Carta aberta aos superiores e religiosos do Brasil


[Sentinela no Escuro]  Às suas paternidades e aos reverendíssimos irmãos, frades e monges das ordens e congregações religiosas no Brasil.
Caros irmãos em Cristo,
Utilizo-me deste instrumento como forma de manifestar meu amor pela Igreja. Portanto, é justo que nesta carta seja expressa a minha indignação pelo que as congregações e ordens religiosas, em geral, estão  fazendo com as vocações no Brasil. Peço a quem chegar esta singela carta dois frutos: um espiritual e um prático. Que se reze pela fidelidade dos religiosos brasileiros aos carismas de seus fundadores e que esta carta possa ser divulgada para chegar aos devidos endereçados, respectivamente.
Há alguns anos tenho me esforçado ao máximo para encontrar um organismo religioso dentro da Igreja no qual pudesse consagrar minha juventude. Esta busca partiu sempre de uma moção interna e de uma resposta da comunidade. Quando se repete numerosas vezes: “você tem cara de padre”, é mais que dever dessa pessoa investigar, ao menos por desencargo de consciência, se aquela clara convergência de sinais seria coisa da sua cabeça ou a própria vontade de Deus agindo.
Assim, antes mesmo de iniciar minha busca, fazia um esforço imaginativo para me inserir na época em que havia certas cidades com mais religiosos que leigos. Eles se consagravam religiosos não por essa ser a melhor vocação, mas pelo fato de que muitos que deveriam ouvir esse chamado, diferente de hoje, respondiam com generosidade.
Eu pensava no glorioso tempo em que os mosteiros eram locais muito visitados como centros de cultura e refúgio para os peregrinos; no tempo em que as escolas católicas formavam pais cientes de sua obrigação diante de Deus e da sociedade; no tempo em que os jesuítas eram apóstolos de Jesus Cristo, fiéis ao papa e dispostos a incendiar o mundo; no tempo em que os dominicanos convertiam multidões com suas palavras de autoridade e responsabilidade pelas almas; no tempo em que os franciscanos levavam comida e sobretudo Deus aos pobres e necessitados, etc.
Tudo isso eu estudei nos livros de história durante a minha vida toda. Livros muitas vezes esquerdistas, anticlericais, liberais, mas que inevitavelmente tinham que confessar certas verdades para não passarem por falhos do ponto de vista factual. Nesses livros lembro de figuras como Gregor Mendel, Nicolau Copérnico, Georges Lemaître, Roger Bacon, só para citar os de maior destaque no âmbito científico. Ainda tínhamos exemplos na política, nas artes, na música e em tantas áreas quanto podemos contar ao longo da história.
Eles estavam imbuídos do ensinamento perene de que a fé e a razão eram faces da mesma moeda. Queriam dar o seu melhor para fazer seus talentos renderem (Mt 25) e para que a obra criada fosse ainda mais glorificada pelas mãos do homem.
Ora, minha busca iniciou-se pelas congregações mais tradicionais – aquelas que mais brilho deram à Igreja do Senhor. Como algumas delas não estão presentes na minha região, resolvi usar a internet para saber mais sobre o carisma dessas ordens e congregações e para saber como viviam os religiosos. Outras vezes até mesmo paguei passagens e hospedagem para ir e ver in loco o que se vivia. O que encontrei? Além de muitos inimigos infiltrados na Igreja, o que seria normal, uma perda total do sentido religioso – algo que não esperava.
O panorama das ordens e congregações no Brasil é, para dizer o mínimo, dramático: já não se usa hábito religioso como uma prerrogativa conciliar (ainda que o Concílio nunca tivesse dito algo nesse sentido), estuda-se ecologia, política, sociologia e tudo o mais sem que se saiba uma linha sobre a vida dos fundadores, aceitam inescrupulosamente todo tipo de “mão de obra” para suas ações pseudo-evangelizadoras, as escolas já não ensinam mais o catecismo e as livrarias católicas vendem toda sorte de livros esotéricos de autoajuda.
Por outro lado, se as ordens e congregações fiéis ao carisma ainda permanecem como verdadeiros oásis religiosos aqui no Brasil, estas fecham-se e isolam-se numa tentativa de manter o que já conquistaram. Nas vezes que tentei fazer um discernimento vocacional nessas ordens e congregações, fui recebido com falta de interesse e desconfiança. Isso talvez ocorra porque as poucas vocações brasileiras escoam quase sempre para os mesmos lugares ou como uma tentativa de evitar indivíduos aproveitadores que contribuam ainda mais para os escândalos na Igreja. Por essa razão, sempre me coloco no lugar dos responsáveis vocacionais e me vejo numa tarefa realmente difícil, mas acabo por concluir que diante de um terreno tão hostil não há semente que brote (Mt 13).
A situação que apresentei, consideradas as conversas que tive com algumas pessoas, parece padrão em nosso país. Passo semanas olhando e olhando a lista de congregações e ordens disponíveis no site da minha arquidiocese numa vã tentativa de converter a atual situação no conceito que sempre tive delas. Talvez essas barreiras intransponíveis que se me apresentam representem, para o bem da verdade, a vontade de Deus, ou seja, que essa não é a minha vocação. No entanto, por um serviço a esta mesma verdade, tenho que dizer que muitas almas estão se perdendo em vocações estranhas ao projeto de Deus por causa da ineficácia das ordens e congregações em cumprir seu papel de transmissoras do carisma aprovado pela Igreja.
Urge surgir uma nova geração de religiosos que seja testemunha viva de que vale a pena seguir a Cristo e o Evangelho; Urge surgir religiosos que sejam hoje sinal de contradição num mundo hostil à religião e aos costumes; Urge surgir religiosos que vivam a radicalidade no meio do mundo e fora dele; Enfim, urge surgir religiosos que aprendam a diferença entre Doutrina Social da Igreja e ativismo religioso-social.
Para isso, é essencial que os superiores das ordens e congregações saibam que as vocações não estão escassas por falta de candidatos. O que ocorre é que hoje há em nosso país, em geral, maus religiosos. Para isso é preciso reconhecer antes de tudo que em nosso país também há maus católicos. Isso é patente pelo alto índice de migração religiosa que assola nossos dados estatísticos. Como católicos e vós como religiosos católicos temos que entender que a sociedade e sobretudo os jovens veem a face da Igreja em cada um de nós.
Diante dessa situação só tenho a escrever estas breves palavras para “lavar a alma” em relação a uma vocação mal resolvida. Obviamente, quando nos colocamos nas mãos de Deus esses conflitos passam como águas de um rio na medida em que Deus nos mostra caminhos alternativos para alcançarmos o mesmo ponto de chegada. Basta que sejamos dóceis e generosos uma vez mais.
A vós, caros superiores, peço que sejam fiéis ao carisma que lhes foi confiado. Só isso valerá tudo o que escrevi. Aos tantos religiosos de nosso país, peço que sejam sinal da radicalidade do Evangelho que vós vos propusestes a testemunhar no mundo. Queremos ver Inácio nos Jesuítas, Francisco nos franciscanos, Domingos nos dominicanos, Champagnat nos maristas, Dom Bosco nos Salesianos, etc. Isso é fundamental para que mais uma vez se ressoe a voz que o Senhor da messe dirigiu a Francisco há mais de mil anos atrás: “reconstrói a minha Igreja”.
Peço-vos orações e bênção na medida em que rezarei por todos vós.
Vosso irmão em Cristo e na Igreja,
"Leigo"


