O papa era as Nações Unidas

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Para entender a situação do papado na Idade Média, compreendam que ele era as "Nações Unidas" da época. Conforme a Antiguidade a a Idade Média Alta passavam, as instituições dos atuais Estados se formavam e os conceitos que mais tarde seriam o nosso "Estado democrático de Direito" lentamente eram teorizados. Muito bem, os medievais concluíram naturalmente que não se podia deixar a formação dos Estados a cargo da violência e da conquista, como foi o caso do Império Romano e dos Reinos Bárbaros após ele. 

 Ora, qual era a cola que os unia? A religião, o cristianismo católico e universal. Portanto os medievais começaram a compreender a formação do Estado como uma delegação divina, mesmo que feita aos seus reis. Um reino até poderia ser conquistadopela força, mas se Deus não chancelasse uma dinastia, eram usurpadores, o povo não tinha obrigação de seguir. Ora, a única instituição neutra e independente entre os reis era o papado (levou muita tinta e muito sangue para se concluir isso, e violava-se a todo momento esta condição). Portanto haver um papado forte que fosse o mediador entre os reis e seus súditos, além do fiador da entronização destes reis, era um avanço incrível na civilização. 

 Claro que esta era uma construção teórica. Na prática, quando convinha, os reis ignoravam os papas, manipulavam os papas, lutavam contra os papas e até mesmo prendiam e torturavam os papas, isso em plena Idade Média em que supostamente nos ensinam nas escolas que a Igreja mandava e desmandava (mentirosa ilusão!). Porque a lógica da Força nas relações internacionais ainda prevalece sob a lógica da mediação. Hoje em dia, quando convém, não se tripudia em cima das Nações Unidas? Não se manipula as Nações Unidas? Não se desobedece as Nações Unidas? 

As lideranças Igreja também não eram neutras, e tomavam partido nas brigas. Assim vemos os papas em conflito com os Imperadores Germânicos, os papas de Avignon em aliança com o rei da França e, em pleno suposto nobre e humanista Renascimento, pontífices por mão militar tomando territórios e derrotando os melhores exércitos de reis. 

Naturalmente conforme a liderança da Igreja assumiu esta obrigação acessória no mundo político da época (não sem gosto, lógico, afinal, a maioria dos papas eram das famílias nobres) também vieram os escândalos. E o prestígio político acabou gerando um certo desprestígio doutrinário, se a Igreja fosse apenas os papas. Felizmente a Igreja é maior que sua liderança terrena, e Deus também mandou dúzias e dúzias de grandes santos que elevaram a vida teológica e monástica/religiosa da Igreja a um desenvolvimento sem precedentes.



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Um comentário:

  1. Com certeza nós tivemos grandes santos em todo período da igreja, inclusive na idade média, isso é maravilhoso, é a maior prova de que Deus está conosco.

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