"Prove-me que Deus Existe!!!"

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2 Comentários
Santo Anjo do Senhor,
Meu zeloso protetor
Conduzi-me ao Altíssimo,
Jesus Cristo, Nosso Senhor!
Na Festa dos Santos Anjos da Guarda, 2 de outubro, que melhor tarefa eles nos podem fazer que nos conduzir a Cristo?

Masa alguém dirá: "Prove-me que Deus existe!!!". Não, não se prova. As provas são científicas, e a ciência opera pelas leis naturais, reprodutíveis e universais (até que se ache um domínio fora de sua aplicação, e a substitui por uma lei aprimorada).

Deus é SOBRE-natural. Ou seja, ele paira ACIMA das leis naturais, suas criaturas. A Gravidade, a Mecânica Quântica, as leis da Termodinâmica são tão criaturas quanto eu, você, um boi, a Terra, o buraco-negro Sagitário A (para citar as criaturas naturais) e o Anjo Gabriel ou Lúcifer (para citar as sobrenaturais). E Deus não é "Energia" porque energia é criatura também (Achamos que só matéria é criatura... opa, mas matéria e energia são a mesma coisa em densidade diferente, oras!).

Deus não é provado. Deus não é demonstrável no sentido estrito cientíco. O que a razão humana pode ter é a inferência de Deus. Ou seja, a afirmação "É muito provável que exista um Criador". Mais detalhes de como a razão pura pode até mesmo inferir como é o criador podem ser encontrados na "Súmula contra os Gentios" de São Tomás. O texto é muito complexo, e é mesmo, não dá para dourar a pílula.

Esse arroubos de neo-ateísmo militante que opõe a fé e a razão, estão desatualizados no mínimo 800 anos... E até mesmo 2000 anos, é um hedonismo rasteiro, que, como disse o poeta pagão, vem dos Porcos de Epicuro. Porcos porque esses hedonistas seguiam uma corrupção tremenda e rasteira do que o próprio Epicuro disse e propôs, que não era o hedonismo. Mesmo os antigos pagãos, ceticíssimos em relação aos seus deuses, já haviam provado que se "Deus provavelmente não existe, então aproveite a vida" só levava ao desespero, a tristeza e a barbárie. Os regimes comunistas, perfeitamente ateus em seus princípios, tentaram gerar o homem novo pela razão e só criaram a barbárie e centenas de milhares de mortos. Abandonando a fé, o homem perde também a razão. Recomendo ler este excelente texto de Reinaldo Azevedo na Veja. Precisamos do Cristo não porque os homens se esquecem de ter fé, mas porque, com freqüência, eles abandonam a Razão e cedem ao horror.

Deus existe? Minha razão pura diz que provavelmente existe. Minha fé diz que existe, com mais certeza ainda que eu existo porque penso. Minha experiência diz que quase certamente existe, porque percebeu sua atuação, ainda que através de eventos naturais. Isso quando não há milagres comprovados cientificamente, ou melhor, provados que não são por fontes conhecidas naturais e que contrariem as leis naturais aceitas (Senão qualquer desconhecido seria sobrenatural. A estrutura da matéria em um buraco-negro é desconhecida, mas ainda é natural, e suas existência obedece às leis naturais amplamente aceitas, tendo sido inclusive inferido antes de ser descoberto).

Nesses casos extraordinários minha razão diz como os magos do faraó "Isso é o Dedo de Deus!!!". Milagres como Lanciano, Santo Sudário, Guadalupe... É perfeitamente racional que o Omnipotente mude pontualmente as leis naturais que criou. Não faz frequentemente, sendo mais sutil em seu apelo à razão e à fé. Seria muito fácil um mundo em que Deus fizesse pirotecnia nos céus para se demonstrar. O que para mim é um sinal que Deus não só existe, mas é uma fina e exigente inteligência. Não tentarás do Senhor teu Deus poderia ser dito em linguagem científica Não faça experimentos com Deus. Se eu que sou criatura e natural não consigo participar de um experimento por não ser reprodutível (ai está a cruz da psicologia e das ciências humanas) dada a minha racionalidade natural que facilmente pervete tudo ao ser observada (efeito Hawthorne), imagine Deus, que além de racional é sobrenatural e omnisciente...

Cientificamente falando, bastava para a demonstração do divino que houvesse uma única vez um evento como a transformaçaõ da água em vinho ou a ressurreição de Lázaro. O problema é que não se filmou, só se escreveu, ainda que centanas de contemporâneos tenham validado essa fonte (o Evangelho segundo São João).

