Reinaldo Azevedo contra a camarilha do Oscar Niemeyer

Por Flávio Morgenstern, via Implicante.


reinaldo niemeyer Reinaldo Azevedo contra a camarilha do Oscar Niemeyer

Reinaldo Azevedo (jornalista da Veja, dispensa apresentações) foi instado por sua comunhão de leitores, pela própria natureza de sua profissão e pela ala letrada da torcida do Corinthians (todos os 3) a escrever suas mal traçadas sobre a morte de Oscar Niemeyer. No título do artigo, Reinaldo o chama de “metade gênio, metade idiota”.


As intenções do texto são claras como o meio-dia, até mesmo para os bibliofóbicos que não conseguem passar 2 dias sem criticar Reinaldo Azevedo (naturalmente acreditando que ler seus títulos de 6 linhas é o suficiente para conhecer seus argumentos): O Tio Rei tratou de separar as duas faces mais conhecidas da figura pública de Oscar Niemeyer: seu trabalho como arquiteto e sua apreciação pelo comunismo.

A patrulha dos Reinaldo-dependentes não gostou.

Acharam um absurdo que Reinaldo Azevedo, aquele direitista (o único de quem já ouviram falar e sabem o que pensa pelos únicos dois artigos que leram inteiros dele na vida), chamasse Oscar Niemeyer de “metade idiota”. Ainda mais o Niemeyer. Ainda mais mesmo o Reinaldo, que quieto já tem motivo para uma contra-crítica.

Imediatamente iniciou a grita orquestrada. Às pressas, trocavam informações na miúda sobre Niemeyer, além do que já sabiam (que já tinha passado da alfabetização quando viu Dercy Gonçalves nascer e que é brasileiro e comunista). Baixaram toda a discografia do Niemeyer correndo pra se dizerem fãs desde infância. Lembraram que ele lutou sozinho contra todo o Exército na época da ditadura (e ganhou). As feministas do Femen aproveitaram para mostrar os peitos, mas o evento foi cancelado, pois no Memorial da América Latina estava muito sol (e os únicos freqüentadores eram crianças de 9 anos em excursão obrigatória da escola).

Tudo isso porque, ora essa, onde já se viu chamar um stalinista de “idiota”, ou mesmo de “meio idiota”?!

Além da Cortina Vermelha

Oscar Niemeyer era um stalinista confesso, como Eric Hobsbawm, aquele que defendeu que as 30 milhões de mortes dos Grandes Expurgos stalinistas (nunca estudados na escola) seriam justificadas, se atingissem mesmo o comunismo (nenhum líder comunista, com a possível exceção de Nikita Kruschev, acreditava mesmo na possibilidade da futura sociedade sem Estado apregoada como desculpa para o morticínio desenfreado). Imagine-se o que aconteceria se alguém apregoasse que as mais de 40 mil mortes de Pinochet fossem “justificadas” para abrir mais a economia…

É o que o Niemeyer ele mesmo diz em entrevista ao Diário do Nordeste de 9 de dezembro de 2007 (citada pelo próprio Reinaldo Azevedo):
Stálin era fantástico. A Alemanha acabou por fazer dele uma imagem de que era um monstro, um bandido. Ele não mandou matar os militares soviéticos na guerra. Eles foram julgados, tinham lutado pelos alemães. Era preciso. Estava defendendo a revolução, que é mais importante. Os homens passam, a revolução está aí.” (grifos nossos)
Descontando o menosprezo pela vida humana (logo ele, que durou 35 anos a mais do que a Revolução!), não surpreende alguém que leu algo sobre comunismo além de… comunistas que Niemeyer condene tais sentenças à Eternidade. Quem quiser saber o modo como foram “julgados” os pobres soldados que foram defender a grande União Soviética, o maior (e “melhor”!) país do mundo, na “Grande Guerra Patriótica”, só precisa ler o livro de não-ficção mais importante do séc. XX (de acordo com The Time), os 3 volumes de Arquipélago Gulag, do ganhador do Nobel (e só por isso sobrevivente do horror soviético pós-Stálin) Aleksandr Solzhenitsyn.

solzhenitsyn gulag survivor Reinaldo Azevedo contra a camarilha do Oscar Niemeyer

