O dunguinismo no Brasil

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Nota do Frei: Este é um texto de formação do filósofo, o mais recente. Leiam. Assim podem entender melhor o que se passa mesmo entre os tradicionalistas católicos... muitos estranhamente antissemitas como as esquerdas...

Sua Olavette!!!
Em tempo, podem me chamar de Olavette. A árvore se conhece pelos frutos. É inegável os bons frutos que Olavo de Carvalho já deu. Cito apenas um, foi uma leitura de Olavo que fez o Padre Paulo Ricardo começar sua participação na guerra cultural.  Sempre conheci Olavo. Mas não dava muito ouvidos, confesso. Comecei a ler sua obra com sua tradução da Dialética Erística de Schopenhauer. Gostei. Achei um texto profundo e esclarecedor. Em contrapartida não gostei tanto daquele sobre Maquiavel. Mais tarde como o rei Ciro da Média lendo Isaías e Jeremias, vi que o que Olavo escrevera no passado se cumpriu. Não é a primeira vez na história que um homem de bom senso antecipa o futuro quase como um profeta: Depois que Júlio César tomou o poder, todos se lembraram de como Catão o Jovem havia avisado que César desejava destruir a República, e todos riram dele. Assim foi Burke comentando sobre a Revolução Francesa. Assim foi Olavo com o Foro de São Paulo. 

No foicebook sofri diversos ataques de eurasianistas por defender o filósofo. Ou seja, minha experiência pessoal comprova a veracidade do que ele diz.

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Olavo de Carvalho Diário do Comércio, 11 de março de 2014  - Dentre os movimentos neofascistas que floresceram na Rússia para ocupar o espaço ideológico do comunismo, o mais interessante e, de longe, o mais forte, é a corrente "eurasianista" criada e liderada pelo prof. Alexandre Duguin. Filho de um oficial da KGB, Duguin é um colaborador e um protegido do governo russo, o ideólogo maior por trás das decisões estratégicas de Vladimir Putin.

Sem um estudo sério dos seus ensinamentos é impossível entender a linha de ação do Kremlin. Creio ter sido o primeiro a chamar a atenção do público brasileiro, desde uns quinze anos atrás, para a importância crucial do fenômeno Duguin. Graças à mórbida indolência mental das nossas elites, a advertência caiu em ouvidos moucos.

Mas, se são avessos a todo estudo solitário, os brasileiros de classe média e alta são, na mesma medida, altamente propensos a deixar-se arrastar por qualquer bandeira ideológica que chegue do exterior com suficiente respaldo financeiro e disposição de conquistar o território. Assim, se ninguém se preparou intelectualmente para enfrentar a epidemia duguinista que eu anunciava como inevitável, essa epidemia acabou entrando no Brasil como quem arromba uma porta aberta, fazendo não só centenas adeptos nas universidades como também cooptando agentes pagos dispostos a tudo pela glória do Império Eurasiano, que no fim das contas não é senão a boa e velha Mãe Rússia com roupagem multinacional.

O eurasianismo surgiu do antigo movimento "nacional-bolchevique" inaugurado pelo próprio Duguin e pelo romancista Eduard Limonov no início dos anos 90 do século findo.

A idéia inicial era reunir num vasto front ideológico tudo o que fosse anti-ocidental e anti-israelense no mundo: comunismo, nazismo, fascismo e sobretudo os vários movimentos "tradicionalistas" herdeiros dos ensinamentos de René Guénon, Julius Evola, Frithjof Schuon, Ananda K. Coomaraswamy.

Nunca saímos de moda, camarada!!!
Duguin e Limonov divergiram quanto ao governo Putin, que o segundo condenava e no qual o primeiro viu sua grande oportunidade de subir na vida. Duguin tornou-se o ideólogo do regime, vivendo em instalações confortáveis, rodeado de centenas de assessores, tudo pago pelo governo, enquanto Limonov ia para a cadeia.

O nacional-bolchevismo estava acabado: nascia, em seu lugar, o "eurasianismo", que é praticamente a mesma coisa adornada com uma profusão de novos e rebuscados argumentos extraídos das obras do geógrafo inglês Halford J. Mackinder (1861-1947), dos pensadores "russófilos" do início do século 20, dos teóricos nazifascistas e dos tradicionalistas guénonianos e schuonianos.

