Banco do Vaticano - Pergunta moral aos leitores em tempos de Vatileaks

/
1 Comentários
O Vaticano não tem banco. O que se chama de banco é o Instituto para as Obras de Religião. É uma instituição financeira mas que não está totalmente em conformidade com as normas bancárias internacionais de Basileia. Bento XVI se debruçou neste problema de regularização mas sua obra não terminou. O IOR é provavelmente o maior potencial de escândalo na Igreja, porque transfere grandes quantidades de dinheiro e opera num estado independente. Ou seja, o IOR pode ser usado para transportar internacionalmente grandes quantidades de dinheiro, desde o pio óbolo de São Pedro ou - não que aconteça - dinheiro mais sujo. 

O termo "lavar dinheiro" é porque o fisco americano não podia rastrear o dinheiro sujo e miúdo que a Máfia atribuia à receita de suas lavanderias de fachada. Igrejas, especialmente as igrejolas neopentecostais que surgem e fenescem como a erva dos campos, são excelentes lavanderias de dinheiro. Logicamente, dada a seriedade e controles da Igreja católica, ela não pode ser usada para lavar dinheiro. Mas que tecnicamente poderia, ah, poderia. Com a facilidade que o Estado do Vaticano poderia ser um paraíso fiscal, um Estado que recebe o dinheiro e não se submete à auditoria dos fiscos nacionais. 

Acontece que nem sempre estas falhas de "compliance" do Banco do Vaticano são para o mal. Imaginem, por exemplo, se o IOR - como no passado há relatos no leste europeu - seja usado para transferir "por fora" dinheiro para assistência à católicos oprimidos em países que pisam na religião? Certamente um governo chinês ou iraniano não deixaria que um banco comercial com dinheiro rastreável chegasse aos dissidentes, né? A diplomacia Vaticana deve ser secreta para o bem, e tenham certeza que ela é muito ativa. Sim, nem toda secretividade é negativa. Não queiram todos saber o que se faz pelos católicos da China ou Coréia do Norte, para o próprio bem deles, que seriam esmagados mais ainda por estas tiranias. Dinheiro de doação "por baixo dos panos" que entre num país para ajudar pobres legalmente é tão irregular quanto dinheiro do tráfico de drogas (logico que não penalmente, mas garanto que uma ditadura criminalize mais ajudar a dissidência política que dinheiro de drogas).

Muito bem, muito bom, eis a pergunta moral. Até que ponto a secretividade dos "problemas" (ou não) do Banco do Vaticano - secretividade esta mantida por Bento XVI - não é para poder ocultar o Bem que Estados Nacionais contrários à Igreja desejam deter? Até que ponto os cardeais que trabalham no Estado do Vaticano, mormente Bertone, não estão sendo crucificados para poder ocultar boas ações da diplomacia (inclusive financeira) do Vaticano para o bem? Sim, meus caros, Pyongyang, Havana, Caracas, Pequim, Teerã adorariam este tipo de transparência.

Fica ai lançada a pergunta. O que não quer dizer que - dado a tendência dos homens ao mal - um dia (ou quem sabe já tenha sido) o IOR não possa ser usado para o Mal. Mas pode o ser para o Bem, como já o foi, e - quem sabe - não vem sendo. 


Você também pode gostar

Um comentário:

  1. Os que cobram transparencias são justamente os menos transparentes, como os comunistas acima citados.
    O PT é explícito exemplo de quem nada possui e aprecia de claro, transparente, muito ao contrario; ele pertence ao time do governo marxista da Venezuela que fez o povo de idiota acompanhando o Chávez pelas ruas de Caracas.
    Feito de cera!
    Quer transparencias de comunistas?
    Satanás tem explicação.

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.