Prove-me que Deus não existe! Não se pode afirmar a certeza da existência, porque afirmar a certeza da não-existência? No fundo o ateísmo militante não é a razão nem a ciência, mas uma crença...


***


E para não ficar nas minhas palavras, vamos nos ater a ortodoxia do Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 31-38.154-159.289, doutrina oficial da Igreja. Perto dessas palavras tão certas e exatas, o que escrevo é realmente "esterco de Epicuro".



"Eu sou a luz do mundo" em Fátima-PT
31 Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, o homem que procura a Deus descobre certas "vias" para aceder ao conhecimento de Deus. Chamamo-las também de "provas da existência de Deus", não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de "argumentos convergentes e convincentes" que permitem chegar a verdadeiras certezas. Estas "vias" para chegar a Deus têm como ponto de partida a criação: o mundo material e a pessoa humana.

32 O mundo: a partir do movimento e do devir, da contingência, da ordem e da beleza do mundo, pode-se conhecer a Deus como origem e fim do universo. São Paulo afirma a respeito dos pagãos: "O que se pode conhecer de Deus é manifesto entre eles, pois Deus lho revelou. Sua realidade invisível - seu eterno poder e sua divindade - tornou-se inteligível desde a criação do mundo através das criaturas" (Rm 1,19-20).

E Santo Agostinho: "Interroga a beleza da terra, interroga a beleza do mar, interroga a beleza do ar que se dilata e se difunde, interroga a beleza do céu... interroga todas estas realidades. Todas elas te respondem: olha-nos, somos belas. Sua beleza é um hino de louvor (confessio). Essas belezas sujeitas à mudança, quem as fez senão o Belo (Pulcher, pronuncie "púlquer"), não sujeito à mudança?"

33 O homem: Com sua abertura à verdade e à beleza, com seu senso do bem moral, com sua liberdade e a voz de sua consciência, com sua aspiração ao infinito e à felicidade, o homem se interroga sobre a existência de Deus. Mediante tudo isso percebe sinais de sua alma espiritual. Como "semente de eternidade que leva dentro de si, irredutível à só matéria" sua alma não pode ter origem senão em Deus.

34 O mundo e o homem atestam que não têm em si mesmo nem seu princípio primeiro nem seu fim último, mas que participam do Ser em si, que é sem origem e sem fim. Assim por estas diversas "vias", o homem pode aceder ao conhecimento da existência de uma realidade que é a causa primeira e o fim último de tudo, "e que todos chamam Deus"

35 As faculdades do homem o tomam capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar em sua intimidade, Deus quis revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé. Contudo, as provas da existência de Deus podem dispor à fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana.

36 "A santa Igreja, nossa mãe, sustenta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana a partir das coisas criadas”. Sem esta capacidade, o homem não poderia acolher a revelação de Deus. O homem tem esta capacidade por ser criado "à imagem de Deus[fca20] ”.

37 Nas condições históricas em que se encontra, o homem enfrenta muitas dificuldades para conhecer a Deus apenas com a luz de sua razão:

"Pois, embora a razão humana, absolutamente falando, possa chegar com suas forças e lume naturais ao conhecimento verdadeiro e certo de um Deus pessoal, que governa e protege o mundo com sua Providência, bem como chegar ao conhecimento da lei natural impressa pelo Criador em nossas almas, de fato, muitos são os obstáculos que impedem a mesma razão de usar eficazmente e com resultado desta sua capacidade natural. As verdades que se referem a Deus e às relações entre os homens e Deus são verdades que transcendem completamente a ordem das coisas sensíveis e quando estas verdades atingem a vida prática e a regem, requerem sacrifício e abnegação. A inteligência humana, na aquisição destas verdades, encontra dificuldades tanto por parte dos sentidos e da imaginação como por parte das más inclinações, provenientes do pecado original. Donde vemos que os homens em tais questões, facilmente procuram persuadir-se de que seja falso ou ao menos duvidoso aquilo que não desejam que seja verdadeiro"

38 Por isso, O homem tem necessidade de ser iluminado pela revelação de Deus, não somente sobre o que ultrapassa seu entendimento, mas também sobre "as verdades religiosas e morais que, de per si, não são inacessíveis à razão, a fim de que estas no estado atual do gênero humano possam ser conhecidas por todos sem dificuldade, com uma certeza firme e sem mistura de erro”

154 Crer só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo Mas não é menos verdade que crer é um ato autenticamente humano. Não contraria nem a liberdade nem a inteligência do homem confiar em Deus e aderir às verdades por Ele reveladas. Já no campo das relações humanas, não é contrário à nossa própria dignidade crer no que outras pessoas nos dizem sobre si mesmas e sobre suas intenções e confiar nas promessas delas (como, por exemplo, quando um homem e uma mulher se casam), para entrar assim em comunhão recíproca. Por isso, é ainda menos contrário à nossa dignidade "prestar, pela fé, à revelação de Deus plena adesão do intelecto e da vontade" e entrar, assim, em comunhão íntima com ele.

