não tem formação nem experiência humana adequada. Não são cidadãos, não são homens de personalidade formada. Ai querem discutir política na Igreja sem sequer ter formação política para entender quando o assunto é da terra e quando é dos Céus. Há mais distância entre a doutrina da Igreja e a política no clero que entre o STF bolivariano e o Estado de Direito. Não há catecismo na corte dos Bórgia nem nos Fóruns da Nova Ordem Mundial.

Senso político é como provar vinhos, até há teoria, mas sem a experiência das sensações, não dá. Você até sabe que "tons de carvalho" existem nos vinhos, mas tem de cheirar o tal carvalho para saber. Parodiando o papa Francisco, você tem de "cheirar o lobo". E aprender que quando você descobre o cheiro do lobo debaixo da pele de ovelha, ele passa a usar desodorante e você só o descobre quando ele morder sua bunda. Mas para tudo isso é necessário experiência, é necessária quilometragem, horas de vôo, seja em seminário, seja em universidade, seja em partido, seja em empresa, seja em reunião de condomínio. Onde há gente há política, é "o pecado original" das relações humanas. Não dá para rastrear todos os documentos da Igreja e criar lindos castelos de cartas teóricos sem perceber todas estas esferas. Exemplo prosaico, nem todos os documentos de Leão XIII e Pio X conseguem sequer tocar no simples fato de que o assessor petista da arquidiocese faz censura partidária no que chega até o arcebispo. É tão prosaico e simples, não adianta você escrever páginas e páginas, só vai passar se capitalizar politicamente para o sujeito. Simples assim, o menor dos cortesão de Avignon já sabia disso sem conhecer as artes liberais. E antes deles, o menor dos eunucos da corte de Dario.

O importante é não negar os fatos que quebrem sua ilusão, e saber que você não tem de ter resposta para tudo. Do iceberg de relacionamentos e interesses, conhecemos apenas a pontinha dos fatos que surgem. Mas se a pontinha do gelo surgiu acima da água, cuidado, no mínimo conclua que há gelo, seja prudente para não ser idiota útil.

E idiotas úteis servem apenas para serem usados e jogados fora.


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