Santo Agostinho de Hipona, grande doutor, velho amigo, rogai por nós!!!

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Ó meu Santo Agostinho! O de Hipona, não o taxista da Grande Família. Sem dúvida, o leitor sabe que é um dos mais citados aqui destes textos, e talvez o mais citado em toda a Igreja. A profundidade e extensão da obra de Agostinho é rivalizada apenas por Tomás de Aquino, também seu amplo leitor e citador. Agostinho é meu mestre máximo nos comentários aos salmos. Frequentemente seguimos por caminhos diferentes, mas na dúvida, corro ao mestre.

Apaixonado, inquieto, retórico. Eis Aurélio Agostinho. O mais filósofo entre os teólogos, o mais teólogo entre os filósofos. O último grande escritor da Antigüidade. Dado a semelhança de caráter e pecados de juventude, eu me identifico e me aproximo muito deste santo. Difícil imaginar Agostinho numa tranqüila beatitude. Aquela alma tão bem dotada de dons intelectuais era agitada, ventos fortes naquela inteligência eram alimentados na fornalha de seu coração, vibrante de amor a Deus.

Herói da fé católica, combateu as heresias de seu tempo, especialmente o maniqueismo e o pelagianismo. Pelagianismo este que teve o despudor de tentar usar suas obras para se justificar. Mais tarde também fez Jansen com suas doutrinas heréticas.

Muitos falam do pessimismo agostiniano. O que é esse pessimismo senão um grande otimismo? Agostinho tinha tal certeza na ação redentora da Graça divina, que um humanismo bocó vê como "pessimismo". Quem considera o ser humano como fim último, com certeza vê a incrível dependência que temos da Graça divina como "pessimismo". Mas quem em tudo deseja amar e servir senão a Deus, que quer se inebriar do amor divino, vê como grande otimismo e razão de paz. O Senhor está comigo nada temo, o que pode contra mim um ser humano? (Sl 117) Quem é feliz senão o cristão, que sabe que sua vida está nas mãos do Pai amoroso?

Agostinho criou frases lapidares que ora glosadas frequentemente circulam em bocas católicas. De cabeça lembro de algumas:

Criaste-nos para ti, Senhor, e nossa alma não descansa enquanto não repousa em ti

Quem poupa o lobo condena as ovelhas

Não creria na Bíblia se a Igreja católica não me tivesse ordenado a crer nela

Roma falou, o assunto encerrou (Roma locuta, causa finita)

Trabalha como se nada dependesse de Deus, mas saiba que tudo depende de Deus

Tarde te conheci, beleza tão velha e tão nova!

A alma comanda o corpo, o corpo obedece. A alma comanda a alma, a alma resiste.


E tem tantas outras! A maneira agostiniana de escrever é deliciosa. Recomecei a reler as Confissões grifando os trechos grandiloquentes, onde a beleza do estilo se uniu à beleza da doutrina num matrimônio perfeito. Enfim, comecei a grifar todo meu livro. Como acontece quando vc grifa demais, o que não estava grifado passou a se destacar.

E como não falar da época de esbórnia agostiniana? Frequentemente deve ser motivo de alívio para nós pensarmos que um dos maiores doutores da Igreja teve sua época de depravado. Entende a Graça agora, leitor? Para Deus nada é impossível. Se Aurélio Agostinho conseguiu, porque nós não conseguimos? Especialmente nós, que de Agostinho só temos os pecados, não a sabedoria e conhecimento da doutrina. Quando vejo as imagens de Agostinho, frequentemente encontramos o sizudo bispo. Mas eu particularmente gosto de imaginar um homem ainda jovem, com uma expressão preocupada de quem lá longe procura o sentido da vida...

Ah, meu mestre Agostinho! O que mais falar? Seria melhor que ler sobre Agostinho que o leitor lesse Agostinho!

Santo Agostinho de Hipona, glorioso doutor da Igreja,
Rogai por nós!!!


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