Da responsabilidade por ser entendido

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O Padre Vieira, no sermão da Sexagésima, fez uma excelente demonstração de como é culpa dos pregadores porque a palavra de Deus não dá fruto nos ouvintes, seja porque falam empolados demais, simplórios demais, ou simplesmente porque não tem santidade de vida. Recomendo veementemente a leitura. 

Qualquer curso de comunicação ensina que é responsabilidade do emissor modular as suas palavras de forma que os ouvintes compreendam corretamente. Ou seja, eu SOU RESPONSÁVEL pelo que falo e EU SOU RESPONSÁVEL POR SER COMPREENDIDO.

Inclusive eu sou responsável por não dar brecha para que minhas palavras sejam mau compreendidas. Especialmente com a Imprensa, que não será amiga. E é bom que ela não seja mesmo. O nome disso é "media training". Falar com a imprensa é como andar em ovos por cima de um rio de lava. E por isso que eu fujo de repórteres. Mas eu sou um zé ruela, se eu falar bobagem, quem se importa? Porém quando você começa a ser mais importante, deve ser tomado mais cuidado. 

Ou seja, nunca ninguém pode te culpar porque "não compreendeu" algo esquisito que alguém falou. A responsabilidade pelas palavras são do emissor. Portanto não deixe ninguém te enfiar o dedo na cara com hipocrisia se você se escandaliza com algo que algum prelado fala, que vai contra o ensinamento ou tradição. Você não é obrigado a ser indulgente com titica. Quem fala é responsável por se fazer entender. E quem está mais no alto é mais responsável ainda. "Lose lips sink ships". Lábios soltos afundam barcos, diz o ditado da Marinha americana (quiçá até a barca de Pedro!). Quando você está numa posição de comando, "falar bobagem é mais perigoso que fazer bobagem", muito bem disse o Cardeal Mazarin, primeiro-ministro da França. Acho que na Bíblia um quarto dos textos dos livros sapiençais deve ser mandando tomar cuidado com os males da língua solta. E São Tiago em sua carta martela a mesma tecla. E, meu bom Jesus, como precisamos esmurrar esta tecla!!!!! 

Outra coisa, há uma diferença entre FALAR SIMPLES e FALAR COISAS INFELIZES. Jesus falava simples, Santo Agostinho falava simples, São Francisco falava simples, até mesmo o grande Cícero era simples porque falava ao povo. Mas quem ouvisse estes grandes doutrinadores e oradores reconhecia a profundidade do que eles falavam. Jesus assombrava aos doutores até com cinco anos. Era simples, não era simplório. Você fala coisas profundas e nobres com palavras simples como um magnífico castelo é feito de tijolos de barro, não ouro.

Ou seja, quando você abrir a boca, o que foi dito não volta. Mande a mensagem redonda, PENSE ANTES DE FALAR, saiba o que fala e como fala. Depois não adianta mandar porta-voz consertar o estrago e o escândalo. Nem reclamar em blog que ninguém lê.





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Um comentário:

  1. Concordo com frei Rojão, quando fala da importância em termos cuidado com as palavras, principalmente se o emissor for alguém importante, for uma autoridade por exemplo.

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