Não transformem economia no novo geocentrismo

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Meu post passado que a Epifania era uma solenidade liberal (em economia) suscitou alguns questionamentos, inclusive em relação às palavras do papa Francisco  na Evangelium Gaudium acusando o liberalismo. 

(Antes de continuar, eu me refiro sempre ao prosaico liberalismo econômico mesmo. Liberalismo de costumes e doutrina chama-se depravação e heterodoxia;  é o convite para o Inferno, fique posto e bem posto o mais claramente possível)

É óbvio que o liberalismo radical não é bom nem possível. Não é bom porque é necessário algum governo para segurar algo, como por exemplo com a questão dos bancos centrais, que são os bancos dos bancos e no fundo garantem (uma partezinha, é verdade) de nosso dinheirinho se o banco privado quebrar. Em segundo lugar, uma situação de liberalismo tende a extinguir o próprio liberalismo, no momento que os líderes de mercado começam a fechar o mercado para se manterem, o que é o inverso do liberalismo. Isto a história nos mostrou com os grandes monopólios de Morgan e Rockfeller e mais recentemente com o socialismo fabiano, isto é, os ricaços investindo na esquerda para ferirem o liberalismo no mundo e evitarem surgir concorrentes. É como o peixe no aquário morrer com o própria sujeira de suas fezes se acumulando.

Por outro lado, seu oposto que é o Estatismo, tem no marxismo é sua maior ponta de lança: o partido representa a classe proletária, o governo se dá pela ditadura do proletariado e o proletariado detém o monopólio dos meios de produção. Somando os termos Estado=Partido=Meios de Produção=Proletário (na vida real Partido<>Proletário). Não me venham com xurumelas revisionistas, mentirosos esquedopatas, eis o mais ortodoxo marxismo-leninismo bebido das fontes! Quanto ao Marxismo não há dúvidas, é intrinsicamente mal, cruel e diabólico, Leão XIII já o condenava e o papa Francisco já confirmou que o marxismo é mau em entrevista recente. Quem professa marxismo está excomungado latae sententiae. 

Agora vai a pergunta simples, e quem acompanha o blog sabe que é uma variação sobre o mesmo tema: Como está o mundo? Mais liberal ou mais estatista???

Mais estatista, sem dúvida.

Há dietas para ganhar peso e para perder peso. O que você receita para um obeso? Para perder peso, naturalmente. 

Ora, sabendo que o mundo sufoca em Estatismo e está dominado pelas esquerdas, que são imorais e inimigas da cruz, quais são as medidas que devemos apoiar? Ora bolas, o liberalismo! Sendo assim, é fato que os católicos devem apoiar políticas liberais que segurem e emagreçam o Leviathan estatal.

Simples assim. A coisa é bem prosaica e mundana. Não tem muita doutrina ai, não, é apenas cuidar da casa. Que aliás, é a distante origem da palavra Economia.

Não transformem a Economia no novo Geocentrismo. No passado, homens estúpidos dentro da Igreja no afã de pegar um desafeto, Galileu Galilei, que não passava de um vão cortesão (ele muito cientificamente chamou as luas de Júpiter com os nomes dos filhos do poderoso Médici da ocasião, lambe-botas que era), quiseram elevar o geocentrismo em categoria de doutrina, coisa que nunca foi, matéria de doutrina. Agostinho disse que onde não há doutrina, há liberdade em matéria válida e não-imoral. Enfim, o caso Galileu foi a vergonha que foi, motivo de acusação até hoje contra a Igreja de Cristo.

Ora bolas, não queiram enfiar goela abaixo que a Igreja tenha alguma doutrina sobre economia. A Igreja não tem nenhuma, a Igreja tem os Santos Evangelhos, que estão muito acima de qualquer prosaica economia de comprar e vender. Cristo condenou a falta de caridade do rico epulão, ironizou o acúmulo de bens do homem que morreria no dia seguinte, exemplificou o administrador desonesto, perdoou a um fiscal corrupto que devolveu o que roubou, elogiou ao jovem rico que cumpria os mandamentos, criticou o homem que não pôs seu talento para render, enfim, ganância, cobiça, caridade, lealdade, avareza, egoísmo, vícios e virtudes, graça e redenção, disto trata a doutrina celeste. Isto ocorre em qualquer sistema, seja no escravismo da Antiguidade, seja no feudalismo medieval, seja no capitalismo moderno, seja no comunismo dos tempos do Anticristo. A Igreja e sua doutrina estão muito acima do que é a moda da vez na economia, ciência do mundo, ciência em aberto, tal qual a astronomia na época do bajulador Galileu. Ainda haverá muita coisa nova em economia para surgir, ciência que é (especialmente porque é ciência não-exata, antes tivesse a disciplina e o rigor da Química e da Física!). 

Não queiram amarrar a Igreja em alguma doutrina econômica futuramente morta. Uma vez ouvi que o "cooperativismo" era doutrina da Igreja, ri para não chorar do tamanho da besteira (quer algo mais capitalista selvagem que vários pequenos se juntarem numa cooperativa para ganharem força de mercado e fazerem uma marca?). Rimos dos antigos que achavam que o Sol girava em torno da terra, não? Como não rir dos papas medievais que não conheciam o valor do dinheiro no tempo e condenavam os juros? (olha que até o rei da parábola evangélica pediu juros pelos dez, cinco e um talentos emprestados). Eis os perigos de querer transformar doutrina de ciência mundana, seja astronomia, seja economia, como doutrina da Igreja. Somos muito superiores a isto. 

