A receita de um verdadeiro escritor católico

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2 Comentários


Antes de ser um bom apologeta ou analista, você tem de ser bom escritor, e antes de ser bom escritor, ser um ser humano sincero e autêntico para com Deus e com seus leitores.

As pessoas que querem ortodoxia vão ler logo o Catecismo. As pessoas que querem inspiração vão ler logo a Bíblia. As pessoas que querem repetição textual do Magistério vão no site do Vaticano. Você tem de conquistar leitores com inteligência e estilo. E você só obtém eles através da Alta Cultura.

É através da Alta Cultura que você vai dialogar com os grandes da História e da Igreja em sua conversa milenar, a opinião dos sábios, a que realmente interessa abaixo da opinião de Deus. É através dela que você vai aprender as técnicas estilísticas, as imagens, as sacadas, o uso do humor. Primeiro vem a retórica, depois a filosofia. E por baixo delas, a sinceridade, que é "sine qua non". Sem a sinceridade, a filha mais velha da humildade, é impossível agradar a Deus

Não adianta vasculhar textos obscuros de papas passados ou disparar anátemas e ordens apologéticas e depois reclamar que ninguém te lê e que você é a última bolacha do pacote dos defensores do papa, da fé, da Igreja, da Vida, do Universo e Tudo o Mais quarenta e duas vezes. Você não está sendo verdadeiro. Está apenas fazendo uma caricatura, está se mostrando para ser aceito num grupo, no grupo dos "bons católicos". Ninguém quer saber como você é bom e leal, nem seu confessor, nem Deus: O confessor porque tem de trabalhar os pecados no sacramento, e Deus porque ele te conhece como você realmente é, não como você se mostra.

Os grandes escritores católicos não batiam no peito jurando amor e lealdade indiscriminadamente à hierarquia (até porque os maus pastores entre os bons merecem pontapés, não juras de amor).  Eles eram autênticos, eles eram estudados, eles eram cultos. A lealdade neles é tão implícita e auto-evidente quanto a farinha num pão. Eram grandes esponjas que absorviam o melhor que havia na cultura católica e despejavam, ao seu modo, com seu estilo, em sua sinceridade, a seus leitores. Esta é a forma dos Chestertons, dos Tolkiens, dos Bloys, dos Kempis, dos Agostinhos.


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2 comentários:

  1. ou seja, a tradição deve estar em sintonia com o magisterio, que deve estar em sintonia com a biblia, simple assim, isto é, o escritor deve estar em sintonia com estes 3 pontos.

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