A Unção dos Enfermos de Doutrina

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Dá-me desespero quando vejo quão indiscriminadamente o termo "unção" têm sido usado por influência neopentecostal na Igreja. Unção tem virado uma figura de linguagem para benção/bondade, então é unção para lá e para cá. Pelo que me consta, unção, ie, passar óleo, só mesmo nos sacramentos, e em alguns outros casos como a dedicação de uma igreja. Mas vá numa missa numa igreja infectada pelos carismáticos, é tanta unção que você se sente um caranguejo num vazamento de petróleo de grandes proporções, é óleo de unção para todos os lados. "Recebe a unção!!!" diz o padre, ou pior "Tome a unção!". Melhor seria dizer "benção" logo. "Tomar a benção" da linguagem neopentecostal para mim me parece profundamente desrespeitoso, afinal, quem dá a benção é o Altíssimo, ninguém "toma", nem mesmo o patriarca Jacó que lutou com o anjo e disse que só o largaria depois de ser abençoado.

Católico usando linguagem neopentecostal de heresia protestante para mim é como um homem que tem uma cristaleira em casa com porcelana finíssima comendo no curral com os burros.


Nem mesmo no Antigo Testamento unção tinha este sinônimo automático de bênção. Eram ungidos os sacerdotes, com óleo e sangue dos sacrifícios. Foram ungidos os reis Saul, Davi e sucessores demonstrando o mandato divina da realeza. Jesus Cristo é o "ungido", mas observe que no sentido estrito da História Sagrada ele não foi ungido com óleo, e sim com a água que o Batista derramou na sua cabeça (já que batismo obrigatoriamente por imersão é mais uma ficção protestante). Jesus Cristo era de fato ungido no sentido figurado, mas observem a seriedade do termo, que virou sinônimo de Messias: Jesus o Ungido significa Jesus o Messias. Não era Jesus o Abençoado, nem Jesus o Ungido no sentido estrito do óleo. São João Batista era abençoado, Santa Isabel e São Zacarias eram abençoados, São José era abençoado, os profetas Simeão e Ana eram abençoados. Os maus sumo-sacerdotes Anás e Caifás eram ungidos, por força de assumirem o cargo. São Zacarias, que era sacerdote levita, certamente foi ungido quando assumiu o serviço no Templo. E não duvido que o corruptíssimo Herodes Magno tenha sido ungido pelos sacerdotes quando assumiu a realeza da Judéia com, numa mímica da cerimônia de Davi. Portanto, Jesus Cristo, Jesus Ungido, é algo tão tamanho e grande da dignidade divina de Cristo que não é simplesmente uma benção. Muitos homens bons daquela época eram abençoados. Muitos homens bons e maus eram ungidos literalmente em função de seu ofício. Portanto mesmo a História Sagrado recomenda parcimonialidade no uso do termo "unção"

Ai me perguntam se eu sou "ungido". Por malícia digo que se sou crismado, naturalmente sou ungido (tambem pelo batismo e ordem, e certamente a unção dos enfermos). Ai você vê aquele curto-circuito mental na cabeça do fulano. Ai me pergunta se este papa é ungido... E eu respondo que sim, o papa é crismado. Só que na verdade queria saber se o papa é bom ou bento ou ainda ortodoxo. Ora, só em cogitar heterodoxia num papa já demonstra uma grotesca ignorância de nossa fé. 

Ai vem o crème de la crème: "A Reunião/Missa/Terço foi ungido?". Ai respondo que por ser um substantivo abstrato de várias pessoas ou de uma celebração não poderia ter unção de óleo num abstrato. 

Agora com licença que vou tomar meu café da manhã com pão ungido. Não, não é pão eucarístico não, é pão com manteiga. As vezes eu unjo ele com cream cheese também, sabem? Ai é o pão ungido da igreja de Philadelphia... Eheheheheh... Como no Brasil sarcasmo precisa de nota: Philadélfia é uma marca de cream cheese, dai o trocadilho com a igreja apocaliptica de Philadelphia... E a poderosa Kraft Foods, que não é burra, bem que fazia propagando do cream cheese com anjos. 

Ultimamente está surgindo um híbrido terrível, que é o Rad-Trad Carismático, que afirma que o "Concílio Vaticano II não foi ungido". Ai, meus amigos, nem sei mais o que dizer apenas rir, mostrando que água e o "óleo da unção" se misturam sim, fazendo maionese... 


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Um comentário:

  1. TÔ NA UNÇÃO, TÔ NA BENÇÃO (NÃO NA BÊNÇÃO)!
    Ouço isso sempre de protestantes mais se referindo quando tudo dá certo, tudo lhes sai como previsto etc., nos termos acima, significando que Deus "aprovou" tudo aquilo como eles planejaram e de seus ideais resultaram, já que medem estar bem com Deus de acordo com o padrão do progresso financeiro.
    Mas os carismáticos como lhes são filiais, adotam semelhante linguajar; afinal, o carismatismo é a porta de entrada para o protestantismo pentecostal ou o inverso; são todos de casa, compartilhando da mesma poção venenosa.
    Quanto ao Vaticano II há um reprovação quase geral, mais se parecendo que antes dele a Igreja vivia em seu apogeu e depois advieram os transtornos, como se o mal que dele proveio não fossem de muitos infiltrados; levaram para dentro dele o que montaram cá fora e depois contaram com a mídia globalista para fazer sua versão do Vaticano II e montagens paralelas - a KGB deu aquela força, como a TL - parecendo terem conseguido seus objetivos em grande parte; afinal, Satã, seus filhotes maçons-comunistas e protestantes com sua ajuda, numa corrente prá frente conseguiram grandes vitorias, ainda que sejam parciais e principalmente temporárias.
    Sobressairam no baguncismo da área litúrgica da S Missa, o principal alvo a ser atingido, como as S Missas "auês" em que até o próprio sacerdote mal formado ou deformado incentiva a dispersão dos fieis, desvirtuando a liturgia para o sentimental-emotivismo, como procedem os sucessores da hierarquia de Lutero, como ele queria, cada um a seu modo.

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