É preferível estar dentro da Arca de um tolo Noé que no meio do mar na jangada dos puros.

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2 Comentários
Escrevem dois comentaristas. O primeiro nosso campeão, Roger:

Os lefebvristas descem a marreta direto no papa Francisco sem dó e piedade; em recente conferencia nos EUA, Dom Fellay fez-lhe pesadas críticas; não há dúvidas que essas imprecações contra ele só piora o estado de ânimo dos católicos, particularmente os mais tradicionais e (ou) possuidores de uma fé ainda não mais consistente, não se esquecendo que a mídia globalista, como sempre, mantém constante assedio às imprecações contra a pessoa do S Pontífice. 


O segundo um Anônimo ao qual reconheço os méritos da gentileza na argumentação:

Frei, o senhor é um padre e jamais falará mal do Papa de modo gratuito. Eles também são padres, idem. Não convém alimentar críticas às pessoas só porque elas são mais dispostas a brigar pela Igreja e fazer menos coisas baseadas no respeito humano. Odeio criticar padres (mesmo os piores; daria facilmente a minha vida por muitos padres), mas não se pode dizer que os da SSPX sejam ruins, ou mornos, ou relaxados, ou mesmo exagerados e bitolados. Eles têm um claro compromisso COM JESUS CRISTO E A ÚNICA IGREJA FUNDADA POR NOSSO SENHOR, fora da qual não há salvação. Eles têm tido grande cautela em criticar Francisco. O discurso recente de Fellay nos EUA é arrasador, mas bastante cuidadoso. Impossível discordar. Eu rezava com gosto por Bento XVI, mas pelo Francisco eu rezo quase desesperadamente. Não vejo SSPX como um problema! Vejo-os como um motivo que nos faz envergonhados por nossa fé fraca e prática insuficiente. O problema está no Vaticano, que vai esperar o castigo de Fátima para voltar a ser católico.  

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Os arquivos do blog estão ai. Não me encho de simpatias pelas atitudes da FSSPX, ainda que seja simpático aos católicos tradicionais. A FSSPS está em cisma. (De acordo com a Enciclopedia Catolica online: "O cisma é  rutpura da união e unidade eclesiástica" Ah, não se esqueçam que o "cisma passivo" é considerado resultante de excomunhão.).  Não um cisma grande, sedevacantista como bem registrou o rapaz no hang-out, mas um  "cisminha", um cisma menor, se é que pode ser chamado de menor a negativa doutrinária de documentos assinados por Paulo VI. Mas vamos dizer ser cisminha para não assoprar mais as labaredas. Queria eles conosco, ah, queria! Mas como disse a adorável jovem no hang-out, depois de Bento XVI está difícil. Por certo, é uma pena. Eu vejo os bons frutos que a Fraternidade São Pedro, que o Instituto Bom Pastor, que a Administração Apostólica S. João Maria Vianney fazem à Igreja do Brasil e desejaria mais gente deles. 

Por certo, Econe nunca será Avignon! Primeiro porque Avignon, assim como Roma e Antioquia da Síria, já foi sede legítima da Igreja (Ah, Perúgia, quase fostes!). Não lembremos desta adorável cidade apenas pelo cisma porterior em Avignon, lembrem-se que antipapa Nicolau V governou em Roma enquanto o papa legal, João XXII, estava em Avignon. Ou seja, a cidade de Roma já foi - teoricamente - cismática. Disse a "Cidade de Roma", não Roma enquanto metonímia da Santa Sé, fique posto.

Quanto aos "respeitos humanos" você pode olhar o copo meio cheio ou meio vazio. O que uns chamam de covardia e respeitos humanos, outros chamam de diplomacia e santa virtude da prudência, a arte de encontrar o melhor caminho. Houve os santos bocudos em determinadas ocasiões sim, mas a maioria deles foi bem diplomática e prudentes. Podem acusar São Francisco, São Tomás, São Domingos e Santo Inácio de respeitos humanos. Quantas mazelas na corte papal, quantos cardeais ociosos e ricos, quanta simonia e desrespeito estes homens não viram? Ousará alguém os chamar de covardes? Quantas mazelas Jesus Cristo não viu e não sabia dos seus sumos-sacerdotes, Anás e Caifás? Ousarão chamar a Cristo de covarde? Ousarão dizer que eles tinham "respeitos humanos"? Conclui-se, portanto, que "meter a boca" quase sempre mais atrapalha que ajuda. É uma faca cega, mais sangra que corta. A Inquisição real, não a de fábula, queria mais converter que punir, estava mais para uma instituição de ensino que penal. Na Igreja nós ouvimos centenas de milhões de quilos de esterco para pacientemente para tentar converter uma alma.

