Liberalismo qual, cára-pálida?

/
2 Comentários


A linguagem muda, e com ela afeta a compreensão da doutrina que vai expressa nela.

O termo "liberalismo" das encíclicas papais do séc XIX e início do séc XX é DIFERENTE do termo "liberalismo" que ouvimos no debate político hoje em dia. Então, liberalismo qual, cára-pálida? Meia dúzia de coisas diferentes já vieram sob a capa de liberdade, até seu inverso, e meia-dúzia ao quadrado sob "liberal-ismo".

Isso não deve admirar a ninguém. Citando exemplos do prosaico ao sublime: 

Se até os palavrões mudam de sentido! Quando o Bocage, no século XVIII falava, por exemplo, "C*" era aos glúteos que ele se referia, não ao sentido moderno. Você poderia tomar "um chute no c*" setecentista que seria apenas caso de agressão antiga, um não estupro moderno. Sim, VTNC podia ser um tapa no traseiro bocageano.

De maneira análoga o respeitoso Vossa Mercê virou o nada formal "Você". Todo Você é um Vossa Mercê que perdeu o respeito. 

Da mesma maneira a tradução da expressão "irmãos de Jesus" que no passado se referia também a primos ou a sobrinhos, e hoje em dia é estritamente a irmãos filhos de um mesmo pais ou mãe. Da mesma maneira "social" hoje em dia se refere mais a socialismo que sociedade. 

São Jerônimo não se pegou com os rabinos - NO SÉCULO IV - por traduzir do hebraico "virgem conceberá"? Os rabinhos diziam que era apenas "mulher recém-casada" que concebia nas núpcias, e Jerônimo alertava que era virgem no sentido arcaico de quem permanece virgem mesmo concebendo, sentido que foi usado por Isaías.

Aristóteles, citado por São Tomás de Aquino no início do Ente e a Essência, dizia que um pequeno erro das definições no início podia gerar um grande desvio no final. Eis o problema do copiar/colar textos antigos e sair por ai pontificando. Vira uma confusão tremenda. Ainda mais para o brasileiro que tem esta mania de tomar partido com menos de dois segundos de reflexão e meia-linha de estudo do tema. "Ah, a Igreja é contra/a favor/Indiferente/conivente/Inquisição"

Nosso Senhor disse não se põe vinho novo em odres velhos. no inverso, também não se pressupõe sentidos antigos indiscriminadamente em palavras modernas.


Você também pode gostar

2 comentários:

  1. Discordo,o liberalismo continua sendo o mesmo,só que liberalismo como comunismo costuma se vestir de varias roupagens mas no fundo é o de sempre:uma ideologia antirreligiosa,sem qualquer vinculo com a realidade e perigosa.E os liberais tem muito culpa pelo que ocorre no Brasil e no mundo,pois foram eles que destruíram a sociedade tradicional e abriram espaço para a Revolução

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Você adote o sentido que você quiser. Isso não altera que há mil sentidos diferentes para a palavra e mil compreensões diferentes. Não adianta o que a gente acha que é, e sim como as coisas são e como as pessoas as entendem. Você fala de Revolução Francesa, mas 99% dos brasileiros compreendem liberalismo como apenas "privatizar a Petrobrás" (o que, en passant, seria muito bom)

      Excluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.