Homens tão cheios de contradições como Salomão e Davi...

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Olavo de Carvalho, via facebook - Não tem nada a ver com o assunto, mas quando vão entender que a verdade da vida, a virtude também portanto, não consiste em ser um bloco de coerência e sim em manter as contradições sob controle, como o recém-nascido Mercúrio dominando as duas serpentes? Um exemplo trágico: o grande filósofo Max Scheler não conseguiu trabalhar a contradição interior de ser ao mesmo tempo um católico sincero e um mulherengo incurável. Acobardou-se, abandonando a fé. "Sêde perfeitos como vosso Pai é perfeito", ensinou Jesus. Não faça disso um motivo de tormento: Deus Pai considerou perfeitos homens tão cheios de contradições como Salomão e Davi. Quem cobra coerência em bloco são os hipócritas e maledicentes. Deus se contenta com muito menos. Quando Deus nos manda carregar a nossa cruz, Ele quer dizer arcar com a responsabilidade dos nossos pecados. As criaturinhas perfeitas que atormentam o próximo com exigências de perfeição absoluta já jogaram as suas cruzes fora faz muito tempo. Estão leves como um peido. Sofremos com as contradições interiores que não conseguimos vencer, e é justamente esse fracasso repetido que nos leva a invocar Deus de novo e de novo, até entendermos que é Ele, não nós, quem vai resolver as nossas contradições. Deus tem soluções que a própria solução desconhece. Não se pode pedir um milagre só para tirar uma dúvida, mas pode-se pedir vários quando se precisa deles desesperadamente. Chega um ponto em que você está mais empenhado em invocar Deus do que em resolver as suas miúdas contradições. Então Deus começa a atender ao seu apelo: "Não olheis para os nossos pecados, mas para a fé que anima a Vossa Igreja."


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Um comentário:

  1. Deus não escolhe os capacitados, porém, capacita os escolhidos, daí, além da imprescindível graça de Deus, fazer ou não fazer o bem, converter-se constantemente também depende de nossa boa vontade e perseverança, apesar das recorrentes recaídas, mas sempre dispostos após cada uma delas a recomeçar de novo, sempre na esperança de um dia suplantar um ou mais defeitos que nos açoitam.
    Deus não apreciou o homem que enterrou os talentos, no entanto elogiou aquele que ainda que pouco, produziu algo que o justificou.
    S Paulo explica: "Realmente não consigo entender o que faço: pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto" Rm 7,19.
    É o dualismo do homem devido ao pecado original - à exceção da SS Virgem Mãe Maria - contendo em si o bem e o mal, mais das vezes suplantado pelo mal e incapaz de tentar se reerguer, parecendo ser a atual patologia espiritual que mais ataca os homens, a inercia, a apatia, inversão dos valores e a indiferença consigo e com Deus.

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