A rigidez moral é o melhor disfarce dos canalhas

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Desconfie de quem é muito linha-dura...
Fariseus, fariseus, fariseus, que roubam as viúvas e fazem longas orações, que coam um mosquito e engolem um camelo, que convertem uma pessoa e a fazem duplamente merecedora do Inferno...  Cuidados para não sermos fariseus. Cito um super-exemplo de fariseu moderno, Marçal Maciel, cujos sucessores e aliados ainda estão firmes e fortes em sua congregação. Eram tão piedosos, tão linha-dura, tão severos condenando o laxismo jesuítico,  tão, tão, tão... que... que não eram! E como Medjugordje com grandes mensagens, mensagens urgentes, mensagens suficientes para encher a Summa Teológica, tendo mais aparições que todo o Antigo Testamento mais Loreto, Salette, Lourdes, Guadalupe, Aparecida e Fátima juntas... e que não era verdade, e sim grossa impostura. Isto para citar dois exemplos públicos de falsidade...

A rigidez moral é o melhor disfarce dos canalhas. Eu desconfio imediatamente de quem é muito linha-dura. O verdadeiro conservador é como um cacetete, pode ser rígido por dentro, mas por fora é macio. "Fortiter in re, suaviter in modo", o adágio jesuítico, que o porco assassino do Guevara forjou no homoerotico-comunista "Hay que endurecer pero sin perder la ternura jamas". 

Dirijo-me à blogsfera católica agora. Estou cansado de ver gente criticando as coisas certas pelos motivos errados. A internet é poderosa para falar qualquer coisa e qualquer bobagem.  Cuidado com as metralhadoras. Pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, cuidado católicos, Roma não está em chamas! O campo do Senhor é isso mesmo, é trigo e joio, joio e trigo misturados. Vocês acham que São Domingos e São Francisco se ergueram porque estávamos no paraíso de santidade e paz na Igreja de sua época? Vocês acham que Santo Inácio de Loyola e São Carlos Borromeu foram o que foram porque reinava a ortodoxia e a obediência naquele tempo? "É melhor sentir contrição do que saber defini-la", diz a Imitação de Cristo. "De que adianta discorrer sobre a Trindade sem humildade, desagradando a mesma Trindade?" diz o mesmo livro do venerável Kempis. Não sabemos  o que se passa no coração do homem. Mas vemos seus frutos. A árvore se conhece pelos frutos. O recado é simples, antes de metralhar ou de abençoar, vejam os frutos! Como eu sei se aquele piedosíssimo homem é um santo ou canalha? Pelos frutos. Estou falando algo diferente dos evangelhos? Não, porque não se colhem figos de espinheiros e vice-versa.

É melhor errar em comunhão com seu bispo que acertar sozinho. Posso ser incrivelmente rígido na obediência à hierarquia... o Diabo nos tenta pela desobediência também, e quem está sozinho se perde mais rápido. A Igreja é a barca de Pedro, não a canoa de cada um. Deus nos quer no Atacado, o Diabo nos captura no Varejo. Cuidado! O Espírito Santo não teve as asas cortadas, ele age na Igreja de maneira misteriosa e infalível. Sendo assim, o todo é sempre mais ortodoxo que suas partes. Pensem nisto, é um mistério profundo que o Espírito Santo, Senhor e Santificador, nos propõe sobre sua obra, que é muito, mas muito mais mesmo que glossolalia pirotécnica.

Roma, Roma, Roma... tão alquebrada Roma, por que Deus tem prazer em escolher meios ineficientes para fazer eficaz? Por que escolheu como papa o covarde e falastrão Pedro, não o hábil e diplomático André, ou o fiel e enérgico João? Por que se usou de Saulo, um fariseu prolixo e fanático, para ser seu apóstolo dos gentios, quando tinha mais onze lealíssimos e dóceis no Cenáculo? Pedro e Paulo, esta dupla tão heterogênea que seria vetada em qualquer exame vocacional sério, foram escolhidos para serem o esteio e suporte da Igreja católica nascente. A preferência do Altíssimo por fortalecer os escolhidos, não escolher os fortes, é antiga: Jacó foi ladrão do irmão e do tio, um espertalhão em todos os sentidos. Moisés era tímido e preguiçoso. Davi era politiqueiro e lascivo. Jonas era turrão e teimoso. Mas não é o homem que se santifica, é Deus quem santifica os homens (Aha, errastes Pelágio!). Assim, todos estes frágeis homens e cheios de defeitos foram onde mostrou-se a força do braço do Altíssimo. Jacó virou patriarca santo, tronco da benção, pai  de Israel e Jesus Cristo. Moisés foi o porta-voz de Deus, o grande libertador e maior  dos profetas. Davi foi o rei segundo o coração do Altíssimo, tal como nunca houve na Terra. Jonas converteu Nínive. Paulo firmou na fé as igrejas nascentes e foi o maior teólogo da época apostólica. E Pedro enfrentou e derrotou a poderosa Roma, seu sangue derramado no Campo do Vaticano é literalmente a pedra angular do cristianismo.

Quando vejo a História e vejo os tempos atuais, vejo uma multidão da papas incompetentes, bispos fracos, sacerdotes improváveis, religiosos frouxos, leigos tolos, e eu sou o primeiro da fila. Ainda assim Jesus caminha conosco e faz as sementes fracas renderem trinta, sessenta, cem por um. Sim, vivemos uma prova de fé, nossa fé no Espírito Santo. A Criação testemunha a obra de Deus Pai. A Tradição Apostólica testemunha a obra de Deus Filho. E a sobrevivência e fecundidade da Igreja católica testemunham a obra de Deus Espírito Santo...


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3 comentários:

  1. Excelente, frei. Espero que ao elogiá-lo o sr. não cresça em orgulho e vaidade. Por causa disso, pedirei à Virgem pelo senhor hoje. Continue o blogue, porque o seu trabalho é boníssimo.

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  2. Excelente! Esta é uma era engraçada, estamos cheios de gente querendo ser mais santos que o Papa, mas cheios da mais cretina desobediência. Uma freira amiga minha (provavelmente amuliana) dizia: dos três votos, o mais importante é a obediência. no inferno há castos e devassos, há pobres e ricos, mas não há obedêntes. parabéns, Frei.

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