Eu apóio o liberalismo para governos inchados assim como apóio a dipirona sódica para quem está com febre. Ponto final. Bem prosaico, bem mundano, bem pragmático. Não me bato por ele. Eu me bato por Cristo e sua doutrina eterna, eis o núcleo de minha crença e existência, cidadão que sou da Cidade de Deus. Mas como cidadão da Cidade dos Homens, julgo que falta liberalismo nela. Empresários e trabalhadores livres para comprar e vender "sem a marca da besta" estatal. Homens bons farão bons negócios. Homens livres decidirão suas vidas. E homens livres para escolher Cristo decidirão bem suas vidas. Quem segue os dez artigos do decálogo não precisa dos quatrocentos do código penal. Quem tem o peso e contrapeso da sua consciência fará bem trabalhando com ou para os pesos e contrapesos dos três poderes da República. Quem teme a Justiça Divina não tem dívidas com o Judiciário. Quem segue a Lei Divina não merece normas proibitivas do Legislativo. Quem executa fielmente a vontade de Deus não se corrompe no Executivo. O problema da política brasileira é a completa depravação moral de seus agentes, reflexo da contínua depravação moral do povo brasileiro. Brasília é o apenas o ponto focal do espelho côncavo da nação, lá apenas convergem e concentram-se os vícios de seus cidadãos. Estes psicopatas no poder são o resumo e concentração de nossos pecados e ignorâncias, que se encarnaram em aventureiros e pilantras para nos castigar. Salomão no livro da Sabedoria diz que o pecado gera o próprio castigo dos maus. Salomão era um sábio rei, deveria conhecer os males que se abatem em cidadãos depravados.

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Como post-scriptum, não dá para sentir um misto de piedade e raiva destes liberais de hoje em dia, que quanto mais são expulsos da arena política, onde poderia ser salutares, estão tanto mais convictos de suas teorias, cada vez menos aplicadas. Vão para a guerra! Não adianta querer ter razão absoluta na internet com quem já concorda em 95% com vocês. Vão enfrentar a máquina estatal, vão domar o Leviathan, vão ensinar à população para não cair nas mãos destes oclocratas esquerdistas! Enquanto vocês ganham debates, os petistas ganham as eleições.


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2 comentários:

  1. Caso o Frei me veja com febre, nao me de dipirona, pois sou alergico e posso morrer... No mais, exelente artigo! Desde a enciclica, que li parcialmente, fiquei com esta dúvida e tenho refletido sobre este problema, até que encontrei estes artigos.

    Com a devida venia, o Frei poderia escrever as enciclicas papais. Por que temos um Papa tao dificil de entender? Ou ele vem com um manual de hermeneutica para os fieis ou a sua fala será um castigo para nós de pouca fé.

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  2. SERIA CONVENIENTE EVITAREM SE INFORMAR NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, COMO NA GLOBO/FOLHA OU ASSOCIADOS - PARA NÃO SE DESINFORMAREM!
    Os canais da mídia de massa hoje em dia despejam pecados nos lares diariamente em tamanha quantidade que é possível pensar em termos de um canal de esgoto, desaguando imundícies espirituais para poluirem as mentes e as almas das pessoas de todas as idades - pior para as crianças em fase de formação, as maiores vítimas - apesar de sempre insinuando serem libertadores disso ou daquilo.
    Se revermos os valores do satanismo, segundo a Bíblia Satânica, de Anton LaVey, o satanismo ensina que seus adeptos devem entregar-se aos seguintes preceitos humanos e devem considerar essas práticas como a maior forma de expressão humana, por sinal, plenamente aceitos nessa satanizada sociedade atual:
    Ganância;
    Orgulho;
    Inveja;
    Raiva;
    Gula;
    Luxúria;
    O primeiro valor satânico que as pessoas são encorajadas a adotar é a ganância, sendo ganho ilícito, usura, ambição desmedida etc. e daí entendemos por que há tantos roubos e assaltos violentos, freqüentemente necessários para tomar o objeto ambicionado e muitas pessoas não querem trabalhar para poderem licitamente comprar as coisas que desejam; ao invés disso, estão descristianizadas, preguiçosas e ávidas de possuirem os muitos bens oferecidos pelo nosso sistema econômico, deixando se seduzirem pela ganancia e a inveja dos bens alheios - patrocinadas intensamente pela praga do ESTATISMO, característico dos regimes marxistas afeitos à cobiça/inveja: tomar dos outros para si, impedidores do liberalismo e do incentivo ao trabalho; regime de preguiçosos e aproveitadores dos incautos.
    Disso decorre de sempre os marxistas ferozmente se oporem à doutrina católica - liberal, cada qual deve se portar fundamentado em seus preceitos e bem aproveitar seu potencial e daí, que se mantiverem nesse patamar, a tônica será de harmonia, progresso e valorização dos que empreendem - há provas dessa situação em séculos anteriores quando a Igreja era ouvida, hoje preferem atender as ordens das ideologias - optando serem os hodiernos coveiros sepultadores dos talentos.

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