O núcleo da doutrina é a idéia de que a história humana inteira é pautada por uma guerra sem fim entre "potências terrestres", ou "eurasianas", e "potências marítimas", ou "atlânticas". Hoje em dia essas duas forças são representadas, respectivamente, pelo bloco russo-chinês e pela "aliança atlântica" dos EUA com a Inglaterra e Israel.

De acordo com Duguin, os povos "terrestres" são guiados por altos ideais heróicos, os "atlânticos" pela cobiça e desejo de poder. O mundo só será feliz quando o bloco atlântico for destruído e o Império Eurasiano dominar – sem nenhuma cobiça ou desejo de poder, é claro – o globo terrestre inteiro. So simple as that.

A força do duguinismo reside no atrativo que exerce sobre mentalidades diversas e aparentemente incompatíveis entre si: patriotas russos ansiosos para restaurar as glórias imperiais do czarismo, saudosistas do Führer e de Mussolini, comunistas em crise de desamparo ideológico desde o fim da URSS, católicos tradicionalistas inconformados com as reformas do Concílio Vaticano II, intelectuais guénonianos revoltados contra o materialismo moderno e, como não poderia deixar de ser, brasileirinhos universitários sempre dispostos a receber de braços e pernas abertos uma formuleta ideológica prêt-à-porter que os dispense de ler livros. A expansão do duguinismo no Brasil tem sido muito rápida mas, como não poderia deixar de ser, passa totalmente despercebida da mídia e dos "formadores de opinião", assim como aconteceu com a ascensão do Foro de São Paulo de 1990 a 2007.

E é justamente aí que eu entro na história. Momentaneamente em crise de dúvida, alguns duguinistas principiantes decidiram colocar as idéias do seu guru em teste, promovendo um debate entre ele e este articulista. O texto integral dos pronunciamentos de parte a parte foi publicado pela Vide Editorial, de Campinas, sob o título Os EUA e a Nova Ordem Mundial. Um Debate entre Alexandre Duguin e Olavo de Carvalho (2012).

Mesmo o leitor que não morra de amores pela minha pessoa notará que, no confronto entre um escritor independente e o poderoso representante da ditadura russa, os argumentos do meu adversário foram reduzidos a pó. As mensagens finais do prof. Duguin não escondem sua irritação e despeito ante um oponente que não lhe deixava mesmo margem para outra coisa.

Incapaz de refutar qualquer das minhas objeções ao eurasianismo, o prof Duguin não era e não é, no entanto, sonso o bastante para deixar de perceber na minha influência o principal obstáculo à penetração das suas idéias no Brasil. Era de se esperar, portanto, que mais cedo ou mais tarde a militância duguinista, inconformada com a humilhação do seu guru, desistisse da concorrência intelectual e partisse para uma campanha de "character assassination" no bom e velho estilo KGB, muito mais maliciosa, peçonhenta, organizada e bem subsidiada do que qualquer iniciativa similar da esquerda nacional. Nos próximos artigos darei alguns detalhes sobre o episódio, altamente significativo do futuro que se prepara para o Brasil.



           


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Um comentário:

  1. Os ideais da Russia via Putin nos últimos tempos, aparentemente pró família, anti gayzismo e outros "anti", revelando de uma hora para outra um rígido moralismo cristão, um puritanismo sem precedentes - quando a esmola é grande demais o santo desconfia - transparecia algo estranho, como a velha historia de sempre se opor aos EUA-Ocidente, pouco se importando de que modo.
    Mas parece-me que tem sabido bem manipular tal estratégia, e tem conseguido arrebanhar no Ocidente muitos adeptos!
    Para piorar, sua aliança com os religiosos cismáticos, mais ortodoxos em tese, a começar de Cirilo I, ensejava algo suspeito no ar, inclusive com a volta do ensino religioso nas escolas, mas estaria mantendo os comunistas e Foro de S Paulo por detrás, o que já bastaria para imaginar o tamanho do circo armado, ou seja, o comunismo, o "Marxismo Cultural" introjetados estariam noutra roupagem - até que tomemos posse do terreno, depois nos mostraremos que de fato quem somos e a que viemos...
    Ainda mais com o golpe da posse da Crimeia, parece querer a volta da ex União Soviética com muito mais satélites à volta...

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