A dura vida de um papa humilde

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O papa Francisco é um homem muito humilde, o mais humilde que já existiu. Todos nós sabemos como ele odeia falatórios, é um homem de silêncio e prudência no falar. Todos nós sabemos como ele odeia multidões e a louvação do público, como ele abomina os repórteres, como proíbe que se fale bem dele, como detesta aparecer nos jornais e nas capas de revista, como segue rigidamente os costumes de seus antecessores no Vaticano para que não falem que ele é diferente ou melhor que eles. Todos nós sabemos que a maneira mais rápida de ofender o papa Francisco é o bajulando.

Imagino como deve ter sido para ele, que odeia aparecer e odeia que falem bem dele, ter sido obrigado, forçado, impelido, compelido, a fazer o tal milagre do sangue de São Januário em suas mãos. Certamente que foi! Porque ele não buscaria a vaidade, mãe de todos os vícios, de querer fazer um milagre com as próprias mãos! Não, não Francisco! Quem sabe um dos papas venais do passado, mas não nosso papa Francisco, homem humilíssimo, de vida oculta, recluso em suas dores e penitência.

Imagina, todos agora falando que o tal milagre - se milagre é mesmo, porque várias substâncias na natureza apresentam aquela característica natural de se liquefazerem com o movimento, a tixotropia - é um milagre feito por suas mãos! Como ele deve estar detestando! Como ele deve estar lamentando que o mundo o louve! Como ele deve estar aplicando a si as mais terríveis penitências para não deixar crescer a vaidade, vício que ele considera abominável acima de todos e se policia ao máximo para não cair nela. Como ele deve estar se torturando em sua humildade dizendo: "Não é meu o milagre, é de Deus, eu sou um homem indigno de qualquer deferência especial!!! Não falem bem de mim! Não coloquem meu rosto nas revistas! Não mostrem nos telejornais! Eu não mereço, eu sou indigno, o mais indigno dos pontífices!"

Eu não gostaria de estar na pele do simples papa Francisco agora. Ele deve estar detestando toda a atenção que obteve. Pobre homem. Dura é a vida de um santo vivo.




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