Engolindo um belo sapo sobre Müller

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Pois é... eu tenho muito medo de escrever no blog. Tenho medo de passar vergonha no futuro. Mil vezes penso em desistir. Mil e uma vezes Deus vem a mim e me dá a bronca de Jonas às portas de Nínive.

Quando o agora cardeal Müller foi colocado na Congregação para Doutrina da Fé, recebeu chumbo grosso de muitos católicos tradicionalistas e conservadores na internet. Só não apanhou mais porque foi Bento XVI quem o colocou, mas nas entrelinhas Bento XVI foi chamado de gagá pela escolha. 

Quando o Müller falou aquele "veja bem" para a Teologia da Libertação, chumbo grosso foi pouco, levou foi prata derretida no ouvido. Eu não tiro sua razão, a despeito de odiar a Teologia da Libertação, sei que lá no início ela recebeu o beneplácito de João Paulo II. Pobre João Paulo II, que erro colossal estratégico, depois de ter tão gloriosamente ferido de morte o marxismo no Leste Europeu abriu as portas a ele na América Latina. Tanto que quando o glorioso cardeal Ratzinger escreveu a condenação a TdL, não escreveu uma condenação a ela como um todo, mas aos seus "aspectos", veja bem, "aspectos" que se desviam para o marxismo. Eu odeio a Teologia da Libertação. Odeio mesmo. Na prática ela destruiu a Igreja no Brasil. Na prática, é uma heresia. Mas lá atrás em seus primórdios, enquanto o lobo estava na pele de cordeiro, teve um papa dando OK. E como diria Maquiavel, poucos homens conseguem ver os males nas suas origens, citando o exemplo da tuberculose: no início a doença é difícil de diagnosticar, mas fácil de curar. Evoluindo, era fácil de diagnosticar, difícil de curar. Não foi a primeira vez na História da Igreja que um papa deu o beneplácito para o início de algo que mais tarde se voltaria contra a própria Igreja. A infalibilidade papal ainda não contempla presciência. Sinto muito, papas não vêem o futuro... Quer dizer, não se Deus não quiser. E ele não tem querido muitas vezes. 

Enfim, Müller apanhou feio. Se você defendesse Müller em público, chamavam-te de modernista para baixo. Sempre assim. Sempre "modernista"! Estou de saco cheio. Tanto verem modernistas em que não era, os modernistas passaram a perna em todos... As vezes acho que há agentes do esquerdismo fingindo-se de tradicionalistas para espalhar contra-informação...

Agora, o Cardeal Maradiaga ataca Müller em público. E Maradiaga é bem, bem, bem "a la sinistra" em bom italiano, além de ser tido como a "Eminência Parda" do papa Francisco. Müller é acusado pelo cardeal sinistro (em italiano!) de ser muito dogmático e ver tudo preto-no-branco. Acusar o prefeito da Congregação para Doutrina da Fé de ser muito dogmático é como acusar um lutador de ser muito agressivo, ou um piloto de corrida de ser muito apressado. Enfim, Müller é alvo da ala sinistra (em italiano!) e será, male male, o campeão da ortodoxia.

Agora, por gentileza, engulam tudo o que se falou de Müller. Engulam caladinhos, quietinhos, engulam sorrindo. Não estou dizendo que o homem é mais puro que São Domingos Sávio e Teresa de Lisieux, mas não era o Belzebu encarnado que se falou dele.

Alguém pode dizer que é apenas uma briga entre extrema-esquerda e centro-esquerda, entre Fábio de Melo e Marcelo Rossi, entre PT e PSDB... Tudo bem. É pertinente o comentário. Mas antes de centrar chumbo no sujeito, vejam se no futuro não terá de se escolher o mal menor. As vezes, se não tem tu, vai tu mesmo. Politics as usual...




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3 comentários:

  1. TERIA DITO D MÜLLER: «As correntes teologias passam por momentos difíceis, se discute e se esclarece. Mas Gutiérrez sempre foi ortodoxo. Nós, europeus, devemos superar a ideia de sermos o centro, sem, no entanto, subestimar-nos. Ampliar os horizontes, encontrar um equilíbrio: isso eu aprendi com ele. Para abrir-me a uma experiência concreta: ver a pobreza e também a alegria das pessoas. Um Papa latino-americano foi um sinal do Céu.
    De fato, foi demasiado estranho, e segundo os melindrosos tradicionalistas, ter dito que Gutiérrez é ortodoxo soou mal, é aprovar a esquerdista TL dos Boff & Cia, e ainda se lhe dão um certo apreço é por causa do grande Bento XVI, mesmo assim: porque não teria escolhido outro?
    Já o caso de o Papa João Paulo II ter aprovado a TL, teria sido enganado nos detalhes e apenas lhe mostrado o que não contradiria a doutrina e muito menos envolvimento com marxismo, a principio; depois teria recuado ao saber do logro em que caíra e a partir daí a condenou, a basear-se em D Pestana.
    Dia 9 de abril de 1986 o próprio Papa João Paulo II escreveu uma carta à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, encerrando a polêmica de modo equilibrado e positivo, a carta do Magistério da Igreja sobre a Teologia da Libertação, estando a íntegra no site do Vaticano: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/letters/1986/documents/hf_jp-ii_let_19860409_conf-episcopale-brasile_po.html.
    Quanto ao cardeal Maradiaga atacar D Muller de ser muito ortodoxo, como mostrou, esclarece que tenderia a ser considerado defensor de uma doutrina socializada, bem à la TL e, quanto a calar-se por causa de possíveis erros, vale a intenção de acertar o máximo e, quem sabe, os censores existiriam apenas para descobrirem eventuais erros alheios, nada mais?

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  2. Lúcifer disse que Belzebu é muito bonzinho. Engulam tudo que falaram contra Belzebu.

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  3. Um dia ainda teremos saudades de Francisco. Sempre é possível descer mais.

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