Política Eclesiástica para Conservadores - Capítulo V

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Política Eclesiástica para Conservadores 

Capítulo V
Você quer bater junto, não casar

O Concílio Vaticano II tem sido o principal bode expiatório das mazelas da Igreja recente e rios de tinta têm sido escritos contra ele. Estes rios de tinta não foram capazes de batizar um único homem e parecem-me tão desinteressados quantos os italianos que atacavam a corte de Avignon porque não estava na Itália. Lendo os seus insossos, porém oficiais documentos, parece-me que a questão será decidida nos próximos mil anos. É como o papado de Avignon, a unanimidade burra de que ele foi ruim leva séculos para ser desfeita. E aqueles mesmos que acusavam sua perdulidade não viviam eles como franciscanos.

Enquanto o marxismo (e seu filho, o politicamente correto) é o ópio dos intelectuais, a “pureza ideológica” é o ópio dos conservadores.

Um dos grandes erros estratégicos dos conservadores é não distinguir quem fala bobagem de má fé e quem fala bobagem porque foi enganado pelos homens de má fé. Para os primeiros, em que Gregório Duvivier é o palhaço do momento, devemos desmascarar como os mentirosos que são sem nenhum pudor, são canalhas sem vergonha que estão a serviço voluntário do Mal. Quanto aos segundos, tipo o rapaz bom que usa camisa do Che Guevara porque nunca soube do mal que fez o porco fedorento, com estes devemos ter paciência jesuítica e caridade apostólica para tirá-los do erro, com muita mas muita caridade, como quem converte um homem bom da idolatria pagã, como Pedro convertendo seu carcereiro ou Filipe ao ministro da rainha. Afinal de contas, nesta época de hegemonia esquerdista, todos nós fomos do segundo grupo...

Já que estamos em guerra, não se luta a guerra sozinho. Sempre há que se ter aliados.

Em suas memórias, Napoleão Bonaparte minimiza as perdas na campanha da Rússia elencando que as baixas se deram principalmente entre os soldados aliados, não franceses. Esta constatação pode até salvar a cara do comandante como Imperador dos franceses, mas não deixa de ser horrorosa do aspecto moral, demonstrando que a vida de seus aliados valia menos que a dos franceses.

Anibal Barca, quando enfrentou Cipião em Zama, colocou os mercenários na frente para tomar o choque do exército romano, com os cartagineses atrás. Sabendo que os mercenários eram covardes e que fugiriam dos romanos na primeira legião que os atacasse, orientou seus soldados leais na retaguarda que matassem os fugitivos, para que os mercenários temessem mais os cartagineses que o inimigo romano. A batalha de Zama foi perdida, mas os romanos antes de vencerem Aníbal tiveram o trabalho de matar os mercenários prensados entre morrer lutando contra os inimigos e morrer fugindo nas mãos dos aliados.

Quando os romanos derrotaram poderosíssimos reis como Perseus da Macedônia ou Antíoco da Síria, derrotaram-los por terra. Mas não teriam vencido se seus aliados ródios não tivessem os batido por mar. Os ródios, vivendo numa ilha, eram mestres em marinha e nunca venceriam Perseus e Antíoco em terra, mas puderam os isolar nas águas para os romanos terminarem o serviço.

Quando Hernan Cortéz e seus espanhóis enfrentaram os temíveis exércitos dos sanguinários astecas, não venceram com meia dúzia de canhões e cavalos como quiseram fazer crer ao rei espanhol, mas com legiões de indígenas mexicanos cansados da submissão dos astecas. É pura matemática e testemunho indígena que os espanhóis não poderiam ter vencido o formidável Império asteca sem muita ajuda local.

Da mesma maneira César Bórgia não teria feito tanto sem a ajuda dos franceses. Dom Alfonso Henriques de Portugal só tomou Lisboa com a ajuda dos cruzados ingleses. Quando os muçulmanos tomaram as Espanhas, contaram com a ajuda de traidores cristãos. Mesmo na Segunda Guerra, os americanos não se privaram dos mal-preparados expedicionários brasileiros para desentocar os alemães na Itália. Alemães na invasão da Rússia contaram com a ajuda de voluntários espanhóis lealíssimos, movidos pelo ódio a Stálin e seu comunismo. Durante o cerco de Leningrado, os alemães contavam com os finlandeses para fechar um dos lados do cerco. E mesmo quando os alemães recuaram tiveram a ajuda inestimável dos russos do general Vlasov, que renegara o stalinismo. Já os soviéticos, se não fossem os tanques e aviões americanos e ingleses traficados por Archangelsky, seriam o quintal da Alemanha hoje. Perguntem ao camarada Stálin se ele se importava em usar tanques burgueses contra os alemães...

