Quem O conheceu, não duvida d'Ele

/
0 Comentários
Vocês conhecem muitas pessoas, não é? Você duvida da existência de alguma pessoa que você conheça?

A maioria de nós, salvo órfãos, conhece sua mãe. Você duvida da existência da sua mãe? Não, porque você firmemente a conhece. Nem levarei em conta a questão existencial "se minha mãe não existisse, como existiria?". Você conhece sua mãe porque conhece a sua mãe, conversou com ela, a tocou, a abraçou (perdoem os gramaticos, mas detesto pronome obliquo no final, um velho tem suas manias)

Acho curioso alguém dizer "Deixei de acreditar em Deus" - acreditar no sentido de existir, não de dar crédito.

Uai?!

Você deixou de acreditar na existência do Seu Esteves, o jornaleiro, de quem você compra jornal todo domingo?

Você deixou de acreditar na existência do Silveira, o padeiro (Não o do faraó), de quem você compra pão todo dia?

Você deixou de acreditar na existência da Dona Dolores, a senhora sua mãe, que te carregou no ventre, te amamentou e te criou?

Óbvio que não. Você tocou nestas pessoas. Você conversou com estas pessoas. Você interage com estas pessoas. Seria muito engraçado ir na padaria e proclamar a inexistência do padeiro, enquanto ele pode sair lá dos fundos e se declarar: "Faço pão, logo existo". E o padeiro não prova sua existência apenas pelos pães. Se o Silveira se aposentasse e deixasse de fazer pães, ele continuaria existindo porque simplesmente existe. Mesmo se o Silveira perdesse o CPF para o fisco, queimasse seu RG e documentos, mesmo se um raio apagasse os computadores do governo todos, Silveira é Silveira. A existência é axioma para os que testeminham a existência. Mesmo que morto, meu amigo Silveira deixaria seu corpo, e do corpo, seus ossos. Mesmo se o corpo do Silveira fosse cremado e suas cinzas jogadas ao vento, o padeiro deixaria sua existência ainda registradas por indícios que deixou no mundo, a memória de seus filhos, a tristeza da viúva, a certidão de óbito. E se tudo isto fosse perdido, documentos, registros, nome na lápide, perderíamos sua identificação, mas não a si. Ossos ignorados, como os ossos da catacumba de Paris, mas seres humanos que exitiram, isto é inegável. Não ter notícias da existência não nega a existência. Quantos homens viveram e morreram, sua memória se perdeu mas existiram?

Assim como não posso duvidar da existência do Silveira por tê-lo conhecido - posso até duvidar de que se chame Silveira, mas nunca da existência dele em si -  como posso duvidar da existência do Senhor, se firmemente o encontrei, se interajo com ele, se conversamos, se chamo e ele me responde?

Quando leio alguma batatada do tipo "Quando deixei de acreditar em Deus" ou "Quando virei ateu" vêm a mente justamente a questão do Silveira: Pessoas que não tiveram nunca contato com Deus podem negar sua existência. Quem teve a firme experiência de Deus, nunca negará a Deus.

Este Deus agnóstico que renegam não é Deus. Este Deus que meramente cria e fica na dele não é Deus. Este Deus que é uma "energia" não é Deus (o que quer que entendam por energia, já que um peido é uma forma de energia potencial de pressão, tanto que libera energia sonora ao sair).

Este Deus que renegam não é o Deus de Abrãao, de Isaac, de Jacó que cremos. Não é o Deus que libertou seu povo escravo do Egito. Não é o Deus de Aarão, de Josué, de Débora, de Samuel, de Davi, de Asa, de Elias, de Eliseu, de Josias, de Ezequiel, de Ester, de Neemias, de Judite, de Judas Macabeu, de São João Batista, de São José. Este Deus não é a Santíssima Trindade, este Deus não é Pai, Filho e Espírito Santo. Este Deus não é o verbo encarnado, Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Este Deus não é o Deus de Pedro, de Paulo, dos doze, de São Lino, de São Clemente, de São Dâmaso, de Formoso, de Bonifácio VIII, de Paulo IV, de Inocêncio X, de Pio VII, do Bem-Aventurado João Paulo II, de Bento XVI. Não é meu Deus, nem teu Deus, ó católico.

Nosso Deus é alguém. Nosso Deus é o Deus vivo! Nosso Deus se manifesta e se dá a conhecer. Só é possível renegá-lo, nunca negar sua existência, assim como é impossível negar a existência do Silveira.

Concluindo, só se diz "convertido ao ateísmo" ou "tornado ateu" quem nunca conheceu a Deus ou teve nenhuma experiência divina verdadeira na religião católica.


Você também pode gostar

Nenhum comentário:

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.