Em suas páginas (que começam com o parágrafo mais chocante do que já aconteceu em nosso planetinha), encontraremos de cara um capítulo sobre como eram presas as pessoas em um sistema totalitário de vigia total da atividade particular pelo governo. Poderia-se, por exemplo, dobrar uma esquina com uma viela, e bye bye notícias sobre uma pessoa. Também há um curioso capítulo apenas sobre o interrogatório, As descrições dos… “julgamentos” fariam qualquer pessoa com um sistema nervoso central torcer para morrer pelas mãos da ditadura brasileira (e isso porque o capítulo inteiro é feito de eufemismos). Apenas suas primeiras palavras, em tradução porca minha:
“Se alguém dissesse aos intelectuais nas peças de Tchekov, que gastam todo o seu tempo adivinhando o que aconteceria nos próximos vinte, trinta ou quarenta anos, que em quarenta anos o interrogatório por tortura seria praticado na Rússia; que prisioneiros teriam seus crânios comprimidos em anéis de ferro; que um ser humano seria desmanchado em uma banheira de ácido; que eles seriam atados nus para serem mordidos por formigas e percevejos; que uma vareta aquecida na boca grande de um fogão seria enfiada em seus canais anais (a “marca secreta”); que os genitais de um homem seriam lentamente esmagados sob a fronte de um coturno; e que, na mais sortuda das circunstâncias possíveis, os prisioneiros seriam torturados sendo mantidos sem dormir por uma semana, através da sede, ou sendo espancados até virarem uma polpa de sangue, nenhuma das peças de Tchekov teria chegado ao seu fim, pois todos os heróís teriam ido parar em sanatórios.”
Aleksandr Solzhenitsyn conta sua própria história de prisioneiro no Gulag (o que fizera antes no igualmente arrepiante Um Dia na Vida de ivan Denisovich), além das histórias que lá compilou. Militar bem posicionado, conseguiu, por isso, relatos muito bem informados sobre como era a vida, as torturas, o sofrimento, a miséria e o desespero constante no Gulag, sendo obrigado a fazer constantes declarações vergonhosas no livro (como ter deixado outros prisioneiros  mais velhos e feridos carregarem sua jaqueta, já que, pombas, ele era um oficial!). Solzhenitsyn lutou, justamente, contra os alemães na tal guerra. Ganhou sua sentença (o famoso “tenner“, sentenças pré-programas de dez anos, imitando as notas de dez libras) por um motivo idiota: comentar, numa carta (sempre lida por seus superiores) alguns erros estratégicos de Stalin, utilizando um pseudônimo bobo que qualquer censor sabia a quem se referia e causava risadas quando contava a outros presos – erros estratégicos que, é claro, custaram milhares ou milhões de vidas soviéticas, usadas sempre como a grande superioridade da Rússia e da China frente a seus oponentes muito mais bem preparados.

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Stálin simplesmente mandava em seus marechais, tendo prendido e/ou executado oito deles antes da Segunda Guerra, deixando alguns selecionados, como Zhukov e Rokossovsky, “livres” para agir apenas quando viu que precisava deles (ambos sofreriam conseqüências gravíssimas justamente pela confiança que os soldados e a população soviética depositava neles, sobretudo no primeiro). Chegou a exigir que uma de suas divisões marchasse sobre campos minados antes da eclosão da rivalidade soviético-alemã na Segunda Guerra para se livrar dos “traidores”. Muitos historiadores contabilizam em simplesmente 9 milhões as mortes de soldados soviéticos antes da eclosão da Guerra. Vide o implacável livro de Archie Brown, Ascensão e Queda do Comunismo. Também era um bom jeito de se livrar dos indesejáveis: mandá-los para o front e acusá-los de traição à pátria (por exemplo, por não ter lutado até “a última gota de sangue”). Novamente Solzhenitsyn:
(É assim que sempre acontece. Não é apenas alguma pessoa que precisa de você; é sempre a sua Pátria. E tem sempre algum oficial que fala em nome de sua Pátria e sabe do que ela está precisando.)
Acreditem ou não, o Prêmio Nobel de Literatura de 1970 estava um tantinho mais informado sobre o funcionamento dos meios militares, prisionais, jurídicos, sociais etc da União Soviética do que Oscar Niemeyer – que, misteriosamente, nunca projetou para Stalin, ou Kruschev, ou Brezhnev, ou Andropov, ou Gorbachev, ou Yeltsin, ou Putin… repararam que esses conservadores capitalistas andam conservando o corpitcho de um velho comunista por mais tempo do que os comunistas conservaram seu próprio país, e o maior do mundo?!

