Ao Mestre com carinho... e lealdade intelectual.

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É evidente que ninguém concorda 100% com outra pessoa. Mas, quando temos algum professor, algum mestre do qual aprendemos muito, a gratidão pede que não fiquemos mesquinhamente apontando qualquer coisinha que discordamos nele.

Isso quem nos ensina foi Aristóteles. É evidente que ele dicordava de Platão, seu professor. Isso se pega na sua filosofia. Mas nunca deixava claro isso nominalmente acusando Platão de ser errado. Muito pelo contrário, ele apenas elogiava Platão em sua gratidão, sem Platão não haveria Aristóteles para discordar de Platão. Foi como Sócrates disse, pela boca de Platão, que não tinha dinheiro para pagar a quem o ensinava, então pagava elogiando. Vejam que Aristóteles recebeu muito bem este ensinamento e o seguiu. De maneira análoga nunca vemos Agostinho fazendo nenhum reparo a Ambrósio, nem Tomás a Alberto Magno. É lógico que eles deveriam ter. Vejam novamente Agostinho, ele escreveu elogios mais rasgados ainda a Platão que Aristóteles. Teve de lembrar que Platão, infelizmente, vivia sob o politeísmo e ele mesmo, apesar de ter se aproximado tanto da verdade, não conseguiu superar este degrau. Isso em nada reduziu o elogio formidável de Agostinho a Platão. Também lembrando um exemplo recente, uma vez o papa Pio IX teve de dar um ensinamento que no final saia como uma divergência a uma opinião de São Tomás. Tamanha era a gratidão do pontífice a Tomás que ele não ia dizer "Ah, mas São Tomás neste ponto errou"... É óbvio que uma hora os mestres humanos erram, são homens, não anjos. É óbvio que o discípulo, por ter decolado nos ombros do mestre, consegue voar mais alto e enxergar mais longe que ele.     

O próprio Jesus Nosso Senhor disse que o discípulo não é maior que o mestre. Vendo a maldade e vaidade humana, ele fez questão de incutir nos cristãos essa humildade intelectual. E também lembrar que ele mesmo, sendo Deus, era o limite do ensinamento. 

É ÓBVIO que há grandes sacerdotes dos quais divirjo num ou noutro ponto acessório. Mas não vou ficar "Fulano disse, eu porém vos digo...". Ora, a divergência fica patente para qualquer bom entendedor. Todo texto, de todo mundo, se baseia em "A não é B, na verdade é C". Não preciso dizer "A não é B, COMO DISSE FULANO, na verdade é C" se Fulano foi meu professor e tenho uma incomensurável dívida de gratidão com ele. Ai que entendemos a alegoria dos filhos de Noé, se o pai foi pego bêbado e nú, cubram suas vergonhas sem o expor publicamente.

Hoje em dia, os brasileiros tem seu cacoete mental de para tentar provar independência ficar elencando no que divergem de seus mestres. Ao Mestre com carinho. Prefiro dverger em público de meus antagonistas, tem campo o suficiente para escrever até o resto da vida.

Aprendeu com alguém? Ótimo, seja grato e prudente.  Ao Mestre com carinho... e lealdade intelectual.


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