Retiro de Carnaval com o Frei Rojão - I

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2 Comentários
RETIRO DE CARNAVAL, ie, PRÉ-QUARESMAL 2013
Meditação I - Sábado
"A Criação sai de Deus Pai"
Bom dia, meus filhos!

Começando este retiro de Carnaval com esta meditação que deve permear todas as atividades e práticas de piedade deste dia. Como vocês sabem, os requisitos formais de minhas meditações são relaxados, todos vocês conhecem as escrituras de cor e salteado, portanto citarei os trechos como discurso indireto. Vocês sabem do que estou falando.

"A palavra do Senhor criou os céus e o sopro de seus lábios as estrelas" Sl 92
O nada não gera algo, pensavam alguns filósofos antigos, pelo menos os bons. Esta conclusão é meio óbvia. Lembra o ditado calabrês "Dinheiro gera dinheiro, piolho gera piolho". 

Mas para algo gerar, é necessário ser da mesma essência, ser da mesma espécie. E a matéria e energia neste universo são finitos, a geração se dá no sentido da trasnformação. Seres humanos geram seres humanos, os pais dão seu código genético e o corpo da mãe fornece o material para crescer o bebê. Matéria (ou energia) gera matéria (ou energia). Gera no sentido de transformar, fique posto.

"Na Natureza, Nada se cria, tudo se transforma" disse Lavoisier, e depois Proust, e depois Einsten como o primeiro princípio da Termodinâmica. Matéria e energia se transformam e se trocam.

Mas... quem criou? O nada? Se o nada, sendo natural, criasse matéria/energia, a matéria/energia e o nada deveriam ser da mesma essência. Se nada gera matéria, está para ser provado, até agora a Ciência nunca disse isto, nem há nada que indique isto. Mesmo os quarks vêm de outros quarks e de outras energias.

Sendo assim, pode-se concluir que a existência da matéria é infinita? Nego. A segunda Lei da Termodinâmica preconiza a passagem do tempo pela degradação da energia. Sendo que a energia se degrada, ela esteve num estado menos entrópico, menos degradado. Ora bolas, é possível concluir que esta lei universal é natural e não é violável, portanto a existência pregressa de energia não degradada é um evento que violou a própria física.

"Ué, é um retiro de física?" dirão. Filhos, da Física à Metafísica. Do Natural ao Sobre-natural. Sabendo que o nada não gera algo, e sabendo que este algo se transforma no sentido da degradação da energia, portanto tendo partido de um estado de menor entropia, só mesmo algo SOBRE-Natural pode ter Criado.

O ato criativo é um ato intelectual. Quem negar, dirá que os artistas e poetas são amebas. O único animal criativo é o homem racional. Havendo uma criação universal, este ente sobrenatural criativo deve ser intelecto. Se como diria meu amigo Descartes, aquilo que pensa, por ter intelecto, existe porque tem consciência de si.

E por criar ex-nihilo, deve ter uma potência criadora tal que seja infinita, ao ponto de algo vir do nada. Por mais que se tente, não há número que multiplicando por zero o faça virar um. Não há potência, senão uma infinita, que gere o algo a partir do nada. Sendo omnipotente e intelectual, a potência infinita de fazer também é uma potência infinita de saber, por prever o que será antes de ocorrer, ex-nihilo do ex-nihilo até mesmo do tempo. Saber algo é uma coisa, saber algo antes do ato de saber ser possível pela existência do tempo é uma potência de saber imediata e infinita, porque é realizada num tempo que nem zero é, é atemporal, é fora do tempo.

Estão acompanhando? Descrevemos a Deus! Sobrenatural, antes do tempo (que é o fluxo da energia na criação), ciente de si, isto é, pessoal, omnipotente, omnisciente.

Esta conclusão que chegamos milhares de filósofos e cientistas chegaram. Mas, como Moisés na sua Epifania, vemos apenas Deus pelas costas. Vemos apenas o vulto de Deus com nossa inteligência. Ele não veio a nós, mostrou sua face e disse: "Muito prazer, filho, eu sou teu pai, eu te gerei do nada".

Há o Criador! Quem é, contudo, este Criador? Quem és tu, Senhor Criador? Qual teu nome? Como é tua face? Quem és tu, Deus que é meu pai, meu Deus-Pai Todo Poderoso, Criador do Céu e da Terra e de todas as coisas visíveis e invisíveis? Os povos te procuraram e te deram muitos nomes, Zeus, Marduk, Amon, Tupã... erraram quando quiseram te combinar em vários, porque bastava a ti mesmo, Suma Potência, Suma Ciência, meu Deus-Pai Criador, que nos formou do sopro de teus lábios. Quem és tu?

"Tu és meu filho, eu hoje te gerei" Sl 2 (Museu do Vaticano)
Tu te apresentastes, contudo, aos justos. E falastas com Henoc e Noé. Falastes como amigo e aliado a Abrãao, Isaac e Jacó. Finalmente, na sarça, lembrado da promessa que fizestes, tu, omnipotente e imortal, aos patriarcas frágeis e mortais, dissestes a Moisés que "Eu sou aquele que sou", o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó. "Aquele que é" por amor à Criação e aos seus diletos, num ato de humildade daquele que tudo pode, se diz Deus dos mortais. Não Deus, mas Deus de Abrãao. Deus da sua própria Criação, Deus de uma criatura. Antes mesmo da encarnação humilíssima do Filho, o Pai "se encarnou" na lingua humana se descrevendo como o Deus de Abraão. 

Deus, meu Deus Pai! Meu Pai! Que louvores posso te fazer por teres me gerado, por teres me arrancado do nada com um ato de tua inteligência? Meu Deus Criador, Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó! Fala comigo, tu que é intelecto e portanto te comunicas! Por que o mundo é assim, torto? Se criastes, e és bom, porque há o mal? Quem nos degradou? Quem nos deixou assim? Na próxima meditação abordaremos estes temas.


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2 comentários:

  1. Alguém me explica porque no Carnaval os padres somem e não tem Missa para os pobres fiéis?

    Será que resolveram entregar o mundo ao capeta nestes dias?

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  2. Muito simples a resposta, cara Lorena:

    Não há mais "pobres fiéis"

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