Estou muito atual... Mesmo os velhos troianos da Ilíada só resistiram contra a força da Grécia unida sob Agamemnon com a ajuda dos lícios, amazonas e aliados da Ásia Menor. Tanto que o grito de guerra de Heitor era “Troianos, Lícios, Aliados!”. Dez anos as muralhas de Tróia resistiram antes de caírem por traição. Tróia era formidável, dizia o poeta, mas não era capaz de resistir tanto sem seus aliados em sua defesa.

Poderia continuar citando a História casos e casos, de todas as épocas e de todos os generais, mas o leitor perspicaz já percebeu que sem aliados não se vai para a guerra.

Já que vivemos na Guerra Política, não teremos aliados?

Usar bem o aliado é fundamental. Você quer bater junto, não casar.

Pureza ideológica? Sabem quem ficava com pureza ideológica? Lênin! Ele mesmo, o maligno pai da Revolução Russa. Lênin rompia as amizades se não obedecessem a sua ortodoxia marxista. Fazia isto por dois motivos: O primeiro, evidentemente, porque acreditava nas maranhas marxistas. O segundo como fonte de poder para si e sua facção. Nos congressos do Partido Social-Democrata Russo de 1905 e subsequentes, era Lênin quem forçou a divisão entre seus bolcheviques e os ex-aliados mencheviques. Lênin usava a pureza ideológica como uma eterna fonte de poder para si. Tanto que alienou aliados como Plekhanov, Martov e tantos outros marxistas mais antigos que eles mesmo ficaram minoritários absolutamente não tinham participação significativa no partido. A sorte de Lênin e de seus bolcheviques era um certo georgiano, Josef Dugashivili (quem será?), que roubava bancos na Rússia e enchia os cofres bolcheviques com dinheiro sujo, o que os mencheviques não tomavam parte (a laranja não cai longe da laranjeira, né, vejam os métodos petistas ai). Com este dinheiro Lênin montou o poder de sua facção investindo cada vez mais na divisão com os mencheviques, mesmo à custa da irrelevância do Partido nas revoltas russas de 1905 e subsequentes, ou mesmo de todo o movimento socialista internacional, assustados com as divisões dos comunistas russos. Preferia aquele homem, como o Satanás de Milton, reinar sozinho no Inferno que ser mais um servo no Paraíso. Assustado, leitor? Todas as louvações que se fariam a líderes conservadores hard-core na Igreja mantendo eles apenas a luz da ortodoxia católica por sua teimosia poderiam ser feitas a Lênin mantendo a luz da ortodoxia marxista!

Sendo assim, pureza ideológica também é uma fonte de poder de líderes de facções. Fiquem avisados.

Alguém me retrucaria: “O quem a ver Simão Mago com Simão Pedro?

Simão Mago queria se juntar ao grêmio dos apóstolos a força de dinheiro, apenas pelo poder da suposta magia que erradamente via nos apóstolos. Ele não era estritamente um herege, isto é, aquele que ensina pertinaz e diferentemente se dizendo como o ensinamento da Igreja. Simão Mago era um pagão mesmo. E diz versões da lenda que ele se converteu após levar uma carraspana de Simão Pedro.

Se Simão Pedro e Simão Mago estivessem num barco afundando, não deveriam agir em comum para se salvar? O que os apóstolos tem em comum com Simão Mago? Ora, são homens.  Há muito que poderiam fazer em comum na vida civil e pública. Isto não significa nem remotamente que Pedro se curve ao Mago em doutrina, de jeito nenhum. Imagine se Simão Mago fosse um deputado federal brasileiro mesmo que não eleito com meu voto (há vários bem piores que o Mago no Congresso). Não precisaria do voto dele para barrar as leis da mordaça gay, as leis abortistas? Se for contar com os votos católicos, acho que não teria um. Não temos que contar com os evangélicos para pararem também estas maldades? Não foram Marco Feliciano e Silas Malafaia fundamentais, junto do Padre Paulo Ricardo, para denunciarem estas manobras dos inimigos da cruz??? E digo com dor no coração, louvado seja Deus por existir um pastor Silas Malafaia, porque ele sendo protestante sozinho fez mais que todos os cardeais brasileiros pela causa da vida e da liberdade de culto. Vergonha para nós, católicos, e motivo da ira de Deus. Enquanto os bons católicos, junto de protestantes, venciam a lei da mordaça gay, o inútil CONIC, conselho nacional de Igrejas Cristãs, do qual a CNBB é entusiasta, apoiava esta lei maldita e anticristã. Isto não significa que Malafaia está certo em doutrina. Mas no pouco de certo que ele aprendeu, ele age de acordo. Já, nós, católicos, os seguidores e guardiães da autêntica mensagem de Cristo, membros de seu corpo místico, alimentados com seu corpo real eucarístico, jogamos contra, através de nossas tolas lideranças, homens que tem a púrpura nas vestes, mas não na vergonha na cara. Vergonha, vergonha, vergonha de fazer corar Jeremias, Ezequiel e Baruc no exílio.

