Quando o Improvável vira artigo de fé da crença na não-crença

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Ah, dirá algum super-cético, que coloco como companheiro de minha consciência, que diversas igrejas são destruídas em diversos bombardeios e eu reponderei que sim. E ele dirá ainda que diversos prédios de Hiroshima escaparam da obliteração nuclear também e eu direi que sim também! E direi além: Pela mecânica dos fluidos, o ar super-quente gerado pela bomba turbilhonava, e em puro caos estatístico a igreja podia ter estado num ponto de pressão estagnante tal do turbilhão que não foi levada pela pressão de deslocamento do ar aquecido, conforme a equação dos gases preconiza. Baseado nestes tão doutos e lógicos argumentos, meu ceticíssimo e descrente interlocutor balança a cabeça triunfante e conclui que a igreja ter ficado de pé - detonada, mas de pé - não é milagre algum. 

Sim, Sim, Sim e Sim...

Para depois meu interlocutor se decepcionar porque não perdi minha fé. Por quê? Será que dependo de milagres de engenharia para crer? Por crer compreendo o símbolo desta imagem, não uso a imagem para crer. 

Ainda assim, meu caro, eis o símbolo. Tudo destruído e a igreja de pé. E por ser símbolo, ponha um "I" maiúsculo e remete a uma realidade superior: Tudo destruído e a Igreja de pé. A Igreja católica sempre fica de pé. 

A fé vem antes do símbolo! A fé dá o significado oculto! Quando o Templo de Jerusalém foi destruído pelos romanos, algum historiador veria apenas um exercício do poder repressor político. Os cristãos viram o fim formal do Israel do Antigo Testamento e a confirmação da época da Igreja, cumprindo a profecia de Nosso Senhor Jesus Cristo da Abominação da Desolação. Assim como a luz da fé os judeus não viram o Exílio na Babilônia como simples efeito de um jogo político entre as nações, mas um justo castigo - purgativo - de Israel pelos seus pecados. 

Veja o caso de Lourdes. A Igreja investiga mais um milagre em Lourdes que todo o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU) em relação a algum artigo mixuruca "provando" o aquecimento global com correlações non-sequitur. Até meus conhecimentos, de boa fé, não vi trucados os milagres de Lourdes. Se você souber alguma contestação sistemática a diversos milagres, humildemente eu me corrijo. Eu só lembro que me corrigirei em relação aqueles milagres, não que necessariamente St. Bernardette não tenha tido a visão, nem que a doutrina católica esteja errada, porque a doutrina não se fundamenta nos milagres, mas os milagres se fundamentam na doutrina para tirar sua razão. Sem fé católica, sem Lourdes. Sem Lourdes, eis a fé católica, como era até a aparição, dezenove séculos sem Lourdes. E a Igreja viveu muito bem depois de Lourdes... mas sem Fátima! 

Da mesma maneira pombos pousam em todos os lugares, e até morrem por pousarem nos lugares errados. Mas um pombo pousou e ficou no caixão de um príncipe da Igreja. E o pombo é a imagem da Epifania do Espírito Santo. Milagre? Não. Sinal, muito provavelmente. É a vontade permissiva de Deus que pombos pousem. Pombos não tem livre-arbítrio para pousar onde desejam nem para ficarem. Que é esquisito o pombo ter ali ficado, a despeito das fanfarras e movimentações, ah, é esquisito... 

Triste é a crença na não-crença que tem que se ater a crença irracional que estas coisas não significam nada! É necessário muito malabarismo intelectual "de fé" para crer que as centenas de pessoas - que em específico foram a Lourdes - foram curadas por efeitos estatísticos caóticos! É necessário muito malabarismo intelectual "de fé" para crer que dentre as dezenas de aves no Rio um pombo pousaria no caixão de um cardeal e lá ficaria lá por horas por efeitos estatísticos caóticos! É necessário muito malabarismo intelectual "de fé" para crer que dentre as centenas de prédios obliterados em Hiroshima uma igreja - justamente católica - resistiria à bola de fogo nuclear por efeitos estatísticos caóticos!

Impossível tudo isto acontecer sem milagre? Não, não é impossível estes eventos acontecerem, são apenas muito improváveis. Deus, por ter dado inteligência ao homem, também quer que ele use sua linda cabeça para pensar na estatística. Ouso dizer que Deus prefere fazer milagres improváveis, mas não impossíveis, para nossa fé ter mais mérito. Afinal, crer numa violação grotesca de Leis da Física diante dos nossos olhos é bem razoável de que creiamos, não há muito mérito. Mas crer no improvável, isto é, "podia acontecer naturalmente" mas ao mesmo tempo ter razão para pensar que desde que o Universo é Universo estatisticamente aquilo muito provavelmente nunca poderia ter acontecido... bem, eis ai os olhos treinados da fé e da justa razão lado a lado se auxiliando. Imagine se Deus salvasse toda igreja... todos seriam crentes! Não é assim que ele deseja. 

Deus tem caminhos misteriosos para quem não tem a mente clara... 



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