Política Eclesiástica para Conservadores - Capítulo VI

/
4 Comentários
Prossigo meu opúsculo. Publiquei a parte I como um PDF  em forma de Ebook, agora avancemos à parte II. 

Aliás, perguntaram sobre a minha dedicatória e introdução no ebook, o que não havia no blog. Ora, o que está lá está lá. Dediquei sim o texto ao meu onomástico Clemente VI, o mais festeiro e esbanjador de todos os sucessores de Pedro. Ironia não se explica, né ?

***

Parte II
Principados e Potestades
 

Capítulo VI
Dê a sua própria face aos bofetões, não a da Igreja
 
A sátira precede ao martírio. Não se iludam. O massacre de cristãos no Oriente Médio e nos países comunistas é um vaso comunicante com o completo acuamento da Igreja no Ocidente livre e democrático que é seu filho.
 
O surgimento da Imprensa foi fundamental para o sucesso do grande pecado que foi a Reforma Protestante, esta impiedade máxima. Não porque Bíblias puderam ser impressas, isto é conversa para boi dormir, já que em todo mundo católico antes da imprensa a Escritura era proclamada nas missas, copiada custosamente e divulgada se não em papel através da arquitetura, arte sacra e lavrada em pedra nas igrejas, conhecia-se a Bíblia com mais profundidade antes. A Imprensa foi fundamental para a reforma protestante porque mentiras e panfletos contra a Igreja católica e o papa puderam ser fabricados em massa. Cartoons, meus caros. Não foram as verborrágicas e furadas 95 teses de Lutero não, ninguém deu bola para elas, e quase ninguém leu. As 95 teses de Lutero são como o Capital de Marx, os seguidores destas doutrinas as elogiam, aumentam o seu impacto na época, mas nunca leram.
 
Mesmo no Império Romano, a perseguição aos cristãos teve um componente cultural. O grafite de Aleximenos, em que retrata um homem com cabeça de burro crucificado e a inscrição "Aleximenos adora seu Deus" é um testemunho eloquente de que não se tratavam de atos isolados da cúpula governamental romana preocupados com a tessitura do Império e com a "pax deorum". Antes do martírio vinha o desprezo da população.
 
A laranja não cai longe da laranjeira. Antes do massacre sistemático dos judeus pelo Terceiro Reich há menos de cem anos atrás, nem preciso dizer da intensa propaganda da qual eles foram vítimas. O que me entristece, é que os judeus tendo sofrido antecipadamente o que os cristãos serão vítimas, movidos pela propaganda anticristã também atacam os cristãos, mostrando que ser da raiz de Jacó não necessariamente significa memória e sabedoria.
 
A Igreja vem sendo tão covardemente atacada por todos os lados que ela cai na chamada "Espiral do Silêncio". Já perdeu o protagonismo, já perdeu até a vontade de se defender. Faz suas boas obras em silêncio e cada vez mais em silêncio. Alguns até de tão envolvidos nisto dão razão aos detratores.
 
É a pior atitude possível. Não se dialoga com quem quer te matar.
 
E eles querem nos matar. A sátira precede ao martírio.
 
Observem que os cristãos dos primeiros séculos, ao contrário dos castrados do nosso tempo, não deixavam barato. Os chamados "padres apologistas" rebatiam a estes ataques. Famoso no céu e na terra foi São Justino Mártir, que escreveu a nada mais nada menos que ao Imperador Marco Aurélio defendendo o cristianismo das calúnias. A alcunha "São Justino Mártir" já diz o que aconteceu com ele. O mais curioso é que mártires houve aos milhares nos primeiros tempos, mas impactou tanto a coragem de Justino enfrentando com argumentos o "imperador filósofo" em seu preconceito que só ele mereceu ter o nome Mártir anexado ao nome entre tantos.
 
São Justino enfrentou o Imperador romano para defender a fé, pagou com a vida. Nós, hoje em dia, de tão envolvidos na espiral do silêncio, e ainda protegidos pelos últimos suspiros da liberdade de expressão no Brasil, calamo-nos. Um cardeal da Igreja recebe uma catilinária de um palhaço do regime no maior jornal do pais, silêncio. Blasfemam em praça pública enfiando no rabo imagens de Nossa Senhora e crucifixos, silêncio. Padres são agredidos, quando não mortos, silêncio. Igrejas atacadas, silêncio. Livros didáticos mentem para nossas crianças contando mentiras sobre a Igreja no passado, silêncio, e os pais católicos tontos ainda pagam religiosamente a mensalidade destas escolas a peso de ouro. Sem contar o escandaloso silêncio da Imprensa sobre os massacres de cristãos no Oriente Médio.
 
O silêncio precede à degola.
 
Alguém dirá que isto é "mansidão", que é dar a outra face. Eu respondo simplesmente "uma ova!" para não dizer um palavrão.
 
