A causa secreta de Júlio Lancelotti

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Reinaldo Azevedo escreveu um texto que me deixou com inveja por não ter escrito. Eis Júlio Land Rover Lancellotti de novo. De novo! Mas eu já estrago o climax: A causa secreta dele é o PT na Terra e o Cramulhão no Além. E a do Land Rover que pagou para um menor de 17 anos...
Eis a notícia que copio e o texto... ah, por que não o escrevi? 

A perversão da religião – A estupidez de dois padres


Leio no Globo que o padre Julio Lancelotti — e um outro que pretende, pelo visto, disputar com ele o bastão — protestou contra o programa do governo de São Paulo que permite a internação compulsória de viciados em crack, com a autorização da família ou a determinação de um juiz. O Ministério Público, a Justiça de São Paulo e a OAB acompanham a ação.

Leiam o que informa Gustavo Uribe. Volto mais tarde para perguntar em que altar se ajoelha esse tal Lancelloti. E não adianta ele me demonizar por aí porque não dou a mínima. Não acredito em praga de padre.

O programa de internações involuntárias de dependentes químicos em São Paulo começou com protestos, nesta segunda-feira. Com cartazes que traziam inscrições como "somos contra políticas higienistas" e "usuário não se prende", um grupo de 40 pessoas, ligados a movimentos sociais e entidades religiosas, fizeram uma manifestação em frente ao Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod), no centro da capital.

Os manifestantes cobram do governo de São Paulo uma política humanitária no combate às drogas e avaliam que a internação compulsória não é eficaz no tratamento de dependentes químicos.

O padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua, considera que a iniciativa do governo estadual é "drástica" e não eficaz. Segundo ele, o governo de São paulo deveria colocar assistentes sociais e psiquiatras nas periferias de São Paulo, e não concentrar o atendimento em um único centro de referência.

"Há uma carência de atendimento social na cidade. Essa é uma medida drástica e bombástica, que quer facilitar algo que é ineficaz", criticou o padre.

O padre Raniel, da Fraternidade do Caminho, considera que a medida é opressora e atenta contra a dignidade do dependente químico e o seu livre arbítrio. Para ele, é necessário dar o poder de escolha ao dependente químico. "A igreja quer respeitar a dignidade do ser humano. Que ele tenha o poder de escolha, que ele possa se recuperar da dependência química", afirmou o padre Raniel.

Agora vem o texto>

A internação de viciados. Ou: Qual é a causa secreta do padre Júlio Lancelotti? Ou: Caridade concupiscente é pecado!


Quando a Igreja Católica permite que tipos como o padre Júlio Lancelotti, da dita Pastoral de Rua, atuem livremente, corre o risco de se desmoralizar. Aliás, corrijo-me: desmoraliza-se, sim, sempre um pouco mais a cada dia, um pouco por dia, de forma contínua e, se querem saber, inexorável. Não recupera mais o que perde. O padre voltou à ribalta, ou ao palco, depois que um casal que o achacava acabou condenado, o que soou a muitos como uma absolvição do religioso. Ninguém nunca entendeu, ou entendeu, com quais elementos Lancelotti era chantageado. O certo é que, em sua infinita generosidade cristã, haveria comprado um carro de luxo para um ex-interno da Febem, de quem se tornou amigão. A hierarquia fez de conta que estava tudo bem.
Lancelotti pertence à tal "Pastoral de Rua", uma herança maldita que a Escatologia da Libertação deixou para a Igreja. Pastorais as há muitas: de rua, do índio, disso e daquilo. Só falta criar a Pastoral dos Ateus Militantes. E minha ironia é menos absurda do que parece. Afinal, existem umas senhoras que se dizem "Católicas pelo Direito de Decidir". Defendem a legalização do aborto. Católico a favor do aborto é, assim, como republicano a favor da canonização (que está em curso) de Barack Obama… Ou, se quiserem, como democratas que reconhecem em "Jorjebúxi" um estadista… Mas volto.

O governo de São Paulo decidiu dar eficácia à lei que permite a internação de dependentes químicos que perderam a condição de fazer as próprias escolhas. E atua cercado de todos os cuidados. Recursos públicos estão sendo empregados para mobilizar médicos, juízes, Ministério Público e OAB. Trata-se, já escrevi aqui, de uma situação realmente delicada. A chance de haver abusos em casos assim é grande. Daí a necessidade de cuidar das margens de erro.

Muito bem! O que fez o padre? Foi para a rua, como é de seu costume, quando, do outro lado, existem iniciativas que não são comandadas pelo PT, um dos ídolos pouco pios diante do quais ele se ajoelha.

Tenta pespegar na iniciativa a pecha de "higienismo", selo que passou a usar para designar supostas ações de "limpeza social", que, de fato, nunca existiram. Qual é a tese do padre? As cidades brasileiras precisam de assistência social, de especialistas que atendam os drogados nos lugares onde estão, que acompanhem o seu caso etc. e tal. Lancelotti, pelo visto, acha que todo drogado de rua tem direito a uma espécie de babá, que, segundo se entende, tem de respeitar "a sua vontade", como afirmou outro padre, também presente ao protesto.

AbsurdoNão nos damos conta do absurdo que há numa coisa chamada "Pastoral de Rua". Ora, que houvesse religiosos — mas religiosos mesmo, com a caridade na mão e a Bíblia na cabeça — dedicados a minorar as agruras de quem mais sofre, eis algo que me parece razoável. Desde que a perspectiva e o objetivo seja tirar as pessoas da rua. Mas não! Os Lancelottis da vida convertem o morar na rua num "direito". Esses moradores são vistos como uma "categoria social", que passariam a ter demandas próprias de sua condição. "Ah, Reinaldo, normal e lógico; se são moradores de rua, terão reivindicações específicas." Sim, normal e lógico desde que, reitero, o horizonte seja sair da rua. Mas não! É o contrário: o que se quer é aprimorar as condições que permitam a essas pessoas continuar… na rua!