155 Na fé, a inteligência e a vontade humanas cooperam com a graça divina: "Credere est actus intellectus assentientis veritati divinae ex imperio voluntatis a Deo motae per gratiam - Crer é um ato da inteligência que assente à verdade divina a mando da vontade movida por Deus através da graça" (São Tomás de Aquino).

156 O motivo de crer não é o fato de as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz de nossa razão natural. Cremos "por causa da autoridade de Deus que revela e que não pode nem enganar-se nem enganar-nos". "Todavia, para que o obséquio de nossa fé fosse conforme à razão, Deus quis que os auxílios interiores do Espírito Santo fossem acompanhados das provas exteriores de sua Revelação. Por isso, os milagres de Cristo e dos santos, as profecias, a propagação e a santidade da Igreja, sua fecundidade e estabilidade "constituem sinais certíssimos da Revelação, adaptados à inteligência de todos", "motivos de credibilidade" que mostram que o assentimento da fé não é "de modo algum um movimento cego do espírito".

157 A fé é certa, mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda na própria Palavra de Deus, que não pode mentir. Sem dúvida, as verdades reveladas podem parecer obscuras à razão e à experiência humanas, mas "a certeza dada pela luz divina é maior que a que é dada pela luz da razão natural. "Dez mil dificuldades não fazem uma única dúvida.

158 "A fé procura compreender": E característico da fé o crente desejar conhecer melhor Aquele em quem pôs sua fé e compreender melhor o que Ele revelou; um conhecimento mais penetrante despertará por sua vez uma fé maior, cada vez mais ardente de amor. A graça da fé abre "os olhos do coração" (Ef. 1,18) para uma compreensão viva dos conteúdos da Revelação, isto é, do conjunto do projeto de Deus e dos mistérios da fé, do nexo deles entre si e com Cristo, centro do Mistério revelado. Ora, para "tomar cada vez mais profunda a compreensão da Revelação, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa continuamente a fé por meio de seus dons. Assim, segundo o adágio de Santo Agostinho, "eu creio para compreender, e compreendo para melhor crer".

159 Fé e ciência. "Porém, ainda que a fé esteja acima da razão, não poderá jamais haver verdadeira desarmonia entre uma e outra, porquanto o mesmo Deus que revela os mistérios e infunde a fé dotou o espírito humano da luz da razão; e Deus não poderia negar-se a si mesmo, nem a verdade jamais contradizer a verdade." "Portanto, se a pesquisa metódica, em todas as ciências, proceder de maneira verdadeiramente científica, segundo as leis morais, na realidade nunca será oposta à fé: tanto as realidades profanas quanto as da fé originam-se do mesmo Deus. Mais ainda: quem tenta perscrutar com humildade e Perseverança, os segredos das coisas, ainda que disso não tome consciência, e como que conduzido pela mão de Deus, que sustenta todas as coisas, fazendo com que elas sejam o que são."

286 Sem dúvida, a inteligência humana já pode encontrar uma resposta para a questão das origens. Com efeito, a existência de Deus Criador pode ser conhecida com certeza por meio de suas obras, graças à luz da razão humana, ainda que este conhecimento seja muitas vezes obscurecido e desfigurado pelo erro. É por isso que a fé vem confirmar e iluminar a razão na compreensão correta desta verdade: "Foi pela fé que compreendemos que os mundos foram formados por uma palavra de Deus. Por isso é que o mundo visível não tem sua origem em coisas manifestas" (Hb 11,3[a31] ).

Santo Anjo do Senhor,
Meu zeloso protetor
Abra meus ouvidos ao Evangelho
De Jesus Cristo, Nosso Senhor! 


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2 comentários:

  1. Texto perfeito. Mas muito grande e racional pra um neo-ateísta, eles precisam de coisas mais simples com bastante desenhos e com palavras aleatórias em baixo. Adoram desenhos, os bastardinhos.

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