Quando São Paulo esteve em Atenas,  viu muita bobagem. Iria ele no Areópago dizer: "Atenieneses, nesta cidade só vi depravação, idolatria e filosofia furada!". Não converteria ninguém e talvez antecipasse seu martírio. E ele não estaria mentindo em nada. O que disse Paulo? Num exemplo da mais fina diplomacia e prudência apostólica, ele elogiou os atenienses pela sua religiosidade porque viu a cidade cheia de altares e de deuses. Ah sim, eram deuses falsos, mas ele elogiou "o copo meio cheio" não "o copo meio vazio". E qualquer um que conheça "A Cidade Antiga" de Fustel de Coulanges sabe que o "altar aos deuses de África e Ásia, aos deuses desconhecidos" nem de longe se referiam ao Deus Criador, mas sim à divindades menores que a pura superstição pagã não queria desagradar (o famoso pensamento "vai que..."). O que queria Paulo? Fazer um tratado teológico ou converter almas? E com seu discurso "cheio de respeitos humanos" Paulo converteu um membro do Areópago, Dionísio, enquanto aqueles que não foram convertidos inclusive o elogiaram e despediram com palavras gentis. E em Atenas os cristãos não foram perseguidos. Não se esqueçam que este mesmo Paulo fora cúmplice do assassinato de Santo Estevão... Na carta aos Coríntios e aos Gálatas sabemos direitinho como São Paulo poderia ser duro. 

Para mim o episódio no Areópago é um exemplo de Diálogo Inter-religioso. Sim, eu sei que os líderes muçulmanos, pelo menos os realmente fortes, querem é que todos nós cristãos literalmente nos explodamos. Mas tem de dizer a eles belas palavras ao "se unir em oração ao Deus de Abraão". Convenhamos, Allah não era o Deus de Abraão, e sim o Deus da lua, o Deus-chefe do panteão pagão árabe que foi dito por Maomé que era o Deus de Abraão. Assim como Áton não é o Deus único egípcio, mas um deus egípcio promovido por um faraó ou muito esperto, ou lelé da cuca. O Deus de Abrãao é o pai de Nosso Senhor Jesus Cristo! Mas tudo bem, tendo feita esta explicação apologética, o que não nos iria acontecer se o papa falasse umas verdades? "Ah, ele está tendo respeito humano com os marranos". Eu garanto a vocês, quem iria sofrer nem seria o papa, nem os católicos no ocidente, e sim os coitados no oriente sob a bota do Islã, presas fáceis do terrorismo. O papa falaria corajoso em Roma e dormiria sua noite em lençóis de linho e algodão, em Damasco, em Alexandria, em Beirute cristãos e igrejas voariam pelos ares com bombas terroristas. E se o papa reclamasse, como reclamou do atentado sangrentíssimo na missa de ano-novo em Alexandria, veneráveis imãs o mandariam calar a boca. Como o fizeram. 

Em resumo, tenho minhas dúvidas se "brigar" é tão bom assim pela Igreja. E é fácil brigar e falar muito cercado pelos seus. Convenhamos, se Francisco fosse um degenerado como um Inocêncio VIII, um Alexandre VI... até valeria que fosse tão criticado.  Mas Francisco, o único grave defeito é que vejo é fala bobagem quando vê um jornalista. Diante de um altar num sermão, Francisco é um doutor. Diante de um jornalista é um asno. Paciência, é um homem com virtudes e defeitos. Convenhamos, se compararmos aos maus papas do passado estamos no lucro. Não vejo que de tão ruim tem nele. Será que sou um tolo? Sim, sou um tolo em muitos aspectos, mas tenho fé que o mesmo Deus que deu as chaves do reino dos céus não a deixou se desviar. In te, Domine, speravi...

