A tal conversão do Átila da América Latina

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Quando os papas eram Magnos, os ditadores saiam com rabo entre as pernas
Gente, não confundam: Quando o papa, como chefe da Igreja e do Estado do Vaticano, encontra-se com um líder da terra, isto é apenas um evento político, não é tema de "fé e moral". Como evento político, é julgado pelos seus efeitos na balança de poder político. As vezes um ganha, outro perde. As vezes um ganha muito e outro ganha muito pouco. E a longo e curto prazo tudo isto muda. Sendo assim, você pode perfeitamente tecer a sua análise pessoal deste xadrez.

Isso não é novo. Quando São Leão Magno encontrou-se com Átila, para que com súplicas e subornos ele não saqueasse Roma, isso também foi um evento político. Que eu saiba, a discussão foi quantos quilos de ouro Átila queria para deixar a cidade em paz, não sobre a natureza de Cristo. É certo que havia os interesses da Igreja (salvar a cidade com a Santa Sé e os romanos) e os interesses de Átila (roubar o máximo possível). Isso é política, deve ser discutido pelos seus resultados, no caso, a vitória POLÍTICA de Leão Magno que salvou a cidade. Se é correta a lenda de que São Pedro surgiu para ameaçar Átila, foi uma derrota dele. Se ele conseguiu seu ouro, foi uma vitória dele, que não precisou gastar seus homens saqueando a cidade. Dois mil anos depois, podemos dizer que perdeu Átila o prestígio de saquear a outrora toda-poderosa Roma, glória que ficou com Alarico dos visigodos e Genserico dos vândalos. E podemos dizer, sem dúvida, que em vida Leão foi o grande vencedor, tendo se prestigiado muito mais, porque virou o real defensor da cidade, não o covarde imperador acastelado em Ravenna. Vejam com muita atenção: os efeitos, ainda que tenham implicação moral, são estritamente geopolíticos.

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Releiam atentamente o episódio da conversão de Zaqueu (Lc 19). Observem a prudência do Salvador. Ele falou muito e ouviu, mas Cristo APENAS disse que Zaqueu havia se salvado quando ele se dispôs a desfazer o mal que havia feito. Ou seja, Cristo, prudentíssimo, conhecendo a maldade humana, queria ver as obras de conversão, não palavras bonitas para ficar bem na fita.

Neste mundo da política, tudo é imagem, tudo é efeito, tudo é faturar. Só acreditarei na boa vontade dos homicidas Castro quando ver as cadeias cubanas sendo abertas, até lá não dou um pingo de créditos a estes bandidos que até ao Brasil escravizam e sugam. E mesmo se forem abertas, ainda temos de ficar espertos, Kruschev libertou vários prisioneiros do Gulag stalinista mas o regime prosseguiu em versão moderada para propaganda, e prosseguiu o Gulag também.

A verdade política inarredável é que um ditador sanguinário saiu de Roma com fama de bom, de moderado, quase "de catecúmeno", efeitos publicitários cuidadosamente previstos pelos comunistas, e tem gente - em juízo temerário - até dizendo que ele se converteu. Raul Castro faturou politicamente ao se encontrar com o papa e foi vitorioso, para perigo do Brasil e de toda América Latina. Isso é fato. Raul Castro saiu maior do que entrou. 

Pelo menos Átila continuou sendo "o flagelo de Deus" ao negociar com o papa Leão Magno. Nem o mais tolo dos romanos achou que Átila se converteria. Talvez no século XXI tenhamos realmente emburrecido em relação ao século IV...


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