Afinal, que raios é a Arte (e a Arte Sacra) hoje em dia???

/
1 Comentários
Vivemos em tempos em que não é mais permitido estabelecer um limite entre o que é arte ou não. Ou aceitamos a proposta do artista, seja qual ela for, ou não entendemos nada sobre arte. Pode ser uma cama desarrumada ("My Bed" da artista britânica Tracey Emin, que está com exposição em São Paulo até fevereiro de 2013 no White Cube) ou cocô enlatado ("Merda d'artista" do italiano Piero Manzoni); é preciso acolher toda forma de expressão, compreender e enxergar valor artístico em cada obra, por mais que possa nos parecer insignificante ou até mesmo desprezível. Nessas circunstâncias, só restam duas opções ao público: admirar, junto dos demais, a roupa nova do imperador ou então manter distância de museus de arte contemporânea.

Trecho do blog da revista Dicta & Contradicta.

Comentários do Frei: 

Manter a distâãncia dos museus e das novas igrejas!

Esta meditação vem a calhar, especialmente nos tempos Post-mortem do Niemeyer ("metade gênio, metade idiota" como tão brilhantemente definiu Reinaldo Azevedo, concedendo que ele podia na verdade ser um terço ou um quarto gênio apenas, haja vista a enormidade da imbecilidade da defesa do stalinismo que fazia). Porque a morte do prevaricador da arquitetura sacra nacional nos fez refletir sobre o que queremos da arquitetura, e de maneira geral, da arte sacra.  

Obelisco egípcio no Latrão, Roma
Estes dias estava lendo sobre o Egito Antigo. É impressionante constatar que a última dinastia, a Ptolomaica, fazia templos egípcios no mesmo modelo dos templos do Antigo império, 3000 anos antes. De Menés à Cleópatra, valores! Até os egípcios, um povo pagão cuja consciência era tão distorcida as vezes (haja vista como oprimiram Israel)  sabiam da permancência dos valores da arquitetura sagrada; os faraós mudavam o modelo de suas tumbas, mas não ousavam mudar a arqeuitetura de seus templos, três milênios depois. E nós, menos de cinco séculos depois de obras primas como a Basílica de São Pedro, menos de três séculos depois da Igreja de São Francisco de Ouro Preto, menos de dois séculos depois de Sacre Cour de Paris, pervertemos toda nossa arquietura sagrada - nossas igrejas modernas invariavelmente são caixotes ou variações de cones (catedrais do Rio, Maringá, Brasília e a futura de BH).   Os egípcios, para adorarem seus ídolos vazios de Ptah, Osíris, Hórus e Amon-Rá sabiam da permanência dos valores da arquitetura sacra. Nós, que em nossos sacrários temos o Verdadeiro Deus presente, somos pervertidos o bastante para dar templos sem sentido a Ele, o Todo Poderoso Senhor Deus de Israel (que já puniu o Egito por ser anfitrião desonesto com seus santos).

Falei da arquitetura sacra, mas aplica-se igualmente às artes plásticas sacras. Como protestantes que desconhecem as Escrituras e prostituem o primeiro mandamento, banimos as imagens das igrejas. Faz algum tempo aque as poucas pinturas que há nas igrejas ganharam uma verdadeira estilização e alongamento de traços que fazem os artistas bizantinos parecerem realistas. Jesus e os apóstolos alongados, Nossas Senhoras com feições disformes. Parecem mais fantasmas e assombrações que gente real de carne e osso. Até os crucifixos andam num processo de "tosquização" que não se vê nem dor nem paciência, nem glória nem ascese, nem purga nem redenção, mas uma coisa numa cruz - quando há crucifixos nas igrejas! Ouso dizer que se era para desumanizar a figura, melhor seguir as proibições do Alcorão à representação de gente e encher nossas igrejas de versículos bíblicos e moisaicos florais, ninguém pode acusar as antigas mesquitas de feias e desprovidas de sentido do sagrado na arte. A arte católica moderna nem é neoclássica, nem gótica, nem barroca, nem impressionista nem expressionista, é fantasmagorista.

Nossos arquitetos e artistas que desejam fazer arte sacra deveria tem aulas de valores artísticos com os egípcios e com os muçulmanos. Ou melhor, os artistas? Quem diz o Catecismo que é o zelador da arte sacra? Os bispos! É lamentável que a jovem e pervertida Cléopatra tenha tido ao honrar seus falsos deuses o bom senso que falta a veneráveis príncipes da Igreja de Cristo!


Você também pode gostar

Um comentário:

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.