Os excluídos da Campanha da Fraternidade

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4 Comentários

Pela leitora TC - Não são raros os discursos da CNBB a respeito do pobre, do excluído, do marginalizado. Estão presentes em toda parte: nas homilias, nos textos oficiais, nas campanhas... Isso tudo parece muito bonito se não fosse pelo fato de que tudo é feito de tal forma que acaba por excluir ainda mais o pobre. Sim, aquele de quem tanto se fala.

Permita-me explicar: nessa última sexta-feira acompanhei uma Via Sacra pública em uma cidade do interior. Para a realização da mesma o pároco adotou a Via Sacra da Campanha da Fraternidade, comecei a observar o comportamento dos fiéis e percebi que a maioria deles, pessoas simples, só participava de fato quando se recitava as orações tradicionais.  Quando o padre rezava: “Nós vos adoramos, Senhor Jesus, e vos bendizemos”, prontamente o povo respondia: “Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo”.

No resto, a impressão que tive é que as pessoas estavam apenas deixando o tempo passar até que o padre cantasse “Pela Virgem dolorosa”, enquanto isso o que se ouvia eram poucas vozes de leitores recitando grandes textos, que com muita dificuldade podiam ser acompanhados por quem não tinha o livreto da Via Sacra.

Agora eu pergunto: Quem tem dificuldade de comprar todos os anos livretos que serão usados uma ou duas vezes? Quem muitas vezes não tem leitura suficiente para acompanhar textos longos ou até mesmo não sabe ler?  Quem tem maior dificuldade de aprender músicas que serão ouvidas cinco ou seis vezes e depois abandonadas?  Não, não são os ricos, letrados e abastados. É justamente aquele de quem tanto fala os textos mal acompanhados.

A Igreja durante dois mil anos de sabedoria aprendeu que para criar uma relação entre o rito e o povo é necessária a repetição, não para favorecer os intelectuais ávidos por novidades, mas para permitir que até os mais pobres consigam aprender e acompanhar as celebrações sem se sentirem excluídos por não terem um livro ou não saber ler.  Não é a toa que depois que a igreja do Brasil fez a opção preferencial pelo pobre, o pobre tem feito cada vez mais opção preferencial pelas seitas.


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4 comentários:

  1. Salve Maria Frei!

    Ultimamente tem feito artigos brilhantes, apenas isso, sem mais...

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  2. eu fiz uma via sacra
    com material da CNBB
    repete-se uma quatro vezes que devemos trazer justiça e igualdade para esse mundo
    como sinal daquele que está por vir

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Frequento um convento franciscano em minha cidade que possui uma simpática urna para doações, cuja renda vai diretamente para o trabalho que se faz junto às famílias carentes cadastradas lá. Prefiro abastecer a caixinha do convento do que a conta da CNB do B....

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