Será que a Teologia da Libertação vai voltar? ou ''Opção preferencial por slogans vazios''

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1 Comentários
Padre TdL, um zumbi
Bem, digo com absoluta certeza que ela não vai voltar porque nunca foi embora!!!

Há um belo abacaxi teológico a descascar aqui. Muitas vezes na História da Igreja os papas e a Santa Sé fizeram coisas que inicialmente pareciam boas mas no final resultaram em muitos males. Paciência, acontece com pessoas físicas e jurídicas. Como diria Maquiavel sobre a tuberculose "É difícil de diagnosticar no início mas fácil de curar. Depois fica fácil de diagnosticar e difícil de curar". Ah, se soubéssemos os males em seu início! Nem Salomão! O mais sábio dos reis permitiu que suas esposas pagãs tivessem seus santuários idólatras pessoais, esta idolatria doméstica com chancela real não tardou a espalhar seu exemplo nefasto e o povo - que já nem era muito fiel - entrou de cabeça na idolatria levando à divisão e destruição do reino. 

Lá nas origens a Teologia da Libertação teve chancela do Papa João Paulo II. Portanto tecnicamente havia uma TdL boa na teoria. Eu digo na teoria, porque na prática descambou para grossa pilantragem marxista. Tanto que o cardeal Ratzinger, ainda sob JP2 e com sua chancela, criticou aspectos práticos da TdL, mas não a atirou de todo no lixo. Da mesma maneira muitos ponta de lança da TdL foram condenados como hereges, mas não a TdL como heresia. Não é a primeira vez que algo que parece ser bom prova-se mal. Ainda que na linguagem livre do blog possa-se chamar a TdL de heresia, não é possível fazê-lo no ambiente infra-eclesiástico, ou mesmo num debate teológico sério, nem que seja entre inimigos fidagais da TdL. Esta é a verdade. 
Bispo TdL, membro ativo da CNBB e zumbi

Afinal, "opção preferencial pelos pobres" é algo de uma bondade tão etérea que quem seria contra? Tadinhos dos pobres! Quem vai se negar a socorrer aos pobres? O problema é que de boas intenções o Inferno está cheio, e  "opção preferencial pelos pobres" é um slogan sonoro mas vazio, tanto pode se aplicar ao pão de Santo Antônio como à compra de votos com cestas básicas. O que seria opção preferencial pelos pobres na prática? Se um rico e um pobre vierem me pedir a extrema-unção, vou deixar o rico morrer para atender ao pobre? Ou na fila da comunhão deveria como no aeroporto haver um ministro preferencial para idosos, deficientes, gestantes, portadores do cartão fidelidade "platinum" e pobres? Sabendo que os pobres são a larga maioria na Igreja, não é melhor dizer que "os ricos ficarão por último?". Entre dar o pão a um pobre fiel que me pede, ou dar um bom conselho a um rico pecador, devo deixar de converter o rico em pecado para alimentar o pobre? Na religião em que não há mais judeu nem grego, nem escravo nem senhor, como vou fazer alguns passerem a fila para terem opção preferencial? E sabendo que os dons espirituais nunca são limitados como os materiais, por que farei opção preferencial? O dinheiro da paróquia é limitado, mas a caridade da paróquia pode ser infinita. O tempo na paróquia pode ser limitado, mas a piedade pode ser infinita. Bens espirituais, aqueles a quem a traça e a ferrugem não devoram, podem ser infinitos, quanto mais se gastam, mais se multiplicam. Opção preferencial para quê?

Aliás, este é um problema milenar da Humanidade, nem da Igreja apenas, palavras que são disparadas como setas etéreas e o significado varia e muda. "Não julgueis" deve ser o versículo mais distorcido das Escrituras, servindo para justificar uma apatia dolorosa com o pecado. Retornando ao campo conservador, "Lex orandi, lex credendi" também virou um slogan que já foi tão distorcido que sua substância original se diluiu e mais serve para atacar quem reza missa mal ou mesmo para condenar o rito Ordinário. E a "seleção natural"? o conceito lançado por Darwin já virou praticamente o oposto do que Darwin pensava. Lenin também teve o "Paz, Terra e Pão", sendo que a Rússia entrou numa feroz guerra civil, os camponeses tiveram suas terras expropriadas e a fome do Volga e da Ucrânia mataram umas dez milhões de pessoas bem por baixo...