Para mim, a FSSPX é um paradoxo. Ela se diz tão tradicional, mas é modernista em muitos aspectos. Quer algo mais tradicional que se pelar de medo de excomunhão papal? Pois é, mas os quatro bispos dela, bem como seu fundador estavam excomungadinhos da Silva até uns anos atrás. E quando Bento XVI levantou a excomunhão, ao invés de se atirarem aos pés do Sumo Pontífice os beijando em lágrimas seus pés por os ter livrado do fogo infernal inevitável, citando Augusto dos Anjos, apedrejaram a mão que os afavagava e escarraram na boca que os beijou. Parecia um cão saciado que olha com desprezo arroz velho que lhe é servido. Pensar que por medo da excomunhão um Imperador ficou de joelhos na neve, e que um rei prendeu e torturou um papa. Eu não dormiria uma noite sequer se estivesse excomungado pelo papa. Pecado mortal tem absolvição por contrição in extremis, já excomunhão... Mas eu sou eu, né? Minha opinião é minha opinião.  

Vocês conhecem os Vétero-Católicos? Grosso modo, são os tradicionalistas que não aceitavam o Concílio Vaticano Primeiro, no século dezenove. Pois é. O que para nós é tradicional, a infalibilidade papal, já foi tida como perigosa invencionisse. Onde estão eles? Onde estão os vétero-católicos? Sumiram na história sozinhos... A pior arma da História é o desprezo. Os jesuítas foram perseguidos e retornaram. Os templários foram suprimidos e se disfarçaram em outras ordens. Mas aqueles a quem a Igreja e a História condenaram ao desprezo só restarão na memória de Deus para o dia do julgamento... 

Por tudo isto, o termo "nave-mãe" para a Igreja católica é errado. Porque pressupõe que existam outras "naves" menores que possam navegar fisicamente separadas, ainda que junto com a nave-mãe. O termo correto para a barca de Pedro na verdade é Arca de Noé. Porque fora dela tudo é destruído. Mesmo que o Noé/Pedro no comando seja (e já foi várias vezes) um bêbado, um simonista, um depravado, um relapso, um falastrão. É preferível estar dentro da Arca de um tolo Noé que no meio do mar na jangada dos puros. 


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2 comentários:

  1. NO COMENTARIO ANTERIOR ME ESQUECI DE ANOTAR QUE: SE OS CISMÁTICOS FSSPXistas TERIAM SUAS VIRTUDES, MESMO ENTRE SI ESTÃO DIVIDIDOS, COMO NAS SEITAS PROTESTANTES!
    Em todos os grupos cismáticos - em menor grau que bem distinguiu sr. frei - as divisões entre membros são notórias e, de quando em tempo, dão guinadas em direções quase opostas, dependendo do novo comandante; o relativismo não lhes escapa de forma alguma e, depois de certo tempo, desaparecem ou se dispersam, como no sectarismo protestante, em dezenas de milhares de relativistas seitas.
    A aparente procura de boas relações da Igreja com os pagãos, em particular com os muçulmanos, teria como escopo principal aliviar a pressão do fanatismo dos filhos de Maomé sobre os cristãos, de cara tidos em seus países como cidadãos de segunda categoria: o deus Alah de Maomé é um recém chegado do ano 622 DC que, além de irascível, é muito discriminador!
    Lembremo-nos do emérito papa Bento XVI em Regensburg, comentando a respeito de |Maomé com palavras do imperador Manuel II e o que sucedeu de mortes e perseguições adicionais aos católicos em seus países, naturalmente já expostos à sanha deles.
    Há autores muçulmanos reconhecendo que o islamismo não é uma religião de paz, ao promover conversões à base da força.
    A conclusão se impõe por si mesma: permanecendo em silêncio, os líderes ocidentais, que poderiam exigir seus “aliados” muçulmanos o mesmo tratamento para os cristãos que eles exigem para os muçulmanos no Ocidente, são de fato cúmplices de governos que perseguem ou matam cristãos, sem esquecer também dos eleitores de partidos comunistas, como do PT no Brasil, sempre simpáticos aos muçulmanos.
    No mais, obrigado sr. frei; creio que o trabalho missionario empreendido pelo sr. tem sido a meu ver, muito mais eloquente e convincente que certos mitrados por aí, quando não até dando aquela força às ideologias, como os supostos vermelhos da CNBB.
    Vermelhos, de fato, poderiam ficar depois...

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  2. Frei Clemente, essa situação com o chatos radtrads tem se agravado em especial envolvendo o Papa Francisco, e sobre isso escrevi um texto em meu blog sobre a nossa relação de fidelidade com o Papa (independentemente de qual seja) - http://alobrandalise.blogspot.com/2013/10/ser-catolico-e-amar-o-papa.html

    Engraçado é que um deles ficou nervosinho e foi me criticar no facebook, e aí chamei ele de radtrad depressivo - http://alobrandalise.blogspot.com/2013/10/um-radtrad-depressivo.html

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