(Niemeyer estava pra fazer 10 anos quando eclodiu a Revolução Russa, e também tem mais de um quinto da idade do Brasil.)

Será que Solzhenitsyn diria algo sobre Niemeyer melhor do que “Creio que o senhor está levemente enganado”? Ou será que os críticos de Reinaldo Azevedo acham que Solzhenitsyn é um idiota, apesar de consabidamente nunca terem ouvido falar do autor mais importante para se entender a União Soviética? Ora, estamos no Brasil: um país em que você chama um stalinista de “idiota”, e o carrasco genocida totalitário inimigo da Humanidade é você.

gulag Reinaldo Azevedo contra a camarilha do Oscar Niemeyer

É claro, todavia, que nem Oscar Niemeyer, nem o enxame de abelhas assassinas que ora o “defende”, leria um livro de 800 páginas sobre a realidade que vai contra os seus preconceitos (Arquipélago Gulag é maior, mas dividido em volumes e com prosa mais “leve”, se é que assim pode ser colocado), que dirá, digamos, 5 livros com mais de 300 páginas cada. O modo de estudo do maior assassinato em massa da História mundial é aquele da Disciplina da USP “A Revolução Russa: História e Historiografia” (código FLH0119, 48 inscritos para 5 vagas de Optativa Livre), que não possui uma única referência bibliográfica que não seja dos próprios organizadores da farrinha genocida ou de seus admiradores (no máximo uma Rosa Luxemburgo pra compensar).

Sua bibliografia não tem Rumo à Estação Finlândia, Three Who Made A Revolution, Dez dias que abalaram o mundo, nem nada de Kolakowski, Nove, Robert Conquest, Adam Ulam, Orlando Figes, Anne Applebaum, Tony Judt – os grandes historiadores do terror soviético. Imaginemos se o nazismo, no Brasil, fosse estudado apenas lendo-se autores neonazistas, além de discursos de Goebbels, Bormann e Himmler. Que opinião teria o “universitário” brasileiro sobre o nazismo? Provavelmente, a mesma opinião dócil e mansa que possuem sobre seu gêmeo heterozigoto (em feliz expressão de Pierre Chaunu, reproduzida por Hermann Hesse).

Para se entender o perigo, basta ver como qualquer leitor peso mosca reage a palavras como Adolf Hitler, Adolf Eichmann, campo de concentração, Auschwitz, Treblinka, anti-semita, Holocausto. Já quantos reagem com mesma aversão a palavras como Lavrentiy Beria, Georgy Malenkov, fazenda comunal, kholkhoz, Lubyanka, Kolyma, Karaganda, Arkhangelsk, Canal do Mar Báltico, kulak, Holodomor? Causam o mesmo temor? Sentimos a mesma indignação e aversão quando alguém diz que o Grande Líder por trás dessas últimas palavras era “fantástico” que sentimos quando alguém diz que Hitler era “legal”? Como explica Alain Besançon (este sim um historiador de fazer tremer o barraco) em imprescindível artigo, a memória não retém as atrocidades do comunismo.

(Na verdade, sequer os líderes da União Soviética entre Stálin e Gorbachev costumam ser conhecidos dos universitários, que dirá do público não-”especializado”.)

Heidegger era “metade gênio, metade idiota”?