Deixa eu refazer a pergunta: "a Teologia da Libertação vai voltar à moda???"
Respondo que é difícil.

Franciscanos, digo religiosos TdL... zumbis
Marx soltou muitos slogans, mas a observação "A História ocorre a primeira vez como tragédia, a segunda vez como comédia" é de uma verdade lapidar incrível. A TdL pode até ter uma "recuperação livresca" nos corredores do Vaticano. Mas aqui no chão de paróquia é difícil. 

O povo, que nunca se importou, não irá se importar. E a geração do clero TdL está morrendo no deserto, e a nova aspira a coisas mais altas e menos rasteiras. Os seminaristas se impressionam hoje em dia com São Tomás, não com Boff. Até a América Latina, incubadouro da TdL, já criou anticorpos políticos ao esquerdismo, e cada vez mais eles estarão mais fortes. Portanto a linguagem da TdL, que grassou sem oposição dos anos sessenta até o final do século, cada vez mais enfrentará resistência. E os europeus, americanos e asiáticos ainda são sábios demais para engolir esta patacoada da TdL. 

A Teologia da Libertação está fora de moda, como as calças boca-de-sino. Simples assim.

Pessoalmente acredito que o agora Cardeal Müller não fará bobagens. Sendo assim, até espero uma "reabilitação curial" da TdL, mas de pouca penetração no "chão de paróquia". Eu não mudarei meu discurso, porque também as críticas à TdL feitas pelo Cardeal Ratzinger como prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé não mudarão. Aliás, penso que esta reabilitação ocorrerá após a morte de Bento XVI. Que Deus lhe acrescente cem anos mais de vida! Mesmo quem é inimigo de Bento XVI e quer "jogar a bola nas suas costas" sabe que o papa emérito tem tanto crédito e prestígio que uma crítica sua será um raio devastador saído do dedo de Deus em qualquer pretensão. Bento XVI agora é como Santo Antão silencioso no deserto, bastou Atanásio o convidar para defender a fé, que um discurso seu destruiu os arianos de Alexandria. Nada é mais temível que o discurso de um eremita. E Bento XVI sabe disto, portanto está discretíssimo vivendo para Deus. Ainda que haja registros de que o papa Francisco peça sua ajuda, como Santo Atanásio. 

Enfim, em homenagem a tal doutrina morta que pode retornar para querer nos morder, coalhei o post com imagens de padres e religiosos zumbis. O leitor entende a ironia. 


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Um comentário:

  1. A TL ERA UM BEM ENGENDRADA TRAMA...
    MAS, ALGUNS PERSPICAZES, EM ESPECIAL O SAUDOSO BENTO XVI A DESMASCAROU!
    Após a descoberta que a TL não passava de um grupo de farsantes marxistas travestidos de sacerdotes católicos e idem leigos, todos adeptos do "Politicamente correto" que transmutavam a doutrina da Igreja católica em sutil doutrinação social-marxista, iniciou-se a contra ofensiva, o assedio, inclusive do arguto filósofo Olavo de Carvalho e uns poucos do clero, denunciado em detalhes seus métodos de ação e, desde 2010, tenho notado que está sob fogo cerrado em muitas frentes, apesar de o número de sacerdotes empenhando em seu combate direto seja diminuto, idem os leigos, comprovando-o de os marxistas governarem o Brasil há muitos anos pelo satanista PT, muito mais danoso que praga de gafanhotos, por deteriorar tanto o espiritual como o material.
    No Brasil, temos o L Boff como maior mentor dessa heresia, ex sacerdote, por hora estaria amasiado e seria agente da KGB, já que a TL foi denunciada como dua obra-prima para disseminar o comunismo nas Américas, sob o discurso de "Opção preferencial pelos pobres", da qual posteriormente o papa Bento XVI retirou o "preferencial".
    Os teelistas não passam de "pobristas profissionais", usando desse artificio para depois eles - não os outros - subirem ao poder e serem os imperialistas e capitalistas hiper opressores de Estado, como na ilha-prisão Cuba, Coreia do Norte, China etc.
    Resumindo: o comunismo é um regime fracassado - Cuba etc. - a doutrina dos inveja, da cobiça dos bens alheios e antecipadora do inferno na terra.

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