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7 comentários:

  1. Não é muito diferente nas Congregações e Ordens femininas, infelizmente... =(

    Rezemos.

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  2. A solução é fechar todas para os católicos não ficarem
    sustentando um bando de vagabundos aproveitadores.

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  3. Teófilo dos Pampas15 de maio de 2012 00:22

    Caro FREI ÂNGELO BERNARDO.
    Na religião também existem três tipos de reações.
    Há os otimistas (aqueles que acham que todos serão perdoados, o Mal não existe de fato, até o Diabo é boa gente, toda fantasia é real etc. etc.).
    Há os pessimistas (os esquerdopatas, por exemplo, que não acreditam em DEUS ou acham que Ele é comunista, o amor é só atração carnal camuflada, o interesse e o domínio está na raiz de tudo, a saída está na teologia da libertação, tudo depende do homem, ninguém é bom, ninguém presta etc. etc.).
    Existem os realistas (os que sabem que DEUS existe, simplesmente porque com Ele se comunicam pelo Amor, ou seja, d'Ele receberam a Revelação).
    A sabedoria consiste em discernir o que podemos mudar daquilo que refoge a nosso alcance.
    Em muitas situações cumpre-se a árdua missão de somente dar testemunho, inclusive da apostasia que contamina a humanidade e, por consequência, muitas organizações da própria Igreja.
    Este fenômeno também aflige outras religiões.
    É o cumprimento do Sermão Profético e da Revelaçao de São João.
    É o processo de purificação.
    Há hoje uma inversão, fruto da decadência do ser humano. Verifica-se que muitos religiosos acham que devem trazer o mundo ao templo, ao invés de levar o templo ao mundo.
    Quer dizer, estão mais preocupados em agradar os homens do que a DEUS. Em verdade, pretendem colocar DEUS a serviço dos homens.
    E, então, prostituem o templo, o homem e o mundo, fechando a porta aos fiéis.
    Aí está: "o escândalo está onde não poderia nem deveria estar", ou seja, no lugar sagrado, quer no templo, quer no âmago do próprio homem.
    Isto angustia muitos verdadeiros cristãos, como diz tão bem o PADRE PAULO RICARDO.
    Todos nós sabemos que o pecado não prevalecerá contra a Igreja de Cristo (a Instituição como tal), todos sabemos que formam a Igreja de Cristo aqueles que agem como Cristo agiria se estivesse em seu lugar. Todos sabemos que o Mal é autofágico e que, por isto, não prevalece.
    Mas, não deixa de causar tristeza ver-se as multidões que atravessam a porta larga do Inferno ainda em vida, não raro com maus religiosos puxando a turba.
    Tudo isto é fruto de uma satânica "ignorância" definitivamente mortal. Um desprezo a DEUS e a si próprio.
    Lembro-me que, em Porto Alegre, há oito anos,cursei "teologia popular" com falsos franciscanos (adeptos da maligna teologia da libertação), que penduravam uma foto do assassino Guevara na parede da sala de aula, onde faltava um crucifixo e uma imagem de SÃO FRANCISCO.
    Mais amei a Igreja, vilipendiada por aqueles demônios travestidos de freis, traidores de FRANCISCO.
    Todavia, com coragem, cabe-nos alertar aos interessados, tal como a presente Carta Aberta faz.
    Aos que estão reunidos em CRISTO, conforta a certeza de que a Sabedoria Divina prevalecerá inexoravelmente, porque esta é a lei primordial da própria existência e emana do próprio CRIADOR.
    Os cristãos verdadeiros devem se reunir, por razões óbvias.
    É de se observar, também, que há - sim - muito sacerdotes e religiosos, em todas osganizações, realmente fiéis a CRISTO e que sofrem também o brutal efeito da decadência de seus pares.
    Tudo isto faz parte desta fase histórica realmente difícil de ser vivida e da qual fomos há muito alertados. Devemos permanecer firmes! Os que têm consciência e lucidez sofrem com a infelicidade da perdição humana. Lembremo-nos: "As portas do Inferno não prevalecerão contra a Igreja de CRISTO!" porém, tais dias serão abreviados. A máscara do Mal já está caindo!
    A PAZ ESTEJA EM VÓS!