Trata-se de uma perversão escandalosa do princípio da caridade, presente, ademais, em outras pastorais. Vejamos o caso dos padres que lidam com índios. Ora, a função de um sacerdote, a primeira e, a rigor, a única é lutar pela aplicação dos princípios cristãos, segundo entende a Igreja Católica. Notem: qualquer padre pode deixar a igreja e se converter num desses antropólogos moralmente homicidas que justificam o assassinato de crianças "em nome da cultura". Ninguém precisa pertencer à hierarquia católica para defender que os índios têm o direito natural à estagnação… Mas não! Esses pervertidos entram na Igreja Católica para tentar preservar, na sua imaginação aloprada e ignorante, o "bom selvagem de Rousseau". Foi assim que, na prática, a Igreja Católica apoiou a expulsão dos arrozeiros de Raposa Serra do Sol. Resultado: miséria, fome e favelização. Não foi Deus que inspirou os padres a apoiar aquela luta. A ter sido algum ente que está além de nós, foi o diabo.


O mesmo diabo — e falo por metáfora — que leva Lancelotti e outro reacionário de batina a se mobilizar contra a internação compulsória de pessoas que não podem escolher. Noto à margem que, no Rio, crianças já são internadas à força. A internação é ainda uma exceção porque a cidade e o estado não têm onde abrigar os viciados. De todo modo, por lá, os petistas ficaram de boca fechada. São governo. Alexandre Padilha, ministro da Saúde, já se disse favorável à prática. Em São Paulo, no entanto, Fernando Haddad, o Supercoxinha do subjornalismo deslumbrado, se junta aos críticos do programa. 

Adiante.
Quando a hierarquia católica permite que Lancelotti participe de atos assim, como se estivesse a levar adiante a voz da Igreja, é a instituição que se rebaixa ao entendimento perturbado de um homem, ocasionalmente padre. Desafio este senhor a demonstrar que fundamento da religião ou da dignidade humana está sendo desrespeitado com o programa.

Existe uma diferença entre a ajuda e a concupiscência da caridade. Leiam o conto A causa secreta, de Machado de Assis. Quem conhece já sabe; quem ainda não leu, recomendo vivamente, deve fazê-lo. Ali aparece a figura de Fortunado, homem que tinha especial inclinação para ajudar os que sofriam… Por que o fazia? Bem, ele tinha uma causa secreta…

A dor dos que sofrem tem de ser minorada; ela não existe para que padres exercitem seus amores e seus ódios privados. Ou para que dêem vazão à sua "causa secreta".

Por Reinaldo Azevedo


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2 comentários:

  1. DESCONFIEMOS SEMPRE DE LULA, ONGS/IMPRENSA PRÓ GOVERNO, EDIR MACEDO-PRB E PADRES VINCULADOS ÀS IDEIAS E POLÍTICAS DO PT.
    Sempre que se deparar com discursos de membros ordenados da Igreja católica, padres e até bispos vinculados aos planos e ideias Lula/PT, desconfie: seriam apostasiados como os afiliados à esquerdo-comunista Teologia da Libertação - a Marxologia da Subversão, dos Boff/Betto & Cia - socia, parceira do PT ou seriam agentes comunistas infiltrados na Igreja; há muitos casos, desejam desmerecê-la, aprontando, comportando-se muito incoerentemente dos verdadeiros ordenados.
    Ambos acima fingem defenderem os pobres, os quais nas ideologias comunistas são apenas “massa de manobra” para interesses escusos para nos atrairem com suas pretensas benevolencias e os apoiarmos às eleições; porém, ledo engano, só propagandas e as armadilhas de sempre por detrás.
    Muito ao contrario, os comunistas detestam pobres, confina-os como gado no curral como em Cuba, Coreia do Norte e mesmo na China submetendo-os todos ao escravagismo.
    Acaso entendem de direitos humanos de alguma forma admitindo aborto de crianças indefesas como programa de governo?
    Afinal, que esperar de materialistas e ateus, adeptos de ideias similares às do nazismo?
    Vá a Cuba em turismo e se arrependerá de ter visto o “paraíso dos pobres”...
    Até jornalistas esquerdistas assustam-se com a miserabilidade no "paraíso cubano", que tanto os petistas idealizam como boa para o Brasil.
    Quanto à misteriosa "doação" da Land Rover há densas névoas que se desfariam apenas no Juízo Final...

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  2. Particularmente eu gosto de Dom Odilo, acho que tem medidas boas, tenta fazer algo, como a eleição da PUC (não que a escolhida seja virtuosoa, longe disso), de sua reação a campanha do Celso Russomano e seus pastores que tentaram imputar a causa do kit gay a Igreja Católica.

    Mas sinceramente não entendo a sua não tomada de ação quanto ao referido Lancelotti. Primeiro, sempre foi um "padre" que se notabilizou pelas groselhas proferidas, depois frequentou páginas policiais.
    Fez corpo a corpo com Haddad nas vésperas da eleição paulistana. Atitute que vai contra a nota de Dom Odilo na época eleitoral, além de fazer campanha para um partido que defende o aborto, matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, etc, etc
    Bom, também não entendo muito o "frei" Betto comentar no jornal oficial da Arquidiocese de São Paulo, mas isso é outra história.

    Devemos orar mais e mais....

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