Na Solenidade da Imaculada

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Eu sou a Imaculada Conceição disse Nossa Senhora de Lourdes em sua aparição, pouco tempo depois da definição do Dogma da Imaculada Conceição pelo papa Pio IX na Constituição Apostólica "Ineffabilis Deus". Imaculada Conceição cuja festa celebramos hoje.

Ah, Dogma! Junto de "Inquisição" é uma das palavras mais denegridas do catolicismo. Dogma, Inquisição, Infalibilidade, Moral, Heresia... estão sempre na boca dos que gostam de denegrir a Igreja.

Dogma, uma verdade de fé decretada. Não que um dogma seja válido a partir de sua outorga, mas que sempre foi válido e o papa, com seu poder infalível das chaves de Pedro, declara que a ninguém mais é dado o direito de duvidar.

Ou seja, até antes era possível duvidar da Imaculada Conceição. Depois disso não mais um cristão pode duvidar sem recorrer em heresia. Não é que a Imaculada Conceição passou a valer a partir de 8 de dezembro de 1854. É que a partir desta data o papa esclareceu que a Imaculada Conceição aconteceu. Depois do esclarecimento do papa, ninguém mais pode ter o benefício da dúvida. Em 7 de dezembro de 1854, um teólogo bem que poderia escrever considerando que não houve, a questão estava em aberto. Em 9 de dezembro não mais.

Isso é dogma. É um esclarecimento preciso e com autoridade de um ponto da doutrina. A celeuma só se faz porque foi feito em tempos modernos. Cristo pregou dogmas em todo o evangelho, artigos de fé que só cremos em função de seu ensinamento. Santíssima Trindade é um dogma, por exemplo. Vários Concílios Ecumênicos na Antiguidade tiveram de precisar o ensinamento apostólico contra as mil heresias que surgiam. Mas é um dogma cujas origens se perdem no início do cristianismo. Ao contrário da Conceição, não tem data e hora.

Mas o que é a Imaculada Conceição? É a simples constatação bíblica que Maria foi preservada de todo pecado original (imaculada) desde seu nascimento (conceição é uma versão arcaica de concepção). Há uma certa ambiguidade no termo, pois para a concepção de Cristo já Maria tinha de ter sido concebida sem pecado.

Muito lógico, e quase científica demonstração. Se o pecado é tudo que separa de Deus, e o corpo do Filho literalmente é unido ao da mãe, o verdadeiro Deus no ventre de uma mulher não poderia ser ligado a quem era separada dele pelo pecado.

É importante ressaltar que o "pecado original" é uma deficiência, não uma falta. É essa deficiência que nos induz ao pecado, da mesma maneira que um coxo claudica. Em metáfora, se claudicar é o pecado, é a deficiência física que provoca esse efeito por ter atacado uma de suas pernas. Assim o homem, atacado pelo pecado original desde seu nascimento, peca depois de nascido. Com culpa própria, é verdade, porque sua natureza conduz a ocasiões de erro inúmeras que superam a força humana sem a graça divina (para não cair em pelagianismo). Se não tivéssemos a deficiência espiritual do pecado original, não seríamos tentados ao pecado, e não pecaríamos.

Sendo assim, Maria, gerada por Santa Ana e São Joaquim, não trouxe consigo o pecado original. Sofreu tentações externas a si, nenhuma vinda de sua natureza. Porém como ela era uma criatura perfeita, feita na forma original de pureza de Eva, não se sentia movida ao pecado e não pecava. Assim como Cristo não pecava por ser Deus, ainda que fosse homem e sujeito ao pecado. A tentação para Cristo surgiu por forças externas, ie, Satanás no deserto, não internas.

Depreende-se a Imaculada Conceição da Bíblia pelas palavras de São Gabriel "Ave, cheia de graça, o Senhor é convosco". Se o pecado é se afastar de Deus, estar "com Deus" é estar limpo do pecado. E um anjo não fala o que Deus não ordena que ele fale. Pelas palavras de Santa Isabel, movida pelo Espírito Santo, "Bendita sois vós entre as mulheres", também depreende-se a Imaculada Conceição. É um aramaísmo superlativo que Isabel falou, já que aquela língua não tinha superlativo. Maria é a mais bendita dentre as mulheres. Ora, todas as mulheres nasceram sobre o pecado original (e Eva o adquiriu). Sendo assim, a mais bendita só poderia a superar nisso. 

E o testemunho da tradição é claro também. Diversos escritores cristãos do passado nesses dois mil anos defenderam a Imaculada Conceição e falaram dela.

Ou seja, não foi o papa que inventou. Ele apenas esclareceu algo que sempre se acreditou, mas ainda não estava totalmente dirimido.


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Um comentário:

  1. Em 1823, na Itália, dois sacerdotes dominicanos, Padres Bassiti e Pignataro, estavam exorcizando um menino possesso, de 12 anos de idade, analfabeto.
    Para humilhar o demônio, obrigaram-no, em nome de Deus, a demonstrar a veracidade da Imaculada Conceição de Maria. Para surpresa dos sacerdotes, pela boca do menino possesso, o demônio compôs o seguinte soneto:

    "Sou verdadeira mãe de um Deus que é filho,
    E sou sua filha, ainda ao ser-lhe mãe;
    Ele de eterno existe e é meu filho,
    E eu nasci no tempo e sou sua mãe.

    Ele é meu Criador e é meu filho,
    E eu sou sua criatura e sua mãe;
    Foi divinal prodígio ser meu filho
    Um Deus eterno e ter a mim por mãe.

    O ser da mãe é quase o ser do filho,
    Visto que o filho deu o ser à mãe
    E foi a mãe que deu o ser ao filho;

    Se, pois, do filho teve o ser a mãe,
    Ou há de se dizer manchado o filho
    Ou se dirá Imaculada a mãe”.

    Via Prof. Amir Salomão Jacób.

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