Da obediência conveniente

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RComo se pode ensinar por ai um evangelho islamizado de submissão total a algum membro do clero, se mesmo Jesus, na parábola dos pastores e mercenários, previu que muitos mercenários se disfarçariam de pastores? O próprio Jesus disse que as ovelhas ouviriam a sua voz, ou seja, saberiam reconhecer quando o ensinamento vinha dele ou dos mercenários. São Paulo, na mesma linha, ensinou que mesmo se um anjo do céu - veja bem, um anjo do céu! - ensinasse algo diferente da doutrina dos apóstolos, que fosse anátema, isto é, o velho termo do Antigo Testamento de algo destinado à destruição, ou seja, ao interdito, à proibição. A Igreja veio sobrevivendo às grandes heresias e cismas justamente porque não se segue uma obediência bovina aos homens, mas sim a Deus, o senso da fé dos fiéis reconhece quando se ensina algo diferente, algo em contradição com o ensinamento de papas e doutores anteriores. Hereges, apóstatas e cismáticos houve as pencas na História. No mínimo, a prudência recomenda que diante das polêmicas não se saia por ai enfiando o dedo na cara dos perplexos e chamando aos outros de falsos católicos quando apontam contradições, nem exigindo submissão islâmica a este ou aquele clérigo, especialmente quando o tema é mais de política que de doutrina mesmo. Ah, e a História mostra como nosso clero já se enganou em matéria política! Quanto dano isso deu à Igreja! Faz parte. Jesus prometeu invencibilidade à Igreja como um todo, não uma vida de glórias e sem cruzes. Jesus rezou pela unidade porque sabia como ela era difícil, verdadeiramente um milagre do Espírito Santo.

Além do mais é sempre uma obediência seletiva de que os poderosos do mundo pedem. Os poderosos pedem obediência total quando ela ajuda ao seu projeto de poder, mas quando é sobre a questão gravíssima da formação das famílias, ou do interdito ao aborto, ai o clero é retrógado, medieval, e sempre suspeito de pedofilia.

Por fim, o próprio São Paulo criticou a divisão de fiéis por conta de lideranças da Igreja, uns se dizendo de Paulo, outros de Pedro, outros de Apolo (o missionário). Somos católicos, nossa luta é pela ortodoxia, o mesmo ensinamento. Ou seja, não queiram se dizer os campeões de Pedro para deprimir aos que discutem o que disse Paulo ou Apolo. Até porque uma vez nos tempos apostólicos Paulo precisou dar uns puxões de orelha em Pedro.


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