Irenismo e falta de vocações ou "Havia uma pedra no caminho de Santiago"

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4 Comentários
Este é o texto máximo de Agosto, mês vocacional. Divulguem, é de vocês.

Imagine que você chegou em Vigo na ancestral Galícia (ó ondas do mar de Vigo, vistes meu amigo?), a caminho de Santiago da Compostela pelo caminho convencional de Portugal. Você está fazendo tudo certinho, levando a caderneta dos carimbos, a concha, o cajado e a pedra de 20 kg (vamos assumir que nesta história um peregrino de Santiago deva levar uma pedra de 20 kg. Na vida real não precisa da pedra)

Enfim você chegou em Vigo cansado e arrebentado, aquela pedra na mochila estava te matando. Ai você chega num estalajadeiro e pergunta onde é o caminho. O estalajadeiro diz que você esta no caminho certo, no caminho A... mas que também há o caminho B que você poderia ir (vamos supor que existam dois caminhos portugueses para Santiago. Na vida real, de Portugal, só há um caminho).
Ai você fica encucado e pergunta qual a diferença entre os dois caminhos

A pedra...
- Nenhuma, os dois dão em Santiago
- Mas este é mais curto, então??
- Não, os dois caminhos são iguais
- Ah, mas o outro caminho deve ter mais subida, deve cansar mais
- Não, não, são iguais em dificuldade do percurso
.- Perai, se são iguais em distância e dificuldade, qual a diferença entre este caminho A, este aqui, e o caminho B.
- Ora, señor, nenhuma... quer dizer, neste aqui você deve levar a pedra de 20kg...
- E no B?
- No B... não.
- E vou chegar lá igual?
- Igual
- Então porque raios estou me cansando no caminho A carregando esta pedra pesada?
- A pedra é parte do caminho A.
- Por que a diferença?
- Bem, é tradição do caminho A carregar a pedra. Pedro, Paulo, Antonio, Francisco, Tomas, Teresa, Inácio que andaram pelo caminho A levaram a pedra
- E o B nao?
- É... Martinho, o criador do caminho B, não carregou a pedra. Depois dele vieram Calvino, Zwinglio, Henrique da Inglaterra, Wesley, Willian...
- Então vá p/ PQP que não aguento mais esta pedra terrível e vou para o caminho B que chega igual
- Hum... não... fique no A, por favor...
- Por quê se estou me matando?
- Hum... o A é... o A é... o A é o A, sabe? Tem a pedra, chega igual ao B, mas o A é...  muito bacana, sabe...
- Pro Inferno com o caminho A e sua pedra! Eu vou agora pelo B. Deve ter sido um bando de velhos sádicos e corcundas que criou esta regra sem sentido!

E você, o peregrino, atira bem longe a pedra...

Captaram, né? Santiago da Compostela é o Céu e a Salvação. O caminho A é o catolicismo. O caminho B é protestantismo. O peregrino é o vocacionado, e a pedra é o celibato/voto de castidade (e de obediência e de pobreza também, para quem o faz). O estalajadeiro é o orientador vocacional. Infelizmente, nos seminários, confundem ecumenismo com irenismo, aquela heresia que diz todas as religiões serem boas para salvação.

Então por que cargas d´água terá o pobre que deseja servir a Deus ser eivado de tantas obrigações se é tudo igual? Ninguém é católico porque acha linda a carinha de vovô fofinho dos nossos arcebispos. Não é a toa que seminaristas invejam os aspirantes a pastores. E tão poucos seguem o caminho. E se continuam seguindo depois do seminário, secretamente jogam a pedra no lodo e seguem a escola do bispo Lugo.

O final certo da nossa história dos dois caminhos é o seguinte, contada pelo estalajadeiro, que é nosso formador de padres:

- O caminho B diz que chega. Não duvido que alguns que tenham começado pelo B sem nunca terem ouvido falar do A cheguem por ele. Mas ele é muito sinuoso, mal sinalizado, você depende só da leitura de seus mapas para chegar lá, não tem placas indicando, os guias que estão por ele nunca concordam na direção, é fácil se desviar na floresta e ser devorado pelos lobos, ou nas montanhas cair num abismo. Dos que sairam da certeza do caminho A para as contradições do B, nunca ouvi falar de quem tenha chegado em Santiago. O caminho A é o caminho original que passaram todos. É plano e reto, há várias placas pelo caminho e todos os guias falam a mesma coisa. Não dá para se perder no caminho A, só se você mesmo decidir sair da estrada. Seguindo o caminho A, seguindo as placas e os guias, chega-se em Santiago com certeza. Há a pedra, é verdade, mas com um caminho tão leve, tão trilhado e tão rápido, você nem sente o peso da pedra, muito pelo contrário, quanto mais se avança parece que a pedra fica leve, leve e leve. Afinal, o próprio Jesus Cristo recomendou esta pedra, ele mesmo carregou ela e sabemos que seu jugo é suave. Finalmente, quando você chega em Santiago, verá a pedra se transformar em diamante puríssimo, que ficará numa coroa que será colocada na sua cabeça, quando você se sentar com Deus na Glória a direita do Apóstolo Tiago. Como diria Moisés, escolhe, pois a benção, e não a maldição!


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4 comentários:

  1. Senti minha pedra se tornar bem mais leve agora...

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  2. Gostei da postagem, muito obrigado por esta inspiração.. Que Deus nos abençoe..
    Salve Maria, estrela da evangelização.

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  3. Amei a parabola!Até na minha vocação de esposa e mãe senti que amo carregar a minha pedra!!!!!!

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