Se alguém te dá um bofetão, VOCÊ pode dar A SUA outra face. Mas quando o atacado é a Igreja, o bofetão não é só em você, é em todos seus irmãos. É de uma hipocrisia demoníaca querer dar a outra face do irmão. E o evangelho deixa claro que o bofetão era um bofetão literal, não uma mentira ou calúnia. Senhores, um bofetão de verdade dói. Ignorar uma calúnia é simples demais. Mas ignore um bofetão de verdade, mesmo contra todo o instinto de devolver que você estará diante da perfeição evangélica.
 
Vejam o exemplo de Cristo, Nosso Senhor enfrentou muitas calúnias na sua vida. Ele se calou e deu razão aos inimigos? NÃO! CRISTO NUNCA DEIXOU UMA CALÚNIA BARATA. Por isto discutia com os fariseus, doutores e saduceus. Cristo sempre respondeu, com palavras, com obras, com ambas. Ele nunca levou calúnia para casa, porque estava a serviço da Verdade. Cristo sabia que quem cala consente, e que uma calúnia livre faria perder almas. Tanto que não se privou de chamar aos seus detratores de Filhos de Satanás, que é sem dúvida a pior maldição entre o Gênesis e o Apocalipse, dita pelo próprio Deus em pessoa. Também no livro de Atos vemos que Santo Estevão morreu porque respondeu à altura os detratores judeus. São Pedro levou bastonadas porque repreendeu ao Sinédrio na sua frente. Da mesma maneira Paulo discutia com os judeus nas sinagogas, e quem ler as cartas aos Cortíntios e aos Gálatas verão que elas são nada mais nada menos que respostas às calúnias e deturpações na fé de seus inimigos. E na Paixão de Cristo, qual foi o pecado de São Pedro senão "deixar barato" sua cumplicidade com Jesus? E a maior demonstração do que estou dizendo é que o mesmo Cristo Nosso Senhor que não engolia calado nenhuma mentira, ela que é Caminho, Verdade e Vida, aguentou calado aos bofetões e cusparadas dos soldados e não deixou nenhum dos apóstolos se ferirem na sua prisão e Paixão. Ou seja, "dar a outra face" é LITERAL e trata-se DA SUA FACE MESMO.
 
Toda vez que não respondemos a uma calúnia contra a Igreja, como Pedro, fugimos do martírio. Ouçam o galo cantar nas vossas consciências denunciando a covardia!
 
Aliás, se me permitem propor um exercício interessante e didático, toda vez que num ambiente eclesial alguém vier com este papinho de mansidão e citar "dar a outra face" às calúnias, dê um bofetão de verdade no sujeito. Dê mesmo, encha a mão, marque cinco dedos na face do eunuco que falou isto. Nada melhor para desmascarar um hipócrita. Se ele te bater de volta, mostra o hipócrita que é. Se ele não te bater e te questionar, você diz que calúnia não dói tanto quando um bofetão de verdade, que é confortável mandar a Igreja ignorar um bofetão, mas é bem diferente levar um de verdade, e que a dor que ele sentiu, Cristo sente diante de nossa covardia.
 
Lembrem-se de São Justino Mártir! Lembrem-se de Santo Estevão!  Lembre-se de Jesus, mestre de todos eles!
 
Não, não é fácil! Nunca é fácil. Não nego, é dificílimo. É mais fácil enfrentar a forca, a guilhotina, o pelotão de fuzilamento que as ameaças sociais de chamar alguém de mentiroso. A forca, a guilhotina, o fuzilamento é só um instantinho, uma dorzinha, e tudo se acaba. Já a irrisão social é um copo de veneno por dia. Quantas represálias um aluno não sofreria de um professor numa universidade ao desafiá-lo em público quando estiver vomitando mentiras e calúnias contra a fé? Não só a ameaça de perder a disciplina na mão de um doutrinador vingativo que faz provas de acordo com o esterco que passa em sala, mas a sátira dos colegas, o gelo social, o desequilíbrio do poder de um professor pronto a te humilhar diante de seus pares, ou mesmo recursos retóricos erísticos mil que poderiam fazer até um São Tomás de Aquino se enfurecer e perder diante da multidão um debate contra um tolo. Nem mesmo os melhores e mais treinados lutadores estão prontos para lutar na lama com golpes baixos. A política é vale-tudo. Eis o mal destes duelos retóricos contra canalhas, um mestre faixa preta do mais alto grau também cai diante de uma unha traiçoeira inesperadamente furando seu olho. Quem duvidar, relembre o aconteceu ao preparadíssimo Dom José Cardoso Sobrinho ante a traição dos entrevistadores da Folha.
 
Ah, como estas calúnias contra a fé são perigosas!!! Como diria Chesterton, "eu também detestaria a Igreja católica se ela fosse o que dizem dela". Nosso Senhor mandou não temer aqueles que matam o corpo, mas sim os que fariam perder a alma. Isto cai como uma luva ao que acabamos de dizer: Quantas pessoas de bem hoje em dia não vivem no pecado porque caíram nas garras destas calúnias? E como elas vão se converter se foi ensinado a elas que o remédio é veneno? Nossa luta em defesa da Igreja parece uma luta contra zumbis acéfalos, frequentemente não lutamos contra quem espalhou as mentiras, mas contra as pessoas de bem zumbificadas por estas mentiras.
 
