Pessoas públicas podem receber críticas públicas por seus atos públicos

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Mira bem, Reverendíssima!


Pessoas públicas podem receber críticas públicas por seus atos públicos. Pessoas em cargos de liderança SÃO públicas. Seja na Igreja, seja no governo.

Tanto a Lei dos Homens (CF Art 5 VI) como a Lei de Deus (CDC Art 202 &2 e &3) permitem. Digo mais, a lei Moral o ordena. "Se eles não falarem, as pedras gritarão"

Se ficássemos com estas firulinhas pouco masculinas de "Não julgue em público" os grandes tratados de apologética que invariavelmente eram intitulados "Contra Sicranismo" ou "Contra Fulano" nunca existiriam.

As mocinhas disfarçadas de ortodoxia (na verdade um quietismo omisso que favorece o herético) ficariam: Ai, quem é Agostinho de Hipona para julgar publicamente Pelágio?! Quem é Agostinho para julgar publicamente o bispo Fausto, dos maniqueístas? Quem é este Atanásio para julgar Ário, Grande Patriarca de Constantinopla, ele está semeando a divisão no clero! Quem é esse tal Irineu de Lyon para escrever assim? E este tal Jerônimo? E esse Justino! E Orígenes!! E Cipriano! Todos eles não tem caridade, ai, ui, ai, ui... E Tomás de Aquino então? A Súmula contra os Gentios hoje em dia mereceria uma reprovação eclesiástica por afetar o Diálogo Inter-Religioso!

Ora, já vi irmãs clarissas e carmelitas com mais culhões que estas turmas ai de católicos jujubas...

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"Examinai tudo e ficai com o que é bom" 1Ts 5,21, disse o Grande São Paulo, o Apóstolo das Nações. E eu garanto que como fariseu judeu, cidadão romano e pregador entre os gregos Paulo examinou muitas coisas diferentes em vida.
Ora, hoje em dia ouço em tom de suspeita meio sorumbático: "Cuidado com tal autor. Ele tem influência do xxx_ísmo". Ó. Parece o segredo do sétimo selo. Parece uma lepra ou doença contagiosa que você abrir o livro do Fulano vai pegar. Ui!

Todo mundo é influenciado por todo mundo. Mas é a nossa consciência que julga. Você só se deixa desviar se quiser. A sã doutrina não é um equilíbrio instável que qualquer ventinho te derruba, não.

Mesmo os autores da Igreja foram influenciados por diversas filosofias e até mesmo heresias que em si não eram católicas nem cristãs, mas souberam peneirar e ficar com o que é bom.

Veja o exemplo de um bispo que pertenceu á seita dos maniqueus por quarenta anos! Quarenta anos! Que influência, né? Parabéns, você acabou de condenar a Santo Agostinho. Óbvio que Agostinho é ortodoxíssimo, ele mesmo rejeitou o maniqueísmo.

E São Tomás de Aquino, hein? Vamos jogar ele no lixo, porque além de universitário, ele era influenciado por UM PAGÃO (Aristóteles) TRADUZIDO POR UM MUÇULMANO (Averróis). Ah, hoje em dia falariam: "Cuidado com esse professor Tomás... ele tem influência pagã peripatética e muçulmana". Ah, vão dormir, né?

E Tertuliano? É verdade que no fim da vida Tertuliano aproximou-se e se deixou influenciar pela heresia do montanismo, isso custou que não o chamemos de "São" Tertuliano hoje. Mas os textos de Tertuliano em sua época firmemente católica são brilhantes de ortodoxia. E aqui entre nós, mesmo os textos da fase montanista dele são melhores e mais edificantes que 90% da literatura católica moderna a venda na Paulus e na Vozes.

Não se preocupe nem fique com paranóia de "influências". Nós não somos tão plásticos assim. Eu garanto para vocês, um capítulo de Babilônia na Globo ameaça mais sua santidade pessoal que ler toda a literatura de um século de heresia.