Alguns acusaram Reinaldo Azevedo de ser o Reinaldo Azevedo, como sempre se resume o “argumento” de quem não gosta dele. Outros tentaram compará-lo com os conhecidos elogios fúnebres que se faz a figuras distantes, provenientes de veículos de comunicação distantes e estrangeiros (os mesmos veículos que os críticos da “grande mídia” odeiam full-time, exceto quando lhes convém). Até alguns abocanhadores de um dinheiro público famosos por suas fotos na Ilha de Caras resolveram entrar na dança (fora os abocanhadores que disfarçam mais).
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Foi dito, então, que ter aversão pelo stalinismo de Niemeyer seria falta de capacidade de criticar com propriedade. O “caso Reinaldo” mostra o que acontece quando você chama Martin Heidegger de “meio idiota” em meio a neonazistas. O nazismo matou muito menos, e Heidegger foi um colaboracionista bem heterodoxo, que não parece ter tido lá muito orgulho ulterior de seu período como repressor em Freiburg.
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Martin Heidegger, diga-se, também é metade gênio, metade idiota: e tal diferenciação, como feita por Reinaldo, serve para salvar a obra filosófica de Heidegger de suas abjetas posições políticas. Heidegger influenciou praticamente todos os filósofos posteriores a ele, e isso inclui muitos que o criticaram (não só por seu namoro com o nazismo): nem os que o detestam conseguem escapar muito de dialogar com ele. De Hannah Arendt (autora de um curioso memorial em vida quando o filósofo da Floresta Negra chegou aos 80 anos) a J. P. Sartre (que Heidegger apeou porta afora dizendo que “não atendia jornalistas”); de Paul Ricœur, o gênio da hermenêutica que lembrou que Heidegger é interessante pela sua filosofia em si, e não pela forma como encampa tudo o que veio antes dele na “ultrapassada metafísica”, a Xavier Zubiri, o filósofo que melhor compreendeu a intelecção em toda a história, passando por Kuki Shuzo e Tanabe Hajime, da Escola de Kyoto. Mas se alguém lembrasse, com olhar de desprezo, de sua passagem pelas fileiras nazistas durante seu obituário, será que merecia uma chuva de manifestações revoladinhas como Reinaldo Azevedo recebeu da adolescentaiada esquerdista de sempre?

O mesmo, aliás, não pode ser dito de Carl Schmitt (o maior crítico do capitalismo do mundo, e um arrependido mais desabrido), de Paretto (que não viveu para acompanhar o fascismo), de Mircea Eliade, Knut Hamsun e Julius Evola, anti-comunistas que praticamente usaram um totalitarismo para evitar outro, mas escolheram o lado perdedor da História? Não foram “meio idiotas”? E onde estão os “stalinistas arrependidos”, senão na “direita”, como Kolakowski e David Horowitz? Que diferença de Niemeyer e Hobsbawm para um J. P. Vernant mantendo-se na esquerda, mas explicando a bancarrota comunista (excelente texto para os assembleistas da USP)…

Ainda vivemos em um país em que as pessoas pensam no totalitarismo comunista de maneira muito mais dócil do que a extrema-direita alemã pensa no totalitarismo nazista. Mas são pessoas que, estranhamente, se ofenderiam se as chamássemos de stalinistas e totalitárias. Por que criticar os outros sem enxergar a realidade próxima é muito fácil: difícil é entender o rigor da realidade mais factual (ou bei Hand, em termo heideggeriano) antes de proferir caquinha.

Para piorar, eu, que tenho críticas ao Cristianismo que não cabem numa Biblioteca, sou obrigado a concordar com o  que Reinaldo prognosticou: “Se eu tivesse escrito que Jesus Cristo era metade santo e metade idiota, a reação não teria sido tão violenta.”

Vamos aproveitar esse calor pra passear no Memorial da América Latina?

Por fim, ao contrário de Reinaldo Azevedo (que salvou sua obra para criticar tão somente sua defesa de genocídios), para quem baixou correndo a discografia do Niemeyer para se dizer fã de última hora, artigo recente da Newsweek lembrava que seu trabalho é “mais exaltado do que estudado”. Professores de arquitetura da inatingível e angelical USP também comentam seu uso do espaço faraonicamente vazio: “Os modernistas sempre esperaram multidões que nunca apareceram”, afirma Rodrigo Queirós. Até hoje não é fácil entender por que Niemeyer gastou tanto concreto construindo a única piroca vista a olho nu da Lua.

