Tensões artificiais causadas por engenheiros sociais

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Reinaldo Azevedo: Causas reais, tensão artificial: Saúde, educação, infraestrutura… Nada disso anda bem. Há roubalheira no país. Os corruptos estão soltos por aí. O Congresso há muito é mero caudatário do Executivo, reunindo algumas figuras pouco recomendáveis. É claro que há motivos em penca para protestar. As causas são verdadeiras. Mas a tensão a que chegou o país é matéria de engenharia de opinião pública — e, como tal, embute um discurso político que tem de ser destrinchado. E eu não me furtarei a fazê-lo, ainda que tomando algumas porradas aqui e ali. Estou acostumado.

Tudo começou com um pleito absurdo de grupelhos de extrema esquerda em São Paulo, aliados históricos do PT: querem o tal "passe livre" e passaram a ser tratados como gente séria, de respeito, que tem algo a dizer. Na quinta, dia 13, manifestantes, que já vinham fazendo protestos notavelmente violentos, desrespeitaram um acordo feito com a tropa de choque em São Paulo e avançaram a linha do combinado. A PM reagiu. Essas coisas nunca são bonitas. Decretou-se, o que é uma mentira escandalosa, que os policiais é que haviam dado início ao conflito. Cenas de exageros da polícia — e tudo indica que aconteceram — passaram a ser exibidas insistentemente nas TVs. Os grupos organizados nas redes sociais se encarregaram de espalhá-las. Os vândalos e aqueles que usaram a sua mão de obra passaram a ser tratados como os utopistas de um novo mundo. Quando a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, atendendo ao clamor, especialmente da imprensa, combinou com o Passe Livre que não haveria tropa de choque na rua, balas de borracha, bombas de gás, nada disso, e que a cidade inteira era um território livre para a manifestação, os protestos se tornaram nacionais pra valer.

As Policias Militares de todos os estados passaram a ser tratadas como as forças de Muamar Kadafi ou de Mubarak. Deu-se de barato que estavam proibidas de intervir. As escandalosamente reiteradas cenas de barbárie nas ruas passaram a ser chamadas por aquilo que não eram: EXCEÇÃO! Nunca antes na história do mundo se viu uma exceção se repetir tantas vezes. Ora, em movimentos dessa natureza, é sempre uma minoria que parte para o ataque. A questão é saber qual era a sua conexão com a maioria ou com os organizadores do evento. O MPL, por exemplo, jamais condenou o vandalismo. Nunca! Numa entrevista coletiva, seus líderes disseram-se contrários apenas à hostilidade dos manifestantes aos jornalistas — e, claro, criticaram a polícia.

Insisto neste aspecto: a Polícia Militar é sempre a primeira força de contenção quando explodem conflitos de grandes proporções. Demonizada, satanizada nas ruas, tratada como bando de aloprados, vista como aglomerado de brucutus, qual seria a consequência? Some-se a isso uma reivindicação da imprensa que foi plenamente atendida: as cidades como territórios livres — das cidades, logo se chegou às estradas. Todos os acessos a São Paulo — ou saídas, se quiserem — chegaram a ser bloqueados. O aeroporto de Cumbica, uma área de segurança, ficou isolado. Se os patriotas decidirem fazer isso durante a Copa do Mundo, Luiz Fux chamará de "democracia"…

Mas lá estavam os engenheiros de opinião pública a decretar: trata-se de uma manifestação pacífica, infiltrada por alguns baderneiros. Não! Quebrar banco, invadir loja, depredar a Assembleia Legislativa, ah, isso não podia. Mas tomar as estradas, isolar o aeroporto, impor às pessoas uma rotina de guerra, ah, isso tudo bem! Com isso Fux, por exemplo, concorda. Com isso, as TVs concordam. Chamam de "manifestação pacífica".

As causas são reais? São! A "crise da democracia" é artificial. E eu lhes apresento uma espécie de "prova pela ausência".

(...) Por que digo que os problemas são reais, mas a tensão é matéria de engenharia? Porque parte deles, que assumiu a forma da urgência, é crônica. Alguns se tornaram mais agudos, é claro!, à medida que as políticas de inserção social dos últimos 20 anos — e elas existem — aumentaram o número de usuários de aparelhos do sistema público, escandalosamente ineficientes. E, então, chegamos a um busílis importante, (...) que são independentes entre si, mas conectados: a coloração que estão assumindo os justos protestos nos leva à solução ou pode criar novas e graves problemas? (...) Por que a educação é sofrível? Por que a saúde é uma lástima? Por que a segurança é precária? Por que a infraestrutura está em pandarecos? Não é por causa dos estádios da Copa nem é por falta de dinheiro (acreditem!).

O caminho que se abre pela frente — e torço muito para estar errado — caminho não é. Há um risco razoável de que esse militantismo sem alvo, ou de muitos alvos, crie novos e severos embaraços, maiores do que aqueles que já estão aí. De resto, meus caros, por melhores que fossem ou que sejam os propósitos, nunca vi nada de bom sair do desrespeito sistemático às leis e da agressão permanente a direitos fundamentais.



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Um comentário:

  1. Comunismo é algo tão maléfico que nem a Russia o quer mais, bem sabemos, sendo hoje excremento para exportação e deposição onde se instale; facilitaria-lhe o domínio dessas nações, sendo-lhe subservientes e fornecedoras de matérias-primas.
    Recentemente, os russos extinguiram os últimos resquicios do gayzismo; doravante, só no Brasil, USA...
    Aqui contaram com a TL e parte da CNBB para se instalarem, talvez seriam as peças-chave de todos seus empreendimentos.
    Poderiam ser os comunistas no poder humilhando a Igreja os parâmetros de nossa rejeição a Cristo e adesão ao satanismo, ostensiva oposição a tudo que seja Deus!

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