O que é o Domingo da Misericórdia

/
1 Comentários
Frei Prudente Matamoros - Como vocês sabem ontem foi o domingo da misericórdia. Não sabem?! Pois é... Foi!

Assim como no santo Tríduo Pascal podemos ganhar para nós ou para os defuntos o dom da Indulgência Plenária realizando algumas obras estabelecidas pela Igreja e atendendo as habituais condições (Confissão sacramental, Comunhão eucarística e orações segundo a intenção do Sumo Pontífice), também o Papa São João Paulo II, seguindo as indicações de Jesus a Santa Faustina, além de instituir a Festa da Divina Misericórdia no primeiro domingo após o da Páscoa, ainda concedeu indulgência plenária aos fiéis que neste domingo em qualquer igreja ou oratório, com o espírito desapegado completamente da afeição a qualquer pecado, também venial, participe nas práticas de piedade em honra da Divina Misericórdia, ou pelo menos recite, na presença do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, publicamente exposto ou guardado no Tabernáculo, o Pai-Nosso e o Credo, juntamente com uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso (por ex., "Ó Jesus Misericordioso, confio em Ti").
Mas, o que seria indulgências? Isso ainda existe, pode se perguntar imaginando ser coisa da Idade média.
Ora, a indulgência é tesouro valiosíssimo de nossa Igreja, e para entender isso temos que ter em mente que o pecado tem uma dupla consequência: ele nos afasta de Deus (pena eterna) mas ele também nos imprime um apego desordenado às criaturas (pena temporal), por isso quando nos confessamos além de termos nosso pecado perdoado recebemos uma penitência que nos ajudará e nos livrar dessa pena temporal. Assim, se alguém morre sem livrar desse apego ao pecado, mesmo já tendo sido perdoado pelo seu pecado, precisará ser purgado desse sentimento, até porque seria um inferno ficar no paraíso e com desejo de pecar, esse tempo de purgação chamamos de purgatório.
Com esse entendimento, precisamos entender também que a Igreja somos todos nós (não cada um de nós, todos nós) batizados, vivos e defuntos, na terra, no céu ou no purgatório, de hoje e de ontem, e toda obra que fazemos serve para a Igreja, misteriosamente, nossas obras servem para todos os membros, e para edificação ou degradação da Igreja, ou seja, a penitência que eu faço pode afetar outras pessoas que não fazem penitência, que a oração que eu faço pode afetar outras pessoas que não fazem oração, Nossa Senhora de Fátima pediu isso aos três pastorinhos, que eles se oferecessem pelos pecados, que fizessem penitência pela salvação da alma dos pecadores, como é isso possível? Só é possível se nós cremos que existe uma realidade de comunhão, "vasos intercomunicantes" na Igreja onde não é somente os pecados dos outros que me afeta, mas também as coisas boas e bonitas que eu faço que vão afetando os outros, e transformando os outros em pessoas melhores, isso é a Comunhão dos Santos.
E assim, a Igreja administra as indulgências, no passado, primeiro você fazia a penitência imposta pelo Bispo e só depois era absolvido do pecado, muitas vezes os cristãos em via de serem martirizados negavam a Cristo para não serem mortos, ao voltarem à seus Bispos e confessarem isso recebiam duras penitências, pesadíssimas, que tinham que cumprir para terem seus pecados perdoados, isso foi tocando outros cristãos que se fariam mártires e estando na mesma cela daquele que sabia iria negar Cristo deixava uma carta pedindo ao Bispo dizendo que a sua penitência (seu martírio) servisse para reduzir à daquele que fugiria, isto era indulgência, ou seja, a aplicação dos méritos desses Santos mártires, o méritos desses membros da Igreja maravilhosos, para ajudar esses outros membros da Igreja "menos maravilhosos", esses outros membros da Igreja pecadores, que precisariam fazer tantos e tantos anos de penitência para se livrar das consequências do seu pecado.
Veja, está tudo conectado, a penitência ela está ligada com a indulgência, e para entender a indulgência eu tenho que entender a comunhão dos Santos, e pra entender a comunhão dos Santos eu tenho que entender que existe pena temporal e que existe purgatório.
A Igreja distribui as indulgências, esta graça, da penitência, dos méritos, das coisas boas e bonitas que os seus membros Santos realizaram, vamos recordar que a Igreja é um só corpo, então imagine quantos méritos e quantas maravilhas já foram adquiridos por Jesus que morreu na cruz evidente, pela Virgem Maria, que nunca pecou, pelos Santos, que morreram de forma heroica, pois bem, esse é um tesouro espiritual da Igreja, e esse tesouro espiritual é aplicado a você através da indulgência, mas ou menos essa é a ideia, ou seja, com a confissão você recebe a absolvição de seus pecados e ali foi perdoada a pena eterna, o inferno, você morrendo não vai para o inferno, mas não foi perdoada a pena temporal, isso quer dizer que se você morrer nesses estado você não vai para o inferno, mas também vai ficar um tempo no purgatório até que você resolva o problema da pena temporal, resolva o problema dessa maldade que você criou no seu coração através do seu pecado, porque você não pode entrar com um coração desses no céu.
Aí está, parece uma grande confusão mas é uma coisa muito simples, o simples é o seguinte, Deus é bom e misericordioso você não precisa pagar por nada, só que o seu pecado, que você não precisa pagar, deixou consequências no seu coração, você precisa fazer penitência, mas você não está sozinho, a Igreja está com você, somos um só corpo, fazemos penitência juntos, então a indulgência passa para você, isto significa que nós também podemos ajudar as pessoas que estão lá no purgatório, as indulgência servem também para eles, ou seja, aquilo que eu faço aqui, eu posso ajudar essas pessoas porque nós somos um só corpo, eles não pagaram aqui na terra o que precisavam pagar da pena temporal? Eu posso ir pagando para eles, e a Igreja pode me ajudar com as indulgências para que eles possam receber muito mais do que aquilo que eu fiz com as minha sobras indulgenciadas, por exemplo:
No domingo da misericórdia se eu faço alguma prática de piedade em honra da Divina Misericórdia, ou pelo menos recite, na presença do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, publicamente exposto ou guardado no Tabernáculo, o Pai-Nosso e o Credo, juntamente com uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso, então a Igreja diz que essa sua ação aplica a mim e àquelas pessoas que estão no purgatório uma indulgência plenária, ou seja, elas seria libertadas do purgatório, se eu obtiver essa indulgência.


Você também pode gostar

Um comentário:

  1. Frei seus últimos escritos estão fora de série! Sensacionais!

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.