A campanha pela eleição do Papa brasileiro terminou. É hora de começar a tratar da redução do rebanho de pecadores no poder

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2 Comentários
Augusto Nunes foi ao ponto, rápido e mortal, sobre a eleição do papa e da mistura de patriotismo que infectou os brasileiros.

Como se fosse pouco o fato de Deus ser brasileiro, boa parte do rebanho do País do Carnaval passou os primeiros dias de março exigindo ou comemorando antecipadamente a eleição de um Papa nascido aqui. Metade dos torcedores não decorou a primeira parte do Salve Rainha, a outra metade esqueceu a segunda parte do Credo. Isso é irrelevante, decidiram os redatores de manchetes e os editores de telejornais, todos amparados em argumentos despejados por vaticanistas de jardim da infância.

O Brasil, como aprendemos já no berço, é o maior país católico do mundo. Lula conversa com o Pai e aconselha o Espírito Santo pelo menos duas vezes por semana. Portanto, está mais que na hora de instalar um representante do Brasil Maravilha no trono reservado ao representante de Deus na Terra. Ainda mais se temos em disponibilidade um cardeal como dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo e um dos mais influentes figurões da Santa Sé. É candidato para fumaça branca já na primeira votação.

Ainda não foi desta vez, frustraram-se os manifestantes que desde segunda-feira berram na Praça de São Pedro a palavra de ordem que fundiu a pátria e a fé: "O Papa é do Brasil!". É da Argentina, acabam de saber 1,2 bilhão  de católicos apresentados ao novo chefe da Igreja: o cardeal Jorge Mario Bergoglio vai reinar com título de Francisco.  Deu zebra, começam a balbuciar os vaticanistas que confundem terço com gravata. É nisso que dá brincar de doutor com assuntos que não se conhece nem de vista.

Terminada a campanha, que tal descobrir que o ano já está no terceiro mês e há problemas de sobra a enfrentar no país comandado por Lula e gerenciado por Dilma Rousseff com a ajuda de 39 trapalhões? Dispensado de pensar na eleição do Papa, o rebanho precisa usar a cabeça em eleições domésticas. Já que não emplacaram o Santo Padre, os brasileiros podem reduzir a frustração mandando para casa ou para a cadeia os pecadores que infestam os Três Poderes.Um Papa nativo seria obrigado a excomungar um por um os compatriotas que, alojados nas cercanias dos cofres públicos, espancam os Dez Mandamentos e colecionam pecados capitais. As urnas podem fazer, e em escala industrial, o mesmo serviço. Oremos.



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2 comentários:

  1. Excelente texto!

    Agora a mídia volta a deixar o Vaticano de lado.
    Ainda tem um período de piadinhas pelo fato do novo Papa ser argentino, misturarem com rivalidade futebolística, etc.

    No mais, vai ser bom ter Dom Odilo de volta em SP, que continue firme e defenda nossos valores.

    E Viva O Papa Francisco I
    Que viva tanto ou mais que Pedro

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  2. DECEPCIONOU A MUITOS SUPOSTOS CATÓLICOS!
    IDEM A “TEÓLOGOS E SACERDOTES DO PT”!
    Há quem imaginasse, parecendo-me não serem poucos, que elegeriam um novo Papa afinado ao século XXI, modernista, ainda que não fosse ao todo, mas viesse logo com a retórica de mudanças; de repente, deparam-se com um jesuíta, por séculos os guardiães da doutrina católica desde a rebelião protestante, tropa de choque, otimamente formados e vinculados às missões evangelizadoras mundo afora e conservadores.
    Muitos suporiam que o recém eleito seria dos atentos de imediato com debandada de católicos para seitas e ideologias: nada disso: ele incrementará as missões a partir de cada um e extensiva a todos os lugares; é o carisma jesuítico individual e universalista; para eles, qualidades sobrepõem-se a números.
    Muito menos concessões a um cristianismo relativista a título de se angariarem fieis, melhor, clientes; existem versões da Teologia da Libertação a se encarregarem do múnus desse atendimento.
    Terá um herculeo desafio de governar a Igreja frente às dissensões internas, mundiais em particular num tempo em que parte do mundo rendeu-se às ideologias social-comunistas – muitos países cristãos, como o Brasil – insurgindo o homem contra tudo que seja Deus.
    De nossa parte, colaboraremos para nos mantermos o mais fiel a ele, como antes a S Santidade Bento XVI pelo bem da Igreja.
    Quanto à sua eleição, os criterios de escolhas de Deus em nada conferem com as casas de apostas que se baseiam em criterios humanos de conveniencias ou opções.
    Aguardemos as múltis acusações de o novo Papa Francisco I manter a Igreja retrógada; não eles se converterem, mas Cristo adaptar-se ao secularismo...

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