Oxiúro mental sobre a queda do número de [in]fiéis

/
5 Comentários
Um oxiúro mental
é pior que um intestinal,
que é muito convencional
 
"Perder fiéis" é um oxímoro, como petralha honesto, Deus mau, pecado santo ou católico de esquerda. Se eram fiéis, não seriam perdidos. Oxímoros não são oxiúros, aquelas lombriguinhas que vivem nos intestinos e provocam prurido lá na entrada da caverna da Platão. Um oxímoro deveria provocar na lógica a mesma coceira que faz um oxiúro. Para evitar os oxiúros, devemos ter máxima higiene com os alimentos que ingerimos. Para evitar os oxímoros, devemos ter máxima higiene intelectual com as ideias que engolimos.

Um grande jornal ("Quer saber?" Não, não leia ele) atribuiu a queda de fiéis no censo 2010 (i.e., desatualizado 2 anos, porque certamente está pior em 2012) a aderência à moral sexual. Ou seja, se a Igreja dissesse "Vale Tudo!" e fosse mais liberal que Tim Maia (afinal, na música Vale Tudo "só não vale dançar homem com homem, nem mulher com mulher", o que vai contra a infalibilidade do movimento LGBTWXYZ), enfim, se a Igreja implodisse por dedasso teológico toda a moral sexual, as pessoas esclarecidas seriam mais católicas. Por outro lado, o jornal diz que os evangélicos subiram porque "vendem um produto". Olha aqui o oxiúro lógico coçando o ânus intelectual: A Igreja católica perde fiéis porque não é ilustrada, e as seitas evangélicas ganham porque são obscurantistas. Por que cargas d´água então este público obscurantista não adere às hostes católicas? E por que nos países protestantes, cujas igrejas nacionais estão liberalíssimas, as igrejas também estão vazias? Será que ao clero da Dinamarca falta pregar obscurantismo para atrair os dinamarqueses? Ó, pela barbas imberbes de Hamlet!

A bem da verdade é que o número de católicos praticantes nunca foi de 90% no Brasil. Nem na época de Vieira. O número certo é 10%, em meu palpite. 

Observem que há algum tempo, a RCC e os padres-cantores foram vendidos como a solução. Não foram a solução. A RCC se espalhou feito um vírus, formatando paróquias inteiras a sua estética e tendo a pretensão de ser "a forma" de se viver o catolicismo. Os padres-cantores começaram ortodoxos e associados a devoções como Marcelo Rossi e Antônio Maria, até mesmo catequéticos com as composições do Pe. Zezinho (Antes que atirem pedras injustas nele, lembro de Romano, o melodista). Deles, nunca vi grandes pisadas fora da linha (salvo o gancho da emulação de sacramento do Antônio Maria). E com toda a atenção midiática, se tivessem dado suas Lugadas (i.e., êmulos de Fernando Lugo, como o presidente da Caritas, o argentino) teriam sido desmascarados em verso e prosa (onde não surge grandes indícios de fumaça, pode-se razoavelmente supor que ainda não há fogo). Do jeito que a imprensa tem má vontade em relação à Igreja, você acha que uma Lugada deles sairia barata? Aí veio o Fábio de Melo, que degenerou tudo de vez numa mundanização sem precedentes. "Ah, mas atrai as pessoas". Atrai as pessoas para o show, não para a fé.

Eis aí os resultados. Não há resultados!

Digo: Só tende a cair. A Igreja está perdendo a batalha cultural feio. Feio, feio, feio. 

Sabem de uma coisa? Ai dos pastores que deixam as ovelhas se perder. Um único bom pastor sozinho não aguenta enfrentar a matilha de lobos. Agora é hora de lembrar Dom Luis Gonzaga Bergonzini, abandonado sozinho pelos outros bispos em sua luta contra o governo abortista. Cadê os outros bispos, pelo menos em sua defesa? Menos de meia dúzia de macabeus se juntaram a ele. E nec plus ultra. Consultem a História e me digam uma única vez que um exército venceu uma batalha com generais omissos que fugiram da batalha? Os leigos estão sozinhos suportando toda a guerra cultura, mormente os conservadores. O Espírito Santo não vai salvar a Igreja brasileira com um episcopado covarde e ignavo que enfia a cabeça na terra, como diz a lenda do avestruz. Deus não poupou seus sumos sacerdotes de Jerusalém da espada babilônica e romana. Na época da Igreja. Deus não poupou a Ásia Menor das sete igrejas do Apocalipse, nem a África de Agostinho e Cipriano da islamização. Vá na cidade moderna que já foi Éfeso e conte quantos minaretes há por lá...

