Meditações acerca do sábio uso dos bens [de outrora] da Igreja

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"Não era pequena a consternação em toda a cidade. Os sacerdotes, prostrando-se diante do altar com as vestes sagradas, invocavam no céu Aquele que havia promulgado a lei sobre o depósito, a fim de que se conservassem intactos estes bens em favor dos que os tinham depositado. Quem observasse o rosto do sumo sacerdote sentia ferir-se o próprio coração, a tal ponto o olhar e a alteração da sua cor revelavam a dor profunda de sua alma. Verdadeiro pavor se derramara sobre ele, um estremecimento do corpo, de tal modo que era visível, aos que o observavam, a dor do seu coração. Muitos saíam em bandos de suas casas, fazendo rogações públicas, por causa do ultraje que ameaçava o lugar santo." (2 Macabeus 3, 14b-18).
Ao longo dos anos, muitos fiéis de bom coração deram dízimos de seus bens ao Altíssimo, e as dioceses puderam ter algum patrimônio. Entretanto, uma geração de bispos cabeça-de-bagre, impregnados de "Teologia da Libertação", dilapidaram este patrimônio: Belíssimos palácios episcopais foram vendidos ou doados, igrejas caíram de velhas e foram desativadas com seus terrenos, a Igreja doou ou vendeu as poucas terras que eventualmente tinha; Consideraram que ter bens era vergonhoso, quando o vergonhoso é ser mau administrador do que foi recebido. E como previu Nosso Senhor, "os pobres sempre estarão convosco". 

Duvido que os recursos destes bens tenham alimentado os pobres na totalidade. E agora as dioceses, a maioria, vivem de pires na mão, tendo desperdiçado especialmente os cabedais imobiliários que tinham. Esta lição foi aprendida até mesmo pelos religiosos de outrora: Santa Teresa d'Ávila não queria fundar mais mosteiros carmelitas que não tivessem terras para arrendarem o próprio sustento, sabia das limitações das esmolas para a manutenção das casa de religiosos e dioceses. Mesmo para viver em estrita pobreza é requerido um orçamento mensal para comprar côdeas de pão velho. E se vivesse São Francisco de Assis, teria de pagar energia elétrica pelo menos para a luz que fica acesa no tabernáculo. O que diria da manutenção das belíssimas igrejas que a sua Ordem nos legou? Pedreiro não é de graça. E daqui a pouco, mais uns anos, os esquerdistas nos forçaram a pagar imposto nas igrejas... Deus me livre e guarde de pagar o IPTU das catedrais diocesanas... Sem contar o desperdício, mal a que o clero não é imune.

Vivemos numa época que até a caridade é estatizada no Bolsa-Família. Um governo que suga 40% do produto interno bruto não deixa muita sobra para os fiéis sustentarem as dioceses nem as casas de religiosos. Tivessem os bispos agido com mais previdência, o patrimônio que receberam poderia dar belas rendas para a manutenção das dioceses. Ninguém é capitalista, nem especulador imobiliário, mas quantos seminaristas e padres não poderiam ser sustentados com aluguéis dos antigos patrimônios das mitras? Se sustentasse um, estávamos no lucro! E, como efeito colateral, são obrigados a aturar paróquias de liturgia heterodoxa e neo-pentecostal, mas que atraem muitos fiéis e conseguem muitas esmolas que irão para as dioceses. 

Os bispos não se preocupam tanto com pregação porque estão preocupados em pagar as contas no final do mês. E as contas sempre aumentam. Da diocese, das paróquias e dos fiéis que contribuem... O Altíssimo ainda não derruba maná nos claustros, e, se derrubasse, haveria pouco maná porque nos sobraram muito poucos claustros...




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