São José de Anchieta, rogai por nós e pelo nosso Brasil!!!

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"Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi."
Mateus 28,19-20
Nas adversidades em nossa vida não nos devem alimentar pensamentos de que somos indignos do amor de Deus ou de que Ele nos abandonou, uma vez que mesmo os santos e veneráveis também enfrentaram tribulações e tentações. E finalizamos recomendando a oração e a Eucaristia como poderosos auxílios na travessia das tormentas. Na data de hoje, a Igreja nos fala de um desses veneráveis que nos deixou verdadeiro exemplo de quanto o poder das reflexões espirituais, das orações e da Eucaristia transformam as adversidades em oportunidades para glorificar a Deus: o bem-aventurado Padre José de Anchieta.

Foi extremamente profícua no Brasil a obra missionária deste jesuíta nascido em uma família espanhola a 19 de março de 1534 em São Cristóvão de la Laguna, localizada na ilha Tenerife, arquipélago das Canárias. Foi estudar em Coimbra aos 14 anos, ingressando na Companhia de Jesus 3 anos depois. Nessa época começou a enfrentar uma doença ósteo-articular que o fez temer por seu futuro na Ordem. Apesar da doença, foi excelente aluno e concluiu o noviciado. O mal físico ainda o afligia seriamente quando embarcou para os domínos portugueses no Novo Mundo. A travessia do Atlântico naqueles tempos era penosa, feita sob condições precaríssimas, insalubres, nocivas mesmo a quem gozava de boa saúde. Mas, em vez de se pegar aos riscos, Anchieta via como promissora a oportunidade de respirar os bons ares dos trópicos, tidos como excelentes para a cura de diversas moléstias. Era o mais jovem dos jesuítas que desembarcaram no Brasil em 13 de julho de 1553 na cidade de São Salvador da Bahia de Todos os Santos. Confiou a viagem a Deus e pisou a terra brasileira bastante melhor da doença.
O destino de Anchieta era a Capitania de São Vicente, e a viagem de Salvador até lá foi marcada por um terrível acidente no sul da Bahia, uma das naus espatifou-se ao ser atirada contra os rochedos durante forte tempestade, mas ninguém morreu. A nau em que estava Anchieta ficou presa nos recifes durante toda a noite da tormenta. No dia seguinte, foram à terra procurar alguma comida, encontraram uma aldeia indígena onde uma criança estava doente à beira da morte. Anchieta a batizou e, ao seguir viagem, entendeu que o acidente foi o meio da Providência Divina salvar a pequena índia.
Ide pelo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. E o Senhor coperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam
Marcos 16,15.20
No Planalto de Piratininga, participou da fundação do colégio em torno do qual cresceria a vila que originou a cidade de São Paulo. Suas atividades ali foram intensas. Em 6 meses aprendeu o tupi e em 2 anos escreveu a gramática dessa língua. Com apenas 20 anos de idade, ensinava a língua tupi aos jesuítas, inclusive ao superior da missão, e português aos índios. Como faltavam livros para ensinar, dedicava-se durante a noite à escrita de cartilhas e manuais aos alunos, além de cartas sobre as atividades jesuíticas, tratados sobre fauna, flora e clima da terra e dicionário de tupi. Tornou-se famoso por utilizar com êxito recursos cênicos no ensino da doutrina aos silvícolas, incorporando elementos da cultura indígena, como a luta entre o Bem e o Mal, aos autos medievais que representavam momentos importantes do Cristianismo.
Por sua familiaridade com os índios, foi escolhido para negociar a paz com os índios tamoios que, aliados aos franceses, se insurgiram desde a Baía de Guanabara até a região de Ubatuba contra a colonização portuguesa. Junto com o também jesuíta Manuel da Nóbrega, Anchieta foi até a aldeia tamoio de Ubatuba, na qual em pouco tempo pôde construir um pequeno altar onde Nóbrega celebrava missa diariamente. A curiosidade inicial dos índios pelo ritual e pelos paramentos deu lugar ao interesse pelas pregações em tupi feitas por Anchieta.

Nessa ocasião, Anchieta viveu um momento de provação que para ele foi terrível. Sua devoção ao Santíssimo Sacramento era considerada excepcional, diariamente visitava o Santíssimo e comungava. Quando Nóbrega foi obrigado a deixar a aldeia e voltar a São Vicente, Anchieta ficou sem missa em Ubatuba. Podemos imaginar que deserto foi para um devoto tão fervoroso passar os 5 meses em que esteve isolado na aldeia com o que ele descreveu mais tarde como "fome da Sagrada Eucaristia". Mas essa adversidade não o abateu, dedicou-se às Comunhões Espirituais, passava horas em meditação junto à praia, escrevendo para se fortalecer espiritualmente. E assim registrou nas areias um poema de mais de 5.700 versos em latim que ele compusera à Virgem Maria Mãe de Deus. Acertada a paz, os índios da aldeia lamentaram a partida do "pajé branco que falava com Deus (...) e tratava de suas doenças". Sua familiaridade com as ervas nativas foi também útil ao enfrentar a violenta epidemia de varíola que assolou Piratininga ao regressar de Ubatuba.

