O Quarto Segredo de Dilma

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CELSO ARNALDO ARAÚJO 


Três anos de dilmês intensivo – em carga horária que me credenciaria a um pós-doutorado no estudo desse dialeto – e ainda estremeço ao ouvir Dilma. A reprodução que ela fez do diálogo privativo com o Papa Francisco, na coletiva depois do encontro, beira a insanidade narrativa — como o Augusto demonstrou magistralmente em post anterior. Não importa o que ele efetivamente disse a ela — certamente num português mais escorreito que o da presidente do Brasil — ou o que ela tentou dizer a ele, em dilmunhol. O grande problema é o que ela disse que ele teria dito. Não bastando dizer o que diz, Dilma ainda põe palavras suas nos lábios dos outros – e justo do papa!
Ao transcrever a conversa — que heresia — Dilma fez o novo papa falar dilmês: "Ele estava me dizeno que ele espera uma presença grande dos jovens na medida em que ele é o primeiro papa, ele é várias coisas primeiro".
Em dilmês é assim: a conversa já tinha acabado, Dilma dava entrevista à imprensa, mas o papa ainda estava dizendo alguma coisa lá dentro. Deve ter ficado falando sozinho. E, segundo Dilma, além de sua beatitude natural, o papa tem também uma imensa platitude – a ponto de afirmar que espera grande presença de jovens numa jornada mundial de jovens. Francisco, que é "várias coisas primeiro", é também o primeiro papa a se tornar ventríloquo de Dilma Rousseff.
Se o papa falasse como Dilma o transcreve, Jorge Mario Bergoglio não seria sacristão da capelinha da Villa 31, o bairro mais pobre de Buenos Aires. Ela empobrece e vulgariza tudo o que passa por sua fala – dos sentimentos mais nobres a uma receita de omelete. Dilma, que se diz economista e só não é doutora porque descobriram que não era, é a única usuária desse estranho patois que é o dilmês – expressão verbal que parece não ter passado por um processo completo de aquisição da linguagem. Imagine qualquer brasileiro presente na Praça de São Pedro no dia da entronização descrevendo uma hipotética conversa com o papa — nenhum diria as coisas que Dilma disse, como disse.
Assista ao vídeo de novo: a senhora que fala baixinho, dizendo em voz beatífica as maiores bobagens para soar como uma chefe de governo sintonizada espiritualmente com o pontificado de Francisco, parece uma estadista? Só se for pela pompa e pela circunstância de sua comitiva pagã – donos de agências de turismo calculam em 500 mil dólares, no mínimo, fora a parte aérea, os gastos com o beija-mão papal em Roma. Dilma não mediu custos. Foram 52 suítes no The Westin Excelsior e não se fala mais nisso. É aquela história – país rico é pais sem pobreza.
Mas não foi, em absoluto, uma viagem perdida. Na conversa com o papa, a presidente teve uma visão extraordinária, dela extraindo os Três Segredos de Dilma, a saber:
1. O papa é muito normal
2. O papa é muito modesto
3. O papa é muito importante para o momento em que vivemos
Este terceiro segredo de Dilma, como o terceiro de Fátima, ainda tem uma aura de mistério: queria ela referir-se, como mandaria a lógica, ao "momento que vivemos", indicando uma quadra específica da vida humana na Terra; ou, como de fato disse, ao "momento em que vivemos", o qual situa os sete bilhões de seres viventes da Terra em torno da descoberta de que estamos todos vivos, e ao mesmo tempo?

Mas há um quarto segredo, esse ainda insondável – quando for enfim revelado, virá à tona, em seus bastidores espantosos, o maior escândalo da história da República. Sempre que abre a boca, não importa o assunto, Dilma Rousseff passa a impressão de ser alguém que chegou à Presidência por um terrível engano. Os auxiliares mais próximos descobriram isso faz tempo. Não são burros — longe disso. Quando constataram o erro de pessoa, no dia mesmo em que Dilma começou a falar, ainda na pré-campanha ("Pra mim sê pré"), temeram pelo pior, temeram pelo fim do lulopetismo e das lulomamatas, com a derrota nas urnas. Mas, como nada se contrapunha ao notório engano, nem da parte da oposição nem por iniciativa da mídia, a turma relaxou e a farsa acabou vingando.
A presidente revelou-se logo tão ou mais desastrosa que a candidata, mas, de novo sem contestação, as forças que colocaram Dilma na Presidência assumiram Dilma como ela é. Atualmente, o Portal do Planalto transcreve suas falas na íntegra, sem pentear um anacoluto ou disfarçar uma verruga sintática. São peças históricas – pela ousadia e pelo deboche.
Porque simplesmente não é possível, não é normal, não é aceitável que uma pessoa investida da condição de presidente da República tenha essa dificuldade patológica de expressar uma ideia, um conceito, uma opinião, uma analogia, um sentimento, uma sensação… uma conversa amena, descontraída e privilegiada com um papa que faz questão de deixar tudo e todos muito à vontade.
O que leva alguém a supor que uma pessoa com esse nível de estrato verbal tenha competência para ser presidente da República? Que entenda e processe convenientemente, por meio de argumentos bem articulados, sem platitudes contraproducentes ou pastiches de clichês, a miríade de temas nacionais que mobiliza um presidente da República?
O quarto segredo de Dilma ainda está longe, muito longe, de ser desvendado – haja vista sua extraordinária popularidade e a certeza quase estatística de que será reeleita no primeiro turno de 2014.
Será que o Papa Francisco já está habilitado a desfazer milagres?
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Silêncio de ouro (Carlos Brickman)



Do chanceler Antônio Patriota, explicando por que a comitiva brasileira à coroação do papa ocupou meia centena de apartamentos em hotéis de luxo, em vez de usar a magnífica Embaixada brasileira: o novo embaixador ainda não ocupou o cargo. Dúvida: será que só o embaixador tem a chave da porta? 


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2 comentários:

  1. Se o sr frei continuar postando figuras de "diálogos" de Dilma (ou "Stela") com o S Padre os fariseus do antigo Templo de Jerusalém, quem sabe, ressussitariam antes da hora: além de o atacarem, também a Dilma por ela os ter superado em hipocrisia, não aceitariam jamais os ultrapassarem.
    Quando àquele senhor outrora conhecido como "sapo barbado" pelos evangélicos, hoje muitos alinhados a ele seria adorador do G.A.D.U.
    Eu estava de olho no "Olho de Hórus" dentro do triângulo sobre ele, inspirando-o, o dito cujo da cédula do dólar...

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  2. SATANÁS É BRASILEIRO!
    Foi fácil constatá-lo, tomando como base a música do José Fighera Salgado, ora abaixo com o link para ouvi-la, e um país onde sucedem os fatos cantados em verso e prosa coincidindo com os sucedidos reais do dia a dia, de igual forma atitudes de cidadãos e governo são de seus de obreiros por serem um contraste ao cristianismo; doravante insistirei muito nesse tema e descoberta, por certo também apreciará: COMPROVADAMENTE: SATANÁS É BRASILEIRO!
    Incluem-se todas as suas legiões; o povo o tem preferido a Cristo, inclusive elegendo funcionarios do mesmo Satã para os governar, como o PT do satanista Marx.
    Ouçam-no em:
    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=aj5KIg61Wjk

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