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  4. caro irmão juvenil desorientado recomendo uma ordem de primeiríssima linha. Ordem Monástica dos Prepucínios, lá com certeza irá conseguir o que tanto almejas, conheço bem esse fogo que abrasa jovens idealista como vc.
    Seja feliz!

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  5. Mãe dos Anônimos16 de maio de 2012 21:35

    Ora, ora! O velho Diabo - sempre rabugento e velhaco - e seus serviçais logo se dão a conhecer, não é mesmo?
    Basta um sutil chamariz e o babaca idiota (pessimista e subalterno, mandado por qualquer apedeuta) se revela ... Entra em surto!
    É a reação de quem sente que seu fim de fato se aproxima. A passos largos! Ainda demora um pouquinho,mas, vem! Vem mesmo!
    Por isto é covarde; por isto se esconde nas supostas sombras "virtuais" do anonimato; por isto não freqüenta blogs de que gosta, mas tem encomenda para baixar o nível nos que não gosta; por isto não tem argumentos; por isto grita desesperado do fundão onde se encontra e mal é ouvido (a coisa está esquentando, a máscara está caindo e falta inteligência); por isto é um infeliz mal-resolvido que se crê fracassado, desvalido e credor do mundo ... enfim, um ... esquerdopata inconsciente e delirante, porém, mal disfarçado perante os demais.
    Hummm...! Talvez não haja cura para tais "patias" (patologias), até porque, afinal, o Diabo já o carregou para a sua referida "ordem dos prepucínios" (ele aconselha o que já experimentou e, pelo jeito, foi lá que "tiraram-lhe o fogo", coitado!), mas, seguramente, a Psiquiatria tem como amenizar seus estertores moribundos.
    Assim, vai de retro, Satanaz! Marca, antes, uma consulta pelo SUS com um exorcista e um psiquiatra, nesta ordem! Ah! exorcismo não é coberto pelo SUS! Então, paciência!

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  6. Mamãe sei que você escreveu isso em uma crise danada de TPM.
    Nada que escreveste é pertinente, só queria ajudar um jovenzinho desorientado procurando um norte seguro para a sua pequena alma aflita e atormentada.
    Não pertenço a essa santa e sagrada ordem, que estão havidos em vocações juvenis.
    Não entendi direito suas colocações, não sei se você é o jovenzinho querendo um Regaço Acolhedor para deitar sua vocação virginal, ou se é a mamã revoltada do jovenzito?
    Prolixa mamã não daria para trocar o SUS pelo Sírio Libanês?
    Deixe o jovem sequioso faze uma experiência entre os Prepucinios e experimentar o fogo do espírito que queima as entranhas mais enxúndias e recônditas.
    Dou-lhe um recado:
    Macaco que muito pula quer chumbo grosso.
    É certo que toda mamã gosta de ter uma filha mulher, alguém do mesmo sexo que entendam seus problemas. Na falta, usam os filhos homens para fazer vestidinho, maquiagem, penteados maravilhosos. E para protegê-los atacam com acusações demoníacas almas caridosas como a minha, que está apenas querendo ajudar esse jovem desorientado.

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  7. "Queremos ver Inácio nos Jesuítas, Francisco nos franciscanos, Domingos nos dominicanos, Champagnat nos maristas, Dom Bosco nos Salesianos" Só não queremos ver Maciel nos Legionários, hehehe

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