Além de São Paulo, também a segunda maior cidade do Brasil teve em sua origem a participação de Anchieta. Ele foi chamado à Baía de Guanabara para ajudar a derrotar a revolta dos tamoios aliados aos franceses, fundaram-se um forte e um povoado que recebeu o nome de São Sebastião do Rio de Janeiro. Durante dois anos, Anchieta viveu entre o Rio de Janeiro e Salvador, incumbido de levar notícias da Guanabara ao governador-geral Mem de Sá. Nesse período, ordenou-se sacerdote em Salvador. Esses deslocamentos poderiam levar Anchieta a esmorecer em sua adoração à Sagrada Eucaristia, principalmente se o trajeto fosse pelo mar, pois eram proibidas as celebrações de missa por conta da instabilidade dos navios. Novamente a dificuldade não o afetou sua adesão à messe do Senhor, Anchieta passou a levar consigo um altar portátil, com o qual descia em cada porto para celebrar missa.
Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo
Atos dos Apóstolos 1,8
Anchieta também participou no Espírito Santo da fundação dos povoados que, consagrados a Nossa Senhora, dariam origem às cidades de Guarapari e Reritiba, hoje chamada de Anchieta, onde passou seus últimos dez anos. Embora tivesse a saúde abalada, ele enfretou quinzenalmente os mais de 100 km que separavam a aldeia de Reritiba da sede da capitania, Vitória, onde os jesuítas tinham um colégio.

Antes de morrer, recebeu os sacramentos, inclusive a Eucaristia, e assim teve uma morte tranquila aos 9 de junho de 1597. Depois de sua morte, conta-se que os índios disputaram com os portugueses a honra de carregar seu corpo de Reritiba até o Colégio de São Tiago em Vitória.

Conta-se que Anchieta também era devoto do Sagrado Coração de Jesus, embora não disseminasse essa devoção junto ao povo, pois àquela época ainda não era aprovada pela Igreja. Suas reflexões resultaram em diversos poemas pios, em honra não apenas a Nossa Senhora, mas também ao Santíssimo Sacramento, a Santa Inês.

Beato José de Anchieta, apóstolo do Brasil, que seja inspiração a todos nós seu exemplo de dedicação, devoção e abraço das dificuldades plenamente confiante no amor divino materializado na Eucaristia, colhendo belos frutos para a maior glória de Deus!


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Um comentário:

  1. A Liberdade e a Democracia atual que tanto exalta a CNBB confere com a mesma do comuno-marxista PT, amigo dos narcotraficantes das FARC, do Maduro, dos muçulmanos que matam cristãos globalmente, a favor das drogas, do aborto, pedofilia, da ideologia do gênero, do gayzismo, do “Marco Civil” da net para intimidar a não se exporem ao público as mazelas do partido, a da compra da imprensa para não denunciar as tramoias do PT, etc.
    Assim, porque estaria aparelhada pelos comunistas, a CNBB apoiaria as mesmas “liberdades e democracias” praticadas pelos verdugos das ditaduras comunistas de Cuba, Coreia do Norte, Vietnã etc., sendo uma das provas dessa associação jamais se insurgir contra qualquer ação desses modelos em relação ao aborto, pedofilia e, no momento no Brasil, querendo impor à força a Ideologia do Gênero etc., mesmo contra a vontade do povo, e a CNBB completamente emudecida, ou seja, estaria de pleno acordo com os “cumpanheros”.
    Aliás, bispos e padres para os comunistas são apenas “agentes de transformação”, cuja função primordial é falsificar o S Evangelho e o transformar em veículo dissimulado de disseminação do socialismo, como a marxista TL.
    Até os protestantes admitem que, abaixo da ABB, a CNBB seria a instituição religiosa mais esquerdista do Brasil e, quem sabe, seria a grande responsável pela manutenção dos comunistas no poder e olhe que conferiria!
    Dedicados à CNBB:
    “Os comunistas, socialistas e niilistas são uma peste mortal que como a serpente se introduzem por entre as articulações mais íntimas da sociedade humana, e a coloca num perigo extremo”. Leão XIII; Quod Apostolici Muneris.
    “Transtorno absoluto de toda a ordem humana” “[…] tampouco desconheceis, Veneráveis Irmãos, que os principais autores desta intriga tão abominável não se propõem outra coisa senão impelir os povos, agitados já por toda classe de ventos de perversidade, ao transtorno absoluto de toda a ordem humana das coisas, e entregá-los aos criminosos sistemas do novo socialismo e comunismo” (Pio IX, Encíclica Noscitis et Nobiscum, 8 de dezembro de 1849 – Colección Completa de Encíclicas Pontifícias”, Editorial Poblet, Buenos Aires, pág. 121).
    “Lembremos que o ateísmo e a negação da pessoa humana, de sua liberdade e de seus direitos encontram-se no centro da concepção marxista. Esta contém de fato erros que ameaçam diretamente as verdades de fé sobre o destino eterno das pessoas.” (Libertatis Nuntius; Instruções sobre alguns aspectos da Teologia da Libertação. Congregação para a Doutrina da Fé. 6 de agosto de 1984. Cap. VII nº 10; Cardeal Joseph Ratzinger e Arc. Alberto Bovone).
    São José de Anchieta, inspirai nossos evangelizadores, especialmente sacerdotes a o imitarem, saírem da inercia e de associação aos inimigos de Cristo-Igreja!

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