Simples assim, meus caros.

Simples assim.

Há bancada católica neste Brasil para parar a agenda abortista, gayzista, feminista, racista, in summa, marxista cultural???

Não? Sério? Não temos? Ou se a tivermos, tem ela força de deter este rolo compressor??

Então fiquemos caladinhos e estejamos a reboque, agradecendo a Deus se tivermos aliados que nos levem a reboque...

Guerra é guerra. E estamos lutando contra uma guerra de extermínio contra nós. Render-se não é opção. É por isto que eu grito em defesa de minha pátria espiritual: TROIANOS, LÍCIOS, ALIADOS!!!


CONTINUA

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2 comentários:

  1. Abrir mão da "pureza ideológica" só é compensador se houverem perspectivas reais de vitória. Nesse caso, vale a pena sacrificar alguns pontos programáticos em prol de uma aliança pelo bem maior. Contudo, no momento atual, não há a menor perspectiva de vitória. Por isso, simplesmente não compensa aos diversos grupos conservadores brasileiros abrirem mão das suas ideossincrasias para unirem-se. Se um dia no futuro houverem chances reais de vitória, aí talvez possamos pensar num conservadorismo unido.

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  2. O VATICANO II TEM SERVIDO DE "SPARRING"!
    Se juntassem as críticas diárias com que me deparo contra o V II nem imagino a quantidade, são a cada momento; pareceria que antes tudo andava bem desde a Revolta Protestante, mesmo no tempo da Revolução (Maçônica ) Francesa. Porém, depois dos papas João XXIII e do caixa de pancadas grande papa Paulo VI, então a partir desse, a Igreja deu no que está hoje.
    Já conferiram a listagem de dezenas de supostos cardeais maçônicos? Não? Lembrarei 2: o famoso Bugnini e Leo Suenens, esse o promotor do pentecostalismo sectário protestante na Igreja, seita vulgo RCC!
    O grande problema dos tradicionalistas verdugos do V II seria o apego a certos rituais externos, como se a Igreja fosse estática e certas mudanças interferissem na doutrina.
    MEU INIMIGO ME AJUDA CONTRA MEU INIMIGO:
    Essa tática vem desde os tempos idos, e aplicada no caso do Brasil: Lula, Onestíssimo como é, para reforçar-se no poder, não se juntou taticamente a seus grandes rivais como é Maluf, Collor, Sarney e muitos mais, à base de todos os meios justificam os fins dos comunistas e ainda teve a coragem de alugar o plantel do PMDB?
    E o outro caso do PT: ele, para se postar no poder, não se escudou em D Hélder e sua CNBB-CEBs, na TL com seus vários comunistas sacerdotes e, esses juntos, ardilosamente não usaram a verdadeira Igreja para ajudá-los subir ao poder e depois ambos mostrarem suas garras, naquela velha e manjada farsa de "Combater a Ditadura Militar" e na trapaça da "Opção preferencial pelos pobres"?
    Os mais audaciosos que agem dessa forma, inescrupulosos que são, se necessitarem, da mesma forma um dia, mutuamente mandariam uns aos outros sem cerimonias aos raios que os partam, pois já não mais necessitar da facção mais fragilizada, são assim.
    O caso da socialista CNBB: se a direção dessa pró marxista instituição desse ao menos uns piados contra os comunistas, imaginem de como estaria inversa hoje a situação pró Igreja, mas, por omissão e/ou conivencia, ajuda a perseguir a Igreja, e o questionável Julio Severo com relação ao viés socialista da CNBB tem suas razões.
    O povo parece que nem desconfiaria que por detrás de tudo isso existem grandes laboratoriios de engenharia social e as KGBs da vida em continuo trabalho de exterminar a Igreja via calunias e falsos conceitos, sendo a batalha de Satã e seus aliados contra Jesus Cristo"!
    Os reis da terra alinharam-se em campanha
    e os magistrados se coligaram de comum acordo
    contra o Senhor e contra o seu Ungido.

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