A liberdade não é um valor absoluto

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4 Comentários
Bela, mas naturalmente limitada

A liberdade não é um valor absoluto porque ela é assimétrica e não se sustenta sem limites.

A falta de liberdade é um problema, mas o excesso de liberdade dá liberdade para a extinção da própria liberdade. Sempre usando da liberdade alguém pregará idéias que destruirão a liberdade. Sempre usando da liberdade alguém ascenderá de tal forma que impedirá o exercício da liberdade dos outros.

Assim como um peixe se envenena nas próprias fezes de seu aquário, assim a liberdade mata a si mesma. É por isso que não devemos, em nome da liberdade, tolerar com que tirem ou defendam aquilo que retira a nossa liberdade. Isso não é estranho ao Ocidente, já que limitar direitos pelo bem de todos é próprio das leis.
Uma das características das virtudes, como bens espirituais, é que elas podem ser acrescidas sem nenhum problema colateral. Ninguém é prejudicado por ganhar mais caridade, por mais prudência, por mais esperança, por mais fortaleza. Mas a liberdade, sendo um bem, e não uma virtude, torna-se malefício se excessiva. Neste mundo, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose.

É por isso que a liberdade não deve ser um valor absoluto, e sim estar subordinada às virtudes. Assim ensinaram os grandes filósofos e santos na aurora da nossa civilização. Foi como disse São Paulo: "Tudo posso, mas nem tudo me convém"


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4 comentários:

  1. Ótimo texto, frei. Resumiu, em poucas palavras, a problemática da liberdade.

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  2. Minha preferencia:

    “A falta de liberdade é um problema, mas o excesso de liberdade dá liberdade para a extinção da própria liberdade. Sempre usando da liberdade alguém pregará idéias que destruirão a liberdade. Sempre usando da liberdade alguém ascenderá de tal forma que impedirá o exercício da liberdade dos outros” Frei Rojão.

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  3. Mas, frei, não ensina o filósofo que a "virtude está no meio"? Como conciliar isso com "Uma das características das virtudes, como bens espirituais, é que elas podem ser acrescidas sem nenhum problema colateral."? Seriam virtudes diferentes, já que o senhor cita virtudes cardeais e teologais, e o filósofo fala num sentido mais abrangente?

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    1. Temos de entender o contexto. Se Aristóteles disse "o meio é melhor", tratava de coisas humanas. Na verdade, esta expressão "virtude no meio" não é virtude no sentido de virtude cristã, a predisposição estável ao bem, mas no sentido de coisa boa, prudente. Aliás, virtus in medio é a expressão da virtude da temperança.

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