O que o Patriarca e o Núncio dizem da Síria

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Damasco (RV) via Radio Vaticana - O Patriarca Greco-católico de Antioquia, de todo o Oriente, de Alexandria e de Jerusalém dos Melquitas, Gregório III Laham, advertiu nesta quarta-feira que um ataque dos Estados Unidos contra Síria vai abalar a confiança do mundo árabe em relação ao Ocidente e seria um crime. "Escutemos o apelo do Papa pela paz na Síria. Se os países ocidentais desejam criar uma verdadeira democracia devem construí-la com a reconciliação, com o diálogo entre cristãos e muçulmanos, não com as armas. O ataque planejado pelos Estados Unidos é um ato criminoso, que provocará outras vítimas, além das milhares deste dois anos de guerra. Isto irá abalar a confiança do mundo árabe com o mundo ocidental".

"A voz dos cristãos – afirmou o Patriarca – é aquela do Papa. Neste momento devemos ser pragmáticos. A Síria tem necessidade de estabilidade e não tem sentido um ataque armado contra o governo".

Gregório III se pergunta: "Quais são as partes que levaram a Síria a esta linha vermelha? Quem levou a Síria a este ponto sem volta? Quem criou todo este inferno em que vive a população há meses? A cada dia – observou – entram na Síria extremistas provenientes de todo o mundo com o único objetivo de matar e nenhum país fez nada para pará-los, antes pelo contrário, os Estados Unidos decidiram enviar ainda mais armas".

O prelado reitera que um ataque dos Estados Unidos vai atingir, sobretudo, a população síria e não é menos grave que o uso de armas químicas". 


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Cidade do Vaticano (RV) via Radio Vaticana – Tem início nesta segunda-feira, 26, a inspeção da ONU sobre o uso de armas químicas na Síria. Uma decisão de Damasco atrasada, segundo os Estados Unidos. Precisamente Washington, – segundo a imprensa internacional –, estaria pensando em um ataque em breve tempo com o apoio de Londres. Rússia lança o apelo a não repetir os erros do Iraque
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Entretanto o governo de Assad assegura "plena colaboração aos inspetores da ONU inclusive o bloqueio total das hostilidades na área interessada". Portanto, sinal verde para as investigações sobre o uso de gás sarin contra os civis, fato que os rebeldes atribuem ao governo, enquanto a organização Médicos sem Fronteiras confirmou ter atendido um elevado número de pessoas com sintomas de intoxicação. Entre elas pelos menos 350 perderam a vida em hospitais da ONG.

A Rússia reivindica o sucesso diplomático de ter convencido o governo de Assad a colaborar, enquanto chama a atenção dos Estados Unidos contra a possibilidade de uma intervenção. Mas também o Irã traça a sua pessoal "linha vermelha" e adverte Washington: "se atacar a Síria, esperem consequências muito pesadas".

Mas o Presidente Obama, entretanto, aplaca a fúria da França e Grã Bretanha que gostariam de uma intervenção imediata: o chefe da Casa Branca reafirmou que sem o OK da ONU, não vai haver nenhuma ação militar na Síria. O que equivale a dizer que a intervenção não ocorrerá, pois a Rússia está pronta a por o seu veto. Na incerteza, porém Washington reforça a sua presença naval no Mediterrâneo: mais um navio somou-se à sexta frota já presente na área.

Sobre aos dramáticos eventos que estão se verificando na Síria, a Rádio Vaticano ouviu o
Núncio Apostólico em Damasco, Dom Mario Zenari.

R. - Eu, nestes últimos dias, vendo as imagens terríveis que chocaram todos, ouvi o grito dessas crianças, destas vítimas inocentes, este grito para o céu e um grito para a comunidade internacional: não podemos permanecer em silêncio, diante deste grito, diante deste apelo que chega desses inocentes! Naturalmente, eu rezo para que aqueles que têm responsabilidade neste campo - a comunidade internacional, os seus líderes - sejam dotados de muita sabedoria e muita prudência. Devemos fazer de modo que não se repitam nunca mais, nunca mais, esses crimes, esses massacres ... A comunidade internacional deve fazer todo o possível para não ver mais essas imagens que nos abalaram! É preciso encontrar os meios mais adequados e mais oportunos, que não compliquem a situação. Rezemos para que aqueles que têm essas responsabilidades tenham sabedoria e prudência.
P. - Parece cada vez mais provável que tenham sido usadas armas químicas ...
R. - A comunidade internacional está aqui para verificar e estabelecer e espero que haja colaboração por parte das autoridades locais e da parte de todas que estão envolvidos no conflito, de modo que se chegue a uma conclusão.
P. - Nessa guerra, entretanto, quem está pagando mais são sempre os civis, os inocentes, as crianças ...
R. - ... e isso está acontecendo desde o início do conflito, há dois anos e meio. Cerca de um ano atrás, quando aqui em Damasco, os sons da guerra se faziam ouvir, eu tinha a impressão de que a Síria estivesse iniciando a triste descida ao inferno. Hoje, após esses fatos, eu acho que nos questionamos se já chegamos ao fundo desse abismo ... 


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Um comentário:

  1. Fico me lembrando do pretexto que Hitler usou para invadir a Polonia, as armas nucleares que Saddan Hussein possuía, motivo da invasão do Iraque, a guerra da Bosnia para proteger as minorias muçulmanas e tantos motivos para tantas "guerras", e mesmo tomadas de bens alheios por suposição disso e daquilo, mas as verdades sobre cada caso seriam outras muito diferente das anunciadas pelos meios de (des)comunicação, (des)informando nesses casos...
    Esse caso seria promover a "democrática" Irmandade Muçulmana, que vive às turras com outras "irmandades" maometanas.
    Só o futuro Juízo de Deus é o que mostrará o quanto de fariseus existia em cada, podendo ser até eu mesmo um deles, quem sabe?

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