Meditando a esmo na monarquia, que é boa enquanto é republicana

/
1 Comentários
Li a notícia que a rainha da Inglaterra mudou algumas regras da corte para que Kate Midleton, a popularíssima esposa do príncipe, tivesse de se curvar perante não sei qual princesa de sangue azul quando estivesse sem o marido. E que estariam arrasados com o que seria uma demonstração de ciúmes da rainha, e uma tentativa de colocar Midleton no lugar dela, não diferentemente do que fizeram com Diana. 

Coisas de monarquia.

Visitando a basílica de Saint Dennis, os túmulos dos reis da França, suspirei pelos Bourbon. Visitando o mosteiro de  São Vicente de Fora, os túmulos dos Bragança em Portugal, suspirei por eles, seja lá ou seja aqui.  É curioso que nestas horas a ler esta noticia inglesa, a despeito da confessa saudade que bate da princesa Isabel, nossos instintos mais republicanos vem a toa se revoltando contra este tratamento de nobreza X plebeus cujo único mérito está no nascimento. Surge então dentro de nós o republicano romano mais feroz, da estirpe de Brutus e Publícola desejando expulsar os Tarquínios. Ou no caso tupiniquim, o Marechal Deodoro de tão baixa auto-estima.

É bonitinho pensarmos em Elisabeth II como uma simpática vovó do mundo. Afinal, a coitada não consegue nem decidir se seu reino vai ou não à guerra. É tecnicamente a chefe da igreja anglicana e não dá um pito nela que vai acumulando as maiores barbaridades doutrinárias. Mesmo quando pegamos a venhinha e colocamos nela os quilos de ouro e pedras preciosas que são símbolos da monarquia, não achamos arrogância, e sim bonitinho, como a avó que se empeteca toda para o casamento do neto. Mais cafona que elegante, mas a vovó é a vovó, né? Vá o velho papa usar um dourado na mitra, o mundo cai em cima. A rainha da Inglaterra tem a licença das vovós de se cobrir de barroquismos. 

Ah, mas quando acontece essas coisas que lembra de fato que a monarquia é baseada em sangue, ai nos indignamos. E secretamente queríamos um Oliver Cromwell para trazer de volta a República Inglesa. Não digo da Revolução Francesa, este imenso banho de sangue desnecessário e mais soviético que republicano. 

Lendo os documentos do Concílio de Trento, eu me senti indignado lendo tanta babação de ovo à Carlos V de Habsburgo, o Imperador. Honestamente preferia o texto "votado" do Concílio Vaticano II. A sensibilidade de igualdade republicana é muito forte. E se obedecemos ao papa como um monarca absoluto, é um monarca absoluto eleito, o reino de Deus na Terra é uma república. 


Você também pode gostar

Um comentário:

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.