Devagar com o andor que o entendimento é de barro!

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4 Comentários
Quando eu vejo um católico de hoje em dia citando a Unam Sanctam (1302) de Bonifácio VIII, sabendo o contexto do que se passava naquela época, a mentalidade que era diferente até na expressão,  temperamento de Bonifácio VIII (e porque não dizer seus pecados, já que era envolto em intrigas políticas com as famílias italianas e a real francesa, e nunca nem sequer em momento algum foi cogitado para canonização), tenho vontade de bater a cabeça na parece até sangrar. Tantos papas mais recentes, mais estudados, mais santos, sim, mais santos, para se citar e me vão com um orgulhoso nobre romano de setecentos anos atrás em guerra aberta contra o rei mais poderoso da Europa e com as famílias romanas rivais. Perto de Bonifácio VIII o irascível Joaquim Barbosa pareceria uma vovó assistente social.

As verdades católicas são universais, mas estas verdades são expressas na mentalidade da sua época e no caráter de seus interlocutores e da compreensão de seus ouvintes. Basta só comparar o tamanho da Unam Sanctam (2 páginas) com qualquer texto de um papa mais recente (não sai menos de 20 páginas hoje em dia). Como diria o Apóstolo, "quando eu era criança, falava como criança", o velho Paulo sabia que deveria se dosar a mensagem ao ouvinte. Há que se saber entender que os objetivos de Bonifácio VIII eram deter um rei ganancioso, não fazer apologética entre cidadãos de uma República.

Resumindo, citar a Unam Sanctam hoje em dia é como usar uma retroescavadeira para afinar um piano. É como usar uma tesoura de jardinagem para fazer um parto. Ainda que lícitos, são instrumentos inadequados aos objetivos cuja força bruta mais sangra e destrói que conserta.


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4 comentários:

  1. TENTANDO ENTENDER SEU PONTIFICADO À LUZ DA ÉPOCA...
    Quem estuda os documentos do Magistério dos Papas sabe que os reis medievais se submetiam ao Vigário de Cristo nos negócios que poderiam trazer danos espirituais aos indivíduos e às sociedades, e vale dizer que tal “poder” papal não era absoluto, no sentido de autocrático: o Romano Pontífice tinha acima de si a Cristo-Rei, cabeça invisível atuante misticamente na Igreja e no mundo — e neste contexto os reis, príncipes e imperadores eram os responsáveis pela salvaguarda do bem comum político, que formalmente não poderia divergir nem contrapor-se ao bem comum universal, cujo poder emana do alto e havia harmonia nesse sentido.
    O Papa e o imperador eram, pois, as duas cabeças que em sintonia governavam o hierarquizado mundo medieval, e se tal harmonia nem sempre foi um fato durante a Idade Média, ela foi sempre uma aspiração e um modelo para as sociedades e para os indivíduos, mas nessa época uma agressão ao papa Bonifacio VIII também serviu como símbolo do ataque à unidade da Igreja, nas perspectivas política e doutrinária. E as conseqüências disto se consumarão no decorrer dos séculos até ao presente, cada vez mais tentando sob todas as maneiras abolirem a atuação e influencia da Igreja e darem força ao laicismo, um Estado e religião em direções diferentes ou opostas.
    Ao abolirem gradativamente a Igreja e Jesus Cristo na historia e na vida humana, como o vemos já patentemente encarnado no homem atual civilizado(?), não deu como somatória o infernal ateísta século XXI?

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  2. Leonardo S. de Oliveira.29 de outubro de 2013 14:37

    Não entendi,o Sr. está dizendo que os Dogmas evolui de acordo com a mentalidade da época para com isso poder se encaixar com o pensamento hodierno?

    Esse seu texto não consegui entender caríssimo Frei, poderia explicar melhor para mim não cometer alguma falta contra a Igreja Católica.

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  3. UÉ, SERÁ QUE ESTARIA CONFUNDINDO O SR. FREI COM O PE FABIO DE MELLO?
    Seria o mais provável, pois reli o texto e nada achei de anormal dentro de meus resumidos conhecimentos; uma é certa: que a evolução dogmática é admitida pelo Pe Fabio de Melo disso sei, para honra e gloria da DITADURA DO RELATIVISMO, da qual certamente é um dos mais expoentes hierárquicos.
    Outra também pode ser correta: tentar compreender e aplicar a Unam Sanctam de um povo e época teocêntricos submetidos aos ensinamentos de Cristo e a seu Vigario com o de hoje aliado quase todo ao satanocentrismo impossibilita qualquer comentário.
    A doutrina é a de sempre, mas as abordagens se mudam em épocas diferentes, como nas partes acessórias.

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