Minuto com um Papa: Bento XVI (Magno)

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A primeira Carta de São Paulo dirigida aos Coríntios faz-nos descobrir, neste ano paulino que foi inaugurado no dia 28 do passado mês de Junho, como os conselhos dados pelo Apóstolo continuem actuais. «Fugi do culto dos ídolos» (1 Cor 10, 14), escreve ele a uma comunidade muito marcada pelo paganismo e dividida entre a adesão à novidade do Evangelho e a observância de antigas práticas herdadas dos seus antepassados. Então, fugir dos ídolos significava deixar de honrar as divindades do Olimpo, deixar de lhes oferecer sacrifícios sangrentos. Fugir dos ídolos era seguir a escola dos profetas do Antigo Testamento, que denunciavam a tendência do espírito humano a forjar para si mesmo falsas representações de Deus. Como diz o Salmo 113, a propósito das estátuas dos ídolos, estas são apenas «prata e ouro, obra das mãos humanas. Têm boca e não falam; têm olhos e não vêem; têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram» (vv. 4-5). À excepção do povo de Israel, que tinha recebido a revelação do Deus único, o mundo antigo estava submetido ao culto dos ídolos. Muito presentes em Corinto, os erros do paganismo tinham que ser denunciados, porque constituíam uma forte alienação e desviavam o homem do seu verdadeiro destino. Impediam-lhe de reconhecer que Cristo é o único e o verdadeiro Salvador, o único que indica ao homem o caminho para Deus.

Este convite a fugir dos ídolos permanece válido também nos dias de hoje. O mundo contemporâneo não criou, porventura, os seus próprios ídolos? Acaso não imitou – talvez sem dar por isso – os pagãos da Antiguidade, desviando o homem do seu fim verdadeiro, da felicidade de viver eternamente com Deus? Trata-se de uma questão que todo o homem honesto consigo mesmo não pode deixar de se colocar. O que é importante na minha vida? O que é que ponho em primeiro lugar? A palavra «ídolo» deriva do grego e significa «imagem», «figura», «representação», mas também «espectro», «fantasma», «vã aparência». O ídolo é um engano, porque desvia da realidade quem o serve para o encerrar no reino da aparência. Pois bem, não será esta uma tentação própria da nossa época, a única na qual podemos agir eficazmente? Tentação de idolatrar um passado que já não existe, esquecendo as suas carências; tentação de idolatrar um futuro que ainda não existe, julgando que o homem possa, simplesmente com as suas forças, realizar a felicidade eterna na terra! São Paulo explica aos Colossenses que a cobiça insaciável é uma idolatria (cf. 3, 5) e recorda ao seu discípulo Timóteo que a avidez pelo dinheiro é a raiz de todos os males. Por se terem apegado a isto, esclarece ele, «alguns desviaram-se da fé e enredaram-se em muitas aflições» (1 Tm 6, 10). Porventura o dinheiro, a sede do ter, do poder e mesmo do saber não desviaram o homem do seu Fim verdadeiro, da sua própria verdade?


Bento XVI, 2005-2013, HOMILIA DO PAPA BENTO XVI, CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA NA ESPLANADA DES INVALIDES. Paris. Sábado, 13 de Setembro de 2008.



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Um comentário:

  1. MAGNO, MAGNO, MAGNO!
    Lamentei e muito a forçosa renuncia do S Santidade Bento XVI por o considerar apto ao todo para sequenciar a assepsia na Igreja e mesmo impulsionar a evangelização.
    Não é insubstituível, porém à sua altura para conduzir a Igreja pela perspicacia, conhecimentos gerais, atitudes de defesa da Igreja contra sutis inimigos a seu lado demonstram suas quase insuperáveis qualidades, merecedores de um MAGNO elevado à sua mais alta potencia atualmente.
    Dentre muito mais, é bom recordar que foi o autor do desmonte das falacias da DITADURA DO RELATIVISMO em suas diversas nuances que coexistia dentro da Igreja, passando-se por catolicismo mas inoculava camufladamente nos católicos o veneno da heresia.
    Taí a esquerdista Teologia da Libertação (dos pobres dos comunistas...) em sua variantes que o confirmam, aliada ao marxista PT que durante muitos anos dissimulada e candidamente proliferou na Igreja.

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