Cristo, cuja vida é o exemplo de todas as virtudes, viveu isto na pele, também conheceu o perigo da doutrinação dos canalhas.  Tanto que criticou aos fariseus que viravam o mar para converter alguém e faziam a pessoa sete vezes mais digna do Inferno depois. Que melhor descrição do idiota útil?
 
É muita covardia o que fazem conosco. É muita crueldade o que fazem com as pessoas, nossos irmãos. Vencer estes canalhas é não só uma questão de sobrevivência, mas de salvação de almas! 


Você também pode gostar

4 comentários:

  1. A parte dois vai ter uma continuação ou é só esse capítulo? Rola de fazer em PDF??

    ResponderExcluir
  2. Haverá. Quando a parte II estiver completa sera consolidada num PDF com a parte I e II

    ResponderExcluir
  3. COMO RELATOU: A IGREJA SENDO MASSACRADA E GRANDE PARTE DA CÚPULA E CATÓLICOS SOB SEPULCRAL SILENCIO!
    E o povo, em geral, os seguindo em consenso, alguns o instruindo em nome de um tal "respeitar, não constranger, não magoar, não intimidar e outros relativismos" - mitigando ou extinguindo os erros, apesar de em detrimento da doutrina da Igreja.
    Assim como Jesus sofreu e muito, morreu e ressuscitou, a Igreja passará pela mesma via dolorosa, era o pensamento dos Santos Padres da Igreja Primitiva e doutros até o século XIX e que consta no CIC, assim como na bíblia que a perda da fé e uma feroz perseguição apenas à Igreja recrudescerá com a aproximação dos tempos do fim.
    E o diabo, sabendo que pouco tempo lhe resta, já que no final de tudo ele será aprisionado (Ap 20), agirá contra a Igreja como nunca antes, lembrando que há profecias que muitos demônios seriam soltos do inferno, conf. em La Salette, a partir de 1864.
    Vejamos o que diz o Catecismo:
    "... O tempo presente é, segundo o Senhor, o tempo do Espírito e do testemunho mas é também um tempo ainda marcado pela "tristeza" e pela provação do mal, que não poupa a Igreja e inaugura os combates dos últimos dias. E um tempo de expectativa e de vigília ." (CIC 672)
    Citemos apenas uma importante passagem que fala do seguimento da Igreja pela Via Crucis, o caminho de Jesus: "A Igreja só entrará na glória do Reino por meio desta derradeira Páscoa, em que seguirá seu Senhor em sua Morte e Ressurreição.. Portanto, o Reino não se realizará por um triunfo histórico da Igreja segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o desencadeamento último do mal que fará sus Esposa descer do Céu"... (CIC 677).
    Recordemos, mais uma vez, as palavras proféticas de Monsenhor Pacelli - depois Papa Pio XII -, ditas à luz da Mensagem de Fátima:
    "As mensagens da Santíssima Virgem a Lúcia de Fátima preocupam-me. Esta persistência de Maria sobre os perigos que ameaçam a Igreja é um aviso do Céu contra o suicídio de alterar a Fé na Sua liturgia, na Sua teologia e na Sua alma (.) Ouço à minha volta inovadores que querem desmantelar a Capela-Mor, destruir a chama universal da Igreja, rejeitar os Seus ornamentos e fazê-la ter remorsos do Seu passado histórico.
    Sublinhamos também, na Introdução, que esta grande mudança de orientação na Igreja - "na sua liturgia, na sua teologia e na sua alma", como o futuro Papa Pio XII especificou - era o objetivo, há tanto tempo acarinhado, das forças organizadas".
    Em particular, a prática nos mostra provir de uma coligação de maçons/comunistas, ateus e protestantes.
    Anne Catherine Emmerich disse que "50 a 60 anos antes do 2000 o demônio seria solto do inferno". Curiosamente, 61 anos antes do ano 2000, Hitler começava a Segunda Guerra Mundial, e nos anos 60 começaria a decadência da Igreja Católica que vemos hoje, a partir por primeiro dos proprios filhos da Igreja, onde estariam seus maiores inimigos.
    Santa Brígida, da Suécia, foi uma das mais conhecidas Santas da Idade Média, ao se referir aos últimos tempos, disse: "40 anos antes do ano 2000, o demônio será deixado solto, por um tempo. Quando tudo parecer perdido, Deus, mesmo de improviso, porá fim à maldade". O sinal desses eventos, continua Santa Brígida, será: "Os sacerdotes deixarão de usar hábito santo e se vestirão como pessoas comuns; as mulheres se vestirão como os homens e os homens como as mulheres."
    Decorrente disso, vemos hoje à luz do dia: um cortejo de males inundam o mundo sob o relativismo generalizado, como cristãos governados em muitos países por satano-comunistas, a perversão infantil, perda de noção do pecado, maus sacerdotes desencaminhando incautos além de envoltos noutros males, e agora prestimosos apostasiados neo obreiros de Satâ.

    ResponderExcluir
  4. Como sempre, estou lendo atrasado frei... Mas parece que este saiu ainda melhor! Aguardando os próximos capítulos.

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.