Memorial da América Latina 300x214 Reinaldo Azevedo contra a camarilha do Oscar Niemeyer

Joaquim Guedes foi direto à jugular: “Arquitetura não pode ser exibicionismo estrutural”, dizia ele, que considerava a Esplanada dos Ministérios de Brasília um punhado de “colunas de prédios marchando num desfile militar”. Ia além: “O Copan, no centro de São Paulo, chama a atenção pelo desenho em S. Dentro do prédio, no entanto, reina uma bagunça babélica. Não serve para morar nem para trabalhar”. Curiosamente, um prédio onde aplaudiríamos que o trabalho fosse dificultado é o Congresso: construir uma trosoba dupla com um bago pela metade de cada lado é chamativo, mas o povo brasileiro ainda crê que deveria ter chamado atenção do bin Laden. E poucos ainda foram capazes de explicar por que Niemeyer constrói escadas em que você precisa dar exatamente um passo e meio para mudar de degrau.

Basta sair da crítica júnior e pesquisar um pouquinho antes de virar formador de opinião e pedir seu dinheiro público por isso. Há uma reportagem na Revista Alfa de 2 meses atrás falando muito a quem acha que criticar Niemeyer é coisa de reacionários hidrofóbicos brancos vira-latas católicos de direita.

Melhor nem mesmo comentar a opinião do escritor Claude Lanzmann, ex-amante de Simone de Beauvoir, sobre o “poeta das curvas” (essa foi digna de Chico Buarque). Solta a Revista Bula:
Ao visitar o Brasil, há 25 anos, o jornalista diz que hospedou-se num hotel projetado por Niemeyer (a “Folha” erra ao não identificar o hotel). “O hotel era um prédio tipo torre, de Niemeyer, que é um criminoso. Um arranha-céu circular é totalmente idiota, um absurdo”, ataca. Instigado, acrescenta: “Nesse arranha-céu onde o festival [de cinema] se desenrolava, esperávamos 45 minutos de fila para descer ou subir. Esse é o crime do arquiteto. O círculo serve para quê? As pessoas fazem os prisioneiros andarem em círculos nas prisões cortando assim qualquer projeto, qualquer futuro, é isso o círculo. Os arquitetos que constroem prédios circulares são idiotas. Não tenho nenhum respeito por Oscar Niemeyer. Ele construiu Brasília? Pior para Brasília”. (grifos nossos)
Para Lanzmann, o prédio nem meio idiota é.

romario niemeyer Reinaldo Azevedo contra a camarilha do Oscar Niemeyer

Devemos mesmo selar a paz aproveitando esse calor pra dar um passeio pelo Memorial da América Latina! Alguém topa? Eu levo os jornalistas da Carta Capital e vocês levam o suco. Ou alguém mais prefere transformar aquilo num pesque-e-pague, já que duvido que alguém tenha pisado lá duas vezes na vida sem ter sido forçado na segunda?

Já no documentário “Conterrâneos Velhos de Guerra”, Niemeyer não apenas mostra um íntegro desconhecimento totalmente lulista sobre os abusos cometidos contra operários na construção de Brasília (o arquiteto também era, logicamente, fã de JK, além de Stálin), como reitera sua visão de indivíduos como algo não muito diferente de formigas. Antes de ordenar, de maneira autoritária, que o cinegrafista pare de filmá-lo, Oscar vocifera: “Matam tanto operário, é um regime de merda (sic), qual é a importância que mataram lá, tão matando todo dia gente aí, invadindo as favelas”, tenta se defender o arquiteto, emendando: “Nunca ouvi falar nisso” (veja o vídeo no Mídia@Mais). Claro, todos os operários são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros.

Vale ainda um comentário encontrado no blog do próprio Reinaldo: “Escreva ‘Justiça Social’ na lápide dos 100 milhões de cadáveres do comunismo. Pena que não tem lápide, foram quase todos pra vala comum”.

Note-se, afinal, que Niemeyer foi um dos comunistas perseguidos pela ditadura militar. Teve de se exilar em Paris. Assim até eu, né, nêgo?! Por que nenhum comunista se exilou na União Soviética?! Como essa turma conseguia ir pra Paris com mais familiaridade do que conseguimos intercâmbio pra Buenos Aires? Enquanto a comunada vai pra Paris com a mesma facilidade que vamos pra Praia Grande, não entendemos por que Niemeyer não construiu nada para Havana. Ou nada de concreto (tão raro e disputado na ditadura de economia de comando), já que projetou o absolutamente horrendo monumento anti-imperialismo.

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