São Paulo deu a regra e o compasso: "Examinai tudo e ficai com o que é bom" e não virou herege, muito pelo contrário.

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O bispo Fausto era herege da seita dos maniqueístas, uma heresia bem louca até para os flexíveis padrões atuais.

Perguntem se Santo Agostinho em suas Confissões ficou com pudor de "julgar Fausto em público" ou "tratar um bispo da Igreja com dureza"???

Agostinho mandou a real sobre Fausto. E "As Confissões" hoje são um dos maiores e mais reproduzidos livros da cristandade. Talvez seja por isso que Agostinho seja conhecido como "Santo Agostinho" hoje, enquanto nós... pfff,coitados de nós... temos de relembrar o óbvio o tempo todo para católicos...

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Correção fraterna, o nome já diz, se dá entre frates, irmãos. A correção fraterna você pode fazer no seu círculo pessoal de amizades. É pessoal. E frequentemente o tema dela é algo pessoal, o que é correto não expor. E mesmo assim há que se pesar muito. Já vi amizades desfeitas porque um tentou uma correção fraterna nem sempre fraterna que o corrigido não aceitou a cominação de erro e ambos discutiram feio. Até porque quem quer dar a correção fraterna acaba não sendo nada fraterno também. É um saco de gatos. Correção fraterna é como colocar a mão na boca de um cachorro comendo, só faça se tiver muita, mas muita, muita, muita, confiança mútua, coisa rara hoje em dia.

Agora, suponha que um bispo da Igreja diga que Jesus não é Deus numa entrevista. Eu vou até ele o puxar para o canto e dizer "Irmãozinho, não faça isso?". É impraticável, né? Primeiro que a arrogância dele não vai deixá-lo me ouvir. Segundo porque eu deveria passar minha vida inteira viajando. Terceiro porque bispos sabem bem o que falam.

E as almas que podem ser perdidas com o ensinamento errado? Você tem de contestar em público até como um antídoto em público do veneno do erro. quando Pedro, diante dos doze, falava bobagem, Jesus não puxava ele para o canto e ficava de nhém-nhém-nhém, não, ele sentava a pua na frente de todos, porque se alguém ali fosse no erro de Pedro também seria corrigido por tabela.
Pessoas públicas, falando em público, merecem ser contestadas publicamente, e em termos duros se elas tem cargos de autoridade.

Falar o contrário é tolerar com o erro, com a heresia e apostasia.

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No século XII quando o clero se perdia em prebendas, sinecuras e dotações, Deus suscitou diversos leigos, dentre eles o genial Francisco de Assis para trazer de volta o exemplo da simplicidade e pobreza na vida eclesiástica. Mais tarde quando a chama da evangelização esfriava, suscitou o leigo Inácio de Loyola para inflamar a Igreja novamente a ir por mares e terras pregar. Mais tarde ainda, quando a devoção ao Santo Rosário era esquecida, suscitou o leigo Bártolo Longo para fazê-lo renascer em bençãos. Os exemplos são diversos nestes vinte séculos, é impossível citar a todos.

Deus pede agora que os leigos do Brasil tragam seus bispos de volta, sequestrados pela esquerdopatia e terceirizados pelo PT.


Se o mercenário viesse vestido de mercenário tudo seria mais fácil.
O problema é que ele vem vestido de pastor mesmo...


Os bons bispos e cardeais que pastoreiam suas ovelhas e cuidam da doutrina da Igreja, estes eu beijo as mãos devotamente como fiel e batizado. A estes poucos macabeus, todo meu respeito, toda minha devoção, toda minha obediência. Contem conosco. Aos pastores, não aos mercenários,



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Um comentário:

  1. Este é seu melhor texto, entre os que li.
    Simples, didático, com conteúdo, fé e ensinamento. Além de ser bem escrito que não nos deixa largá-lo antes o ponto final.

    ICXC NIKA

    Grande abraço,
    Pedro Erik

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