Da responsabilidade individual que também é o "quem com ferro fere, com ferro será ferido"

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2 Comentários

Vou copiar um trecho de um texto de Reinaldo Azevedo, cotejando Vinícius Mota. Os parágrafos são muito bons e falam de uma verdade moral que está sendo esquecida: A responsabilidade individual.

Com propriedade, Mota observa: "Não foi o militarismo que matou o empresário paulista nem a cultura das armas que massacrou no Colorado. Foram indivíduos, plenamente responsáveis pelo que fizeram." Eis o ponto. Os dias são propícios a uma cultura que expropria os indivíduos de suas responsabilidades. É curioso: a era da afirmação das identidades, das culturais locais, grupais, idiossincráticas às vezes, convive com o desejo de soluções globais e definitivas, que transformariam o cidadão num resultado exato de algumas operações quase matemáticas. Na vertente benigna, trata-se de uma tolice; na maligna, voltamos às tentações totalitárias de sempre.


Não há sociedade perfeita o bastante que possa impedir o surgimento do atirador do Colorado ou da Noruega — país apontado como dos sonhos por muita gente — a menos que passemos a perseguir o "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, com a administração de doses cavalares da droga "Soma" para toda a população. Livres dos empecilhos da religião, da ética e das escolhas pessoais, um remédio daria conta do recado, e estaríamos todos livres dos dilemas. Todas as distopias que tratam de um mundo totalitário passam, por óbvio, pelo fim das vontades e das escolhas. Totalitários de direita e de esquerda — estes com mais dedicação à causa — estão certos de que o mal do mundo está na pluralidade de vontades.



Nos Estados Unidos, voltou o debate sobre a restrição à venda legal de armas. Ás vésperas da eleição, o tema ocupará a pauta por algum tempo e não dará em nada. Não é a cultura da arma que está arraigada na sociedade americana, mas outra: a de que o indivíduo tem o direito de se proteger; ninguém pode fazer isso em seu lugar — nem o estado. A defesa pessoal, no caso, se distingue das políticas de segurança pública. A pergunta óbvia, de resposta não menos óbvia, é esta: esse individualismo fez bem ou mal aos Estados Unidos? O mau uso que se pode fazer do direito de ter uma arma é razão para que ele seja extinto? Ora…

Quando tinha a conta do Facebook, chegou uma tola (não posso me referir de outra forma para quem age assim) me criticando e achando um absurdo por eu posar de espingarda na foto (que até um cardeal, aliás, ironizou, mas tenho que fazer meu "mis-en-scène", não? A espingarda é uma metáfora apologética, é a arma típica do sitiante e do agricultor. Afinal, estamos defendendo a vinha do Senhor dos javalis, o campo de trigo dos corvos e de quem vem jogar joio, entenderam?). "E se uma criança ver você armado?", pressionou-me. Eu comigo pensei (mas não respondi, porque no facebook o número de idiotas é infinito) se a mulher era mãe e se seus filhos brincavam de polícia e bandido, cowboy, se viam TV e jogavam videogame (onde todos estão desarmados, não é verdade?) ou se os policiais que seus filhos viam na rua (ou defendiam seu colégio - os particulares) estavam desarmados. 

In summa, a mulher me tratou como seu estivesse posando com a calça arriada, mostrando as outras armas... Que transtorno moral é este?! Pecado seria se estivesse atirando com a espingarda para matar um ser humano (se atirasse para matar uma onça ou um pitbull que viessem me atacar é moralmente válido). Eu posso matar alguém até acertando com a quina da Suma Teológica no cocuruto. Eu podia envenenar o vinho da missa e matar a todos na paróquia (será que Deus deixaria?). Finalmente, eu poderia ser negligente com a manutenção da igreja e deixá-la desabar em cima dos fiéis (um dos motivos pelos quais a primeira Basílica de São Pedro foi demolida e a atual construída). 

Olha que nem falei da Guerra justa, a guerra de defesa. O historiador romano Tito Lívio fala um ditado interessante para o soldado que defende sua pátria: "Benditas são as armas quando nelas reside toda a esperança". Vou amaldiçoar as armas que defenderam a fé em Roncesvales e Lepanto? Que traçaram a fronteira entre a luz e as trevas?

Cristo mandou Pedro portar uma espada (e os doze carregaram duas), mas criticou foi seu uso destrambelhado. Vocês não estranham que o valentíssimo Pedro não atacou um soldado, mas um pobre servo do sacerdote, e num golpe desatrado que acertou a orelha?! O evangelho é claro que iam prender Jesus com porretes, Pedro não usou sua espada conta o golpe de um porrete, mas contra uma orelha! Havia pelo menos dois discípulos armados de espadas, se eles ficassem lado a lado de Jesus "en garde" os soldados suariam um pouco para prendê-lo. Logicamente não vamos estender a exegese além do texto, o episódio do Horto era para que se cumprissem as Escrituras, Cristo não perderia nenhum dos seus, o que provavelmente ocorreria se houvesse resistência (como o valente Pedro tinha dito, que seguiriam Jesus até a morte! Sei, sei... Pedro somos nós!)

A mão que desembainha a espada tem responsabilidade da espada e de suas conseqüências! Por isto, "quem com ferro fere, com ferro será ferido". O pecado não é do gatilho, é da mão que aperta o gatilho! È a responsabilidade individual. Nunca se esqueçam disto!



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2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Frei Rojao (Nem vou logar, meu estilo eh minha assinatura!)26 de julho de 2012 09:59

    Ihihihi, então entrou de novo mais um idiota, porque fizeram uma Fã-page para mim lá

    Mas desta vez é como página. Assim fica mais elegante e domina-se mais os idiotas

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