In summa, estamos perdendo feio a guerra contra o Mundo. E não contem com a ajuda de Deus, porque Ele não vai ajudar incompetentes. Os dois templos de Jerusalém destruídos mostram como o Altíssimo tem nojo de clero incompetente. Faça tudo como se nada dependesse de Deus, ainda que tudo dependa de Deus, disse Agostinho. Fazemos? Fazemos? Fazemos? 

No Inferno, o velho Satanás dá pulinhos de alegria com estes resultados. E, como tentador e carrasco, já vem preparando com muito carinho as grelhas onde instalará o clero brasileiro, enviado lá pela justa ira do Altíssimo contra os pastores que deixaram o rebanho se perder.

Quando é o próximo censo? 2015? Deus me faça estar errado, mas vai estar pior ainda. Estou à espera de um milagre. Sim, Senhor Jesus Cristo, faça-me estar errado para a maior glória do teu nome e de tua promessa que as portas do Inferno não prevalecerão! Exurge, Domine! Pela intercessão da Vossa Mãe Aparecida, do beato Anchieta Apóstolo do Brasil, dos mártires do nordeste, de Santo Antônio Galvão (franciscano como não há mais), salvai a Igreja na Terra de Santa Cruz!!! 

"Não queirais, pastor divino, perder na vossa ovelha a vossa glória..." (Gregório de Matos)




Você também pode gostar

5 comentários:

  1. Sabias Palavras...Que o Senhor tenha piedade de nos...

    ResponderExcluir
  2. Frei, só complementando,tem uma pesquisa encomendada por Roma, que estabelece que o numero de católicos que realmente são católicos, seria de 5% do total de católicos(menos de 5% da população geral), a mesma porcentagem da França(mesma pesquisa) que por acaso tem a mesma porcentagem de católicos que o Brasil na população geral só sinto não me lembrar do site onde li os dados(algum lugar dentro de vatican.va )

    ResponderExcluir
  3. De minha parte, com 4 anos de episcopado, já estou cansado, sózinho, criticado especialmente por "colegas"... Não é fácil não...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. ..enquanto isso - o vaqueiro - ainda - tira chapéu e com reverência e com a inclinação faz Sinal de Cruz perante uma igreja; os ribeirinhos - ainda- se ajoelham e rezam Ave Maria quando ouvem de longe o som dos sinos da igreja...

      Excluir
  4. Frei Rojao (Nem vou logar, meu estilo eh minha assinatura!)4 de julho de 2012 10:32

    O Reverendissimo estava na minha conta mental da meia-dúzia de macabeus. E é isto mesmo, macabeus que passam à guerrilha pela Lei de Deus.

    Eu sempre critico o episcopado pelo varejo para atacar os erros, nao expor os errados.

    A grande questao eh que me vejo como os filhos de Noé. Sou dividido entre o dever de ser firme contra as batatadas e tapar os olhos e cobrir a nudez do pai. Os bispos sao os pais. Os filhos de Noe o amavam, e tinham vergonha de o ver nu e bebado. Piedosamente o cobriram. Claro que sofro quando vejo o que vejo. Pior que ver algo lamentavel, é ver seu pai sendo o lamentavel. Quisera eu mostrar nossos bispos como valentes na sociedade e candidatos certeiros à honra dos altares! Logico que quero o bem deles, logico que os amo, sou catolico! Como nao iria amar os sucessores dos apostolos?

    No entanto, este dever de cobrir Noé faz com que sejam encobertas coisas ruins. Os casos de pedofilia, os escandalos do banco do Vaticano, as depravacoes dos Legionarios de Cristo só explodiram com maior dano porque foram sendo cobertos, cobertos, cobertos. Uma ferida infeccionada não deve ser coberta. Deve ser aberta mesmo com dor, tirado o pus e aplicado antissepticos fortes e ficar exposta ao ar secando. Tudo que uma infecção quer é ficar coberta no calor na umidade se multiplicando, até infecionar todo o sangue e o resto do corpo.

    Enfim, vivemos entre Cila e Caribdis. Entre o dever de nao expor nossas mazelas e a obrigação moral de expor o mal para ser tratado.

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.