"Política Eclesiástica para Conservadores" - Cap II

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2 Comentários
"Política Eclesiástica para Conservadores"
Capítulo II

Os pigmeus que desceram do ombro de gigantes


Não sei quando aconteceu, nem porque aconteceu. Talvez tenha sido na França, mas não em Avignon medieval nem na Revolução, mas nos estúpidos protestos de 1968. Alguns dizem que foi no Concilio Vaticano II, outros que foi apesar do. As vezes penso que foi culpa de Pio X, e que ele mesmo não estava impermeável a tudo que ocorria, e que tentar embalar todos os erros num grande erro genérico chamado modernismo já é modernismo e um erro. Finalmente, pode ser a mentalidade revolucionária, pode ser artes da maçonaria... Não sei. O fato é que ficamos estúpidos. 

Stultus in extremis. Qualquer jovem hoje em dia se julga mais sábio que Aristóteles simplesmente por ser mais moderno que Aristóteles. Tudo de bom que veio antes merece o lixo, como se o conhecimento do homem fosse uma maionese sob o Sol do meio-dia.

Isto não deixou a Igreja incólume. Também nos afetou. A velha teologia podia não ser aquelas coisas, mas a nova tem sido um fiasco. Ainda não se inventou método de missão melhor que dos velhos jesuítas, não há estrutura eclesial melhor que paróquias, nem organização mais útil que o papado. Quem quis inventar o novo fracassou. Porêm o problema foi quem destruiu o antigo, esperando algo que nunca chegou nem foi desenvolvido. Altares demolidos, afrescos caiados, santos retirados. Mesmo as antigas catedrais medievais que sofreram com a heresia protestante iconoclasta não foram menos dilapidadas quanto nossas paróquias nas mãos de padres sem juízo.

As novas gerações, estas, as mais novas, sentem-se alijadas de un tesouro, como um filho que percebe que seu avô era rico, mas que seu pai esbanjou e agora ele é pobre. Olham para a arquitetura, arte e teologia antigas e desejam chorar vendo suas igrejas virando caixotes, os alienígenas alongados de Cláudio Pastre e os textos base da Campanha da Fraternidade elevados à condição de material de estudo, quando deveriam ser o que são: Mau papel higiênico. Mesmo o clero brasileiro, como comparar um cardeal Arcoverde com um fraquíssimo Brás de Avis, onde nunca um sobrenome tão honrado atendeu a um padre tão privado de inteligência!

Nào digo que antes fosse muito melhor, antes era uma droga, sempre foi desde que há pecado no mundo. Mas pelo menos não se censurava e condenava o passado, não se fechava esta porta às novas gerações do passado. Antes do século XX pelo menos o romantismo e classicismo tinham a humildade de quererem copiar respectivamente a Idade Média e a Antiguidade. Havia um "neo"tomismo. Havia um "retorno" à patrística. Hoje em dia somos esperto demais para atirarmos Aquino e Clemente romano na  latrina. Se é velho é ruim, rarará, espertos somos nós.

O esvaziamento da Igreja mostra que foi um péssimo negócio. Saímos dos ombros de gigantes e foi revelado os pigmeus que somos.

O bom combate do conservador antes se dava para conservar. Agora parece que o conservador é o Caçador da Arca Perdida, há um antigo tesouro dos antigos a ser trazido de volta. Ser conservador não é ser automaticamente bom, há coisas ruins a não serem conservadas, e Cristo já dizia que ons homens preferem o vinho velho automaticamente. Mas ser um renovador sem critério e sem história é ser mau: Em certo sentido, não há maior renovação que uma implosão. Mas abaixando a poeira, ficamos apenas com escombros se nada for construído lentamente no lugar.

O bom combate se dá para trazer de volta aquilo muito bom e essencial que a tolice do nosso século desperdiçou


CONTINUA

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2 comentários:

  1. 1º - .... de modo que nada há de novo sob o por do sol. Ecle 1:9.
    2º - Aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; Mt 7:26 .
    As atuais ideologias mobilizam indivíduos e multidões apresentando-se como solucionadoras de tudo - afinal afirmam dispor de alta tecnologia e aparatos correlatos - mas, além de alimentarem intolerâncias, intentam conservar ou transformar sociedades, produzem guerras e revoluções querendo se erguer quimericamente, não sendo difícil saber de qual fonte dessa força imensa que disseminam e conquistam corações, mentes em povos de culturas e realidades tão díspares - apesar de serem niilistas.
    Se as ideologias sobrevivem ao passar dos anos e vivificam nos homens e mulheres do tempo presente, o mesmo ocorreu com o “socialismo realmente existente”: à sua vitória seguiu-se a necessidade de conservar a ordem, os novos grupos e classes sociais no poder não toleram os que se lhes opõem, sumariamente sentenciando que suas cabeças devem ser guilhotinadas, seus corpos são cravados pelas balas dos fuzis dos camaradas; note-se que aos períodos revolucionários seguem-se os tempos inquisitoriais. Assim, os líderes bolcheviques tiveram que perseguir os anarquistas e silenciar a oposição interna no partido; o stalinismo e congêneres completou o serviço. A nova onda atual ideológica ao se assentar no poder, rechaça os opositores, sendo os comunistas os maiores inquisidores de todas as eras.
    A contradição atual situa-se por herdarmos pela doutrina da Igreja algo além do tempo presente, a ordem medieval, a organização feudal e clerical situou o paraíso fora dessa vida, da sociedade, daí amortecesse seu potencial revolucionário, pois a ideia de algo melhor além-vida sob certas condições ainda constituía parte integrante da época, enquanto as ideologias atuais vivem o momento, o presente, seduziram e absorveram o homem moderno e, apesar de tudo à vontade do tecnológico, vive num paraíso cada vez mais "Infernal, onde a base da harmonia que é a fé cristã foi substituída pela violência e as incertezas reinantes, sendo esses males apenas alguns dos ingredientes de querer se suster no niilismo!...

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  2. Excelente texto Frei. Muito aprendo com suas reflexões. Elas são um porto seguro